Hui Ka Yan, fundador do China Evergrande Group, foi condenado a prisão perpétua por várias acusações, incluindo corrupção, fraude e falsificação de informação financeira. O empresário chegou a ser o homem mais rico da Ásia, com um património líquido máximo estimado em 45,3 mil milhões de dólares (38,8 mil milhões de euros).
O empresário, que se tornou um dos principais símbolos do ciclo de expansão e colapso do setor imobiliário chinês, foi condenado por um tribunal de Shenzhen. O tribunal impôs ainda uma multa de 8,82 mil milhões de yuans (1,3 mil milhões de dólares; 1,1 mil milhões de euros) à promotora imobiliária, que estava cotada em Hong Kong, e uma multa adicional de 7 mil milhões de yuans (1 mil milhões de dólares; 855 milhões de euros) à sua unidade onshore. Todos os bens pessoais de Hui serão confiscados, segundo a Xinhua.
O montante envolvido nos crimes é “excecionalmente elevado” e os atos foram “particularmente graves”, escreveu a Xinhua. A agência acrescentou que Hui e as empresas que liderava deveriam receber penas severas devido às enormes perdas económicas e aos danos generalizados causados à sociedade.
O antigo magnata do imobiliário, que em abril já se tinha declarado culpado de acusações que incluíam corrupção e fraude na angariação de fundos, foi detido pela primeira vez no final de 2023. Outrora a maior promotora imobiliária da China em volume de vendas, a Evergrande esteve no centro de uma crise que se agravou a partir de 2021. Na altura, o incumprimento de pagamentos de obrigações pela empresa alarmou os investidores e levantou dúvidas sobre a saúde financeira de todo o setor imobiliário chinês.
Mais tarde, tornou-se evidente que a empresa tinha acumulado níveis excessivos de dívida, recorrendo não só a instituições financeiras e aos mercados obrigacionistas internacionais e chineses, mas também aos próprios trabalhadores, para financiar uma expansão baseada em dívida que acabou por ser travada por Pequim.
Uma longa tentativa de reestruturar mais de 300 mil milhões de dólares (256 mil milhões de euros) em passivos acabou por fracassar em 2024, quando um tribunal de Hong Kong ordenou a liquidação da empresa, considerando a proposta de reestruturação apresentada “insuficiente”.
Um ano depois, em 2025, a Evergrande foi retirada da Bolsa de Hong Kong, após uma prolongada suspensão da negociação das suas ações. Os liquidatários continuam a tentar recuperar ativos da empresa imobiliária entretanto colapsada e da ex-mulher de Hui, Ding Yumei, para compensar os credores. Ding reside atualmente, segundo relatos, em Londres.
Entretanto, o tribunal de Shenzhen condenou também 56 outras pessoas relacionadas com o caso Evergrande a penas que variam entre 22 meses e 18 anos de prisão, por crimes que incluem fraude e angariação ilícita de fundos junto do público. Entre os condenados estão os filhos de Hui, Xu Tenghe e Xu Zhijian. A agência não divulgou a discriminação das penas e acusações aplicadas individualmente.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





