Filipa Soares: a empreendedora que simplifica o complexo e transforma conversas em negócios

Filipa Soares constrói negócios complexos e explica-os em duas frases. É essa, talvez, uma das suas maiores competências. A outra é o instinto: não anda necessariamente à procura de ideias para empresas; encontra-as no seu próprio dia a dia, e age. A primeira empresa que fundou, a Vanytime, nasceu de uma "conversa de café" entre…
ebenhack/AP
Economista de formação, consultora de carreira e empreendedora por vocação, Filipa Soares construiu um ecossistema de empresas em setores tão distintos quanto a beleza, o vinho, o networking e a inclusão social. O que parece dispersão é, afinal, uma estratégia muito clara. E surpreendentemente simples.
Forbes Women Líderes

Filipa Soares constrói negócios complexos e explica-os em duas frases. É essa, talvez, uma das suas maiores competências. A outra é o instinto: não anda necessariamente à procura de ideias para empresas; encontra-as no seu próprio dia a dia, e age. A primeira empresa que fundou, a Vanytime, nasceu de uma “conversa de café” entre duas amigas, esclarece Filipa. Anos mais tarde, um outro projeto da empreendedora, o clube de networking que hoje reúne quase 500 empresários, começou como um grupo de WhatsApp criado para responder, de uma só vez, aos sucessivos pedidos de apresentação e contactos que lhe chegavam. E um projeto de inclusão social que dá formação a jovens com trissomia 21 surgiu, inesperadamente, depois de uma candidatura a embaixadora de marca por parte de uma rapariga com síndrome de Down. Os pontos de partida foram acidentais. O que veio depois, nada teve de improviso.

Filipa licenciou-se em Economia, na Católica do Porto, e começou a carreira na KPMG, em Lisboa, onde passou dez anos na área de Financial Services. Passou uma década a auditar bancos em Portugal, a viajar regularmente para Angola e a dar “saltinhos à Suíça” para acompanhar um cliente. Quando já era Manager e tinha as suas próprias equipas, apercebeu-se de que estava a fazer “muito mais do mesmo”. “Precisava de adrenalina”, sublinha. Aceitou, então, um convite do Banco Itaú para liderar a implementação das normas internacionais de relato financeiro, um cargo que a levou a trabalhar com clientes espalhados um pouco por toda a Europa, Médio Oriente, Ásia e Brasil.

Foi nesse período, ainda dentro do setor bancário, que fundou a sua primeira empresa. “Não foi uma coisa premeditada”, admite.

A conversa de café que se tornou numa plataforma: Vanytime

 Em finais de 2017, Filipa estava à conversa com uma amiga sobre um problema banal, mas familiar, para quem trabalha em cargos de alta responsabilidade: a falta de tempo para cuidados pessoais de qualidade. Com horários imprevisíveis e reuniões em diferentes fusos horários, pouco era o espaço na agenda que Filipa conseguia arranjar para “pintar as unhas e cortar o cabelo”, reflete. “A última coisa que me apetecia era perder uma tarde inteira de sábado num centro comercial ou a correr de um lado para o outro”, explica. A alternativa, durante a semana, também não funcionava. Ou eram horas tardias em que já ninguém atendia, ou eram pausas de almoço a correr.

Foi nesse contexto, “literalmente uma conversa de café”, como faz questão de sublinhar, que surgiu a ideia de criar uma plataforma para ligar profissionais de beleza e bem-estar diretamente a clientes em casa, a Vanytime. “Ambas percebemos que preferíamos pagar mais por certos serviços, por questões de comodidade e tempo. Não foi propriamente inventar a roda. De um lado, temos os profissionais, do outro, os clientes, e a plataforma faz a ligação entre ambos”, explica. Decidiram avançar quase por brincadeira, conta Filipa à FORBES, e passaram tardes a rir-se, a montar o site, e a fazer entrevistas aos candidatos no hotel Sheraton, perto de onde trabalhavam. Quando começaram a divulgar a Vanytime aos seus amigos e contactos próximos, e visto que ambas trabalhavam diretamente com vários administradores de bancos e de grandes empresas, depararam-se com o inesperado. Os interessados nos serviços queriam usar a plataforma, mas não apenas para uso pessoal. Rapidamente surgiram vários pedidos para implementar a Vanytime nas empresas destes últimos e, em pouco mais de três ou quatro meses, a plataforma tinha mais de seis mil clientes. “Começámos logo a operar em dimensões enormes”, diz Filipa. Dimensões para as quais, assume, “não estávamos preparadas. Era como construir uma casa sem alicerces, continua, acrescentando que ela e a sócia decidiram, na altura, demitir-se dos respetivos empregos e trabalhar full-time na Vanytime.

Em pouco mais de três ou quatro meses, a plataforma tinha mais de seis mil clientes.

A pandemia, num período em que tantas empresas travaram, foi para a Vanytime, paradoxalmente, uma oportunidade. Serviu de pretexto para uma reestruturação profunda na empresa, que já contava com dois anos. Abandonaram os domicílios (muito trabalho para margens demasiado estreitas num mercado onde, diz, “todos discutem por mais ou menos um euro”) e reposicionaram-se em dois segmentos onde “o valor é reconhecido”, nomeadamente hotéis de luxo e empresas. Hoje, os profissionais da Vanytime já trabalharam com primeiros-ministros internacionais e atores de renome que passam por Portugal, prestando um serviço que Filipa descreve como “room service de beleza e bem-estar”, tanto nos estabelecimentos de primeira como nas empresas que compõem a sua carteira corporate. Num só ano, a empresa chega a trabalhar com mais de 500 freelancers.

A par destes dois segmentos, a empresa criou um terceiro pilar, este já com vida própria fora do dia a dia operacional, o Lifestyle Festival. Em setembro, na Piscina de Oeiras, em parceria com a Marina de Oeiras e a Oeiras Viva, realiza-se o evento que Filipa descreve como o que “gera mais buzz” à volta da Vanytime, um festival exclusivo para 500 convidados, que reúne todas as marcas e parceiros que trabalham com a empresa ao longo do ano. “Se eu quisesse vender cinco mil bilhetes, garanto que os vendia numa semana”, diz, sem falsa modéstia.

O Lifestyle Festival já está marcado para o dia 17 de setembro de 2026.

Um clube que ganhou vida própria, acidentalmente: o Clube do Empreendedor

Em dezembro de 2024, Filipa estava soterrada de pedidos. Empresários e conhecidos ligavam e mandavam mensagens a pedir-lhe contactos, apresentações e intermediações. Como estava com “pouca paciência” (palavras suas), e estava na agitada época de Natal, tomou uma decisão expedita: criou um grupo de WhatsApp, “meteu lá toda a gente” (palavras minhas) que andava a pedir-lhe contactos e deixou-os a falar entre si. “O grupo foi criado num dia, às nove da noite, e adicionei pouco mais de 20 pessoas à conversa. No dia seguinte, de manhã, tinha duzentas e oitenta e tal pessoas no grupo!”, realça. “Se calhar isto é um negócio”, pensou Filipa, assim que viu os novos números.

Entretanto, fechou o grupo, passou janeiro e fevereiro a estruturar um modelo de negócios e criou o Clube do Empreendedor. Hoje tem quase 500 membros, patrocínios de marcas como a Super Bock, a Kaffa Cafés, SheerMe e a Moto Lusa, e uma curadoria interna e externa que é, talvez, a sua mais importante qualidade – ninguém entra “através de um formulário preenchido na internet”, explica. Os membros são propostos por outros membros, há um número máximo por setor para garantir equilíbrio na plataforma, e o critério não é financeiro (“os valores das mensalidades nem são grandes”) mas qualitativo, indica.

Em 2025, o primeiro ano de vida do clube, Filipa organizou dois eventos sob o nome Golden Hour Network, um em Cascais, para 200 pessoas, e outro em Oeiras, para 500, mas que contou com 617 presenças. Em abril deste ano o evento foi em Felgueiras, onde Filipa cresceu. Estavam previstos 200 convidados, apareceram 273. “Ninguém acreditava que viessem 200 pessoas para o meio do Norte”, admite. No entanto, tornou-se óbvio que o interesse nos eventos não pára de crescer. O objetivo são quatro eventos por ano, sendo que a grande festa de verão se funde com o Lifestyle Festival da Vanytime, em setembro.

O Clube do Empreendedor visa organizar quatro eventos de networking por ano, designados os Golden Hour Network, sendo que a grande festa de verão se funde com o Lifestyle Festival da Vanytime, em setembro.

A ideia destes encontros nasceu da convicção de Filipa de que o networking, na sua forma mais valiosa, continua a ser “cara a cara”. “A pandemia trouxe-nos muito a necessidade do contacto humano”, defende. “Usamos muito a inteligência artificial, mas, por mais incrível que pareça, cada vez queremos mais o contacto humano”. É essa carência, argumenta, que os eventos Golden Hour Network procuram colmatar. O formato é deliberadamente descomplicado, “trata-se de um cocktail descontraído, durante um bom sunset”, descreve Filipa. Sem palestras, sem traje formal, com comida, bebida e boas conversas. “Quando se leva as coisas na descontração, parece que tudo flui”, garante. Mas a leveza, faz questão de frisar, não é improvisação ou falta de exigência. Filipa argumenta que existe em Portugal a perceção de que o rigor é sinónimo de seriedade e que “leveza” é vista como “ser uma cabeça no ar”. “A leveza não é falta de rigor”, contrapõe. É, segundo a mesma, uma estratégia deliberada para criar o tipo de ambiente onde os negócios efetivamente acontecem.

“A leveza não é falta de rigor”. É uma estratégia deliberada para criar o tipo de ambiente onde os negócios efetivamente acontecem.

Para além dos eventos, o clube está a desenvolver uma plataforma digital, e futuramente uma aplicação, que irá funcionar como um sistema de matching exclusivo entre os seus membros. A lógica é simples, os empresários podem apresentar ativos para venda, manifestar interesse em investir noutras áreas ou procurar parceiros para projetos específicos. “Por exemplo, há membros que têm um ativo muito específico para vender, ou que precisam de um especialista numa determinada área”, exemplifica. Quando a operação exige confidencialidade, é a própria Filipa quem faz a mediação, sugerindo apenas os membros mais adequados ao perfil do negócio.

Assim como descomplica os modelos de negócio, Filipa também descomplica o networking. “Digo sempre que o que interessa não é saber, é ter o telefone de quem sabe”, garante.

“Digo sempre que o que interessa não é saber, é ter o telefone de quem sabe”

O vinho com glitter e a aposta na inclusão: Cool e As Cores da Inclusão

Entre a Vanytime e o Clube do Empreendedor, Filipa encontrou espaço para mais dois projetos. O primeiro é o de uma bebida, chamada Cool, que tem como base vinho aromatizado com frutas naturais (limão, maracujá, coco, ananás, entre outras), ligeiramente gaseificada e com glitter. Cada combinação de frutas corresponde a uma cor diferente. “Não é para apreciadores de vinho porque a partir do momento em que se mete fruta no vinho, passa a ser um cocktail”, diz Filipa. É, nas suas palavras, um projeto “muito lifestyle”. Lançado em 2022, o Cool está agora a expandir a sua presença em Portugal e a explorar uma nova linha de negócio, a criação de marcas próprias para empresas que pretendam, por exemplo, oferecer o produto aos seus colaboradores ou ter garrafas personalizadas nos seus eventos.

O segundo projeto, As Cores da Inclusão, nasceu no verão de 2024, dentro da Vanytime, de modo orgânico. A Vanytime já contava com várias embaixadoras de marca quando, entre as candidaturas para o cargo, surgiu a de uma jovem com trissomia 21. “Era super despachada”, conta Filipa. A jovem integrou a equipa, revelou-se “super dinâmica e hiper esforçada”, e numa conversa entre a mesma, a sua mãe e Filipa, contou ter o sonho de fazer um curso de maquilhadora. O problema era estrutural, uma vez que os cursos tradicionais não contemplam ritmos de aprendizagem distintos. Filipa pôs mãos à obra e decidiu criar o curso.

Entre a Vanytime e o Clube do Empreendedor, Filipa encontrou espaço para mais dois projetos. Um vinho com glitter, chamado Cool, e As Cores da Inclusão, um projeto que oferece cursos de formação a jovens com trissomia 21, capacitando-as para prestar serviços de beleza a empresas.

Em parceria com a Pantene e a SheerMe durante o verão, instalaram um salão temporário em Belém, à frente do rio, e colocaram uma formadora a trabalhar exclusivamente com um grupo de jovens com trissomia 21, ao longo de toda a época. Enquanto aprendiam, as jovens prestavam serviços gratuitos ao público geral. O que era suposto ser um simples pop-up acabou por gerar uma cobertura mediática inesperada, na televisão e imprensa, e a procura que não parava. “As pessoas, no início, iam muito reticentes. Mas saíam de lá completamente derretidas. E depois traziam a prima, a tia, a amiga, a avó”.

Foto: Pilar Almeida

O projeto tornou-se independente, com identidade e patrocínios próprios. Algumas das primeiras formandas são hoje formadoras de outras jovens. A par disso, os serviços do projeto As Cores da Inclusão começaram a ser contratados por empresas (entre as quais o McDonald’s, a Nestlé, a KPMG e a Ernst & Young) e por várias câmaras municipais, de modo a proporcionar massagens, maquilhagem e outros tratamentos a colaboradores e populações locais. As jovens têm agora um novo projeto em mãos, a criação de um rótulo personalizado para o vinho Cool, que vendem nos eventos da Vanytime e do Clube do Empreendedor. “As áreas em que trabalho parecem completamente diferentes, mas vão-se encaixando umas nas outras”, observa.

“As áreas em que trabalho parecem completamente diferentes, mas vão-se encaixando umas nas outras”

O método Filipa: criar, simplificar, delegar

Filipa Soares define-se hoje como uma “empreendedora em série”, e a designação não é apenas formal. O que verdadeiramente a entusiasma é criar empresas novas, identificar oportunidades e montar estruturas. A gestão de equipas, reconhece, é uma especialidade em si mesma, e tem feito questão de rodear-se de quem a domina melhor do que ela. “Não sou gestora, sou empreendedora”, sintetiza.

Quando questionada sobre qual considera ser a sua principal vantagem competitiva, responde sem hesitar. Não é técnica, é relacional. “Mais do que delegar, é a capacidade de ir buscar e de juntar as pessoas certas”, justifica. A pessoa certa para gerir o vinho Cool foi encontrada dentro da sua própria rede. A responsável pela As Cores da Inclusão é mãe de uma das jovens formandas e tem uma vida de experiência a trabalhar nessa área. O que Filipa traz aos seus negócios não é conhecimento setorial puro e duro. É instinto para o matching certo.

Quanto à narrativa do empreendedorismo, que várias vezes tende a romantizar o risco ou a desconsiderar o seu custo pessoal, Filipa diz não cair em nenhum dos dois extremos. Já fechou empresas no passado, algumas que estavam a correr bem. Não perdeu o sono. “Já fechei empresas, faz parte da minha vida. Nasces outra vez, constróis-te novo”, resume. Esta leveza não é apenas postura, é a consequência lógica de um exercício mental que a própria chama o “teste do worst case scenario”. Quando surge um problema que parece gigante, a pergunta que faz a si mesma é sempre a mesma. Qual é a pior coisa que pode acontecer? “No limite, fechar a empresa”, diz. “Quando estou focada num problema, no momento em que percebo que não vai acontecer o pior, começo logo a trabalhar para o melhor cenário”.

“Já fechei empresas, faz parte da minha vida. Nasces outra vez, constróis-te novo”

Esta postura colide, no entanto, com uma cultura portuguesa que, segundo a empreendedora, ainda penaliza quem falha ou, mais precisamente, quem terceiros julgam ter “falhado” só por fechar empresas. Sobretudo no Norte (de onde é, apesar de viver em Lisboa), “fechar uma empresa muitas vezes é sinónimo de derrota pessoal”, acrescenta. “É um país tão pequenino que é provável que uma vizinha vá dizer à nossa mãe ‘coitadinha, fechou o negócio’”, conta a título de exemplo.

O paralelo que traça é com Silicon Valley, nos Estados Unidos, onde diz que é absolutamente normal um empreendedor ter fechado duas ou três empresas, e que é “praticamente um requisito de experiência”, partilha. “Lembro-me ter tido uma conversa com um empresário norte-americano, de sucesso, que me explicou que tê-lo feito é visto como ponto positivo no que toca à demonstração de experiência no meio”.

 O preço, e a vantagem, de ser mulher

O tema do género ocupa um lugar próprio na conversa com Filipa, e ela aborda-o sem rodeios. Sentiu, sim, a necessidade de “projetar autoridade” de forma diferente por ser mulher, sobretudo quando fundou a Vanytime. A área da estética, observa, tende a ser vista como futilidade, e isso, por vezes, traduzia-se em interlocutores que se lhe dirigiam “muito devagarinho”, como se ela não estivesse à altura da conversa. “As pessoas achavam-me tontinha”, partilha. A reação que cultivou era calculada, com uma pitada de humor. “Se me acham tonta, então faço de tonta”, atira, com um sorriso no canto da boca. Saía depois dos almoços e jantares de negócios “a vender o triplo do que tinha pensado vender”. A surpresa, garante, vinha na fatura.

A lição que tirou desses episódios tornou-se uma das suas máximas. “Nunca subestimes o teu adversário”, repete, como mantra. Quem a subestimava estava, sem o saber, a ceder-lhe vantagem negocial dupla. Por um lado, Filipa conhece o seu próprio valor; por outro, percebe que o outro lado o desvaloriza. Para quem gosta de teoria de jogos, é uma das poucas situações em que uma das partes detém informação assimétrica a seu favor. “Quem começa a partir desse princípio, por norma, está a partir de uma base mais fraca na negociação. Informação é poder”, salienta, mencionando o princípio canónico de Sun Tzu. A capacidade de manter a postura tranquila, herdada da escola americana da KPMG, onde tratava todos por “tu” e cultivava uma informalidade aberta no trato, é-lhe útil. “Mas à vontade não é à vontadinha”, assegura. “Não se deve confundir simpatia com permissividade”.

“Nunca subestimes o teu adversário”, repete, como mantra.

Há ainda uma camada cultural mais profunda que Filipa identifica, e que considera mais limitadora do que a falta de autoridade percebida. Reconhece que, em vinte anos, muito mudou em Portugal, mas observa que persistem padrões duplos. “Uma mulher emocional é considerada histérica, mas um homem emocional é autoritário”, afirma. E a isso soma-se outro preconceito que considera tão limitador quanto absurdo. Há, sugere, uma espécie de triângulo impossível imposto às mulheres bem-sucedidas, em que ser bonita, inteligente e ter sucesso ao mesmo tempo é visto como combinação suspeita. “É considerado positivo ser inteligente e ter sucesso. Mas não se pode ser bonita, também”, detalha. Quando uma mulher reúne os três vértices, observa, há quem prefira inventar justificações, mesmo que pouco abonatórias, em vez de aceitar o que lhe está à frente dos olhos.

A solução que encontrou não passa pela confrontação. Passa por uma forma específica de leveza, que rejeita o silêncio mas dispensa o ruído. Não é a leveza enquanto sinónimo de pouca seriedade (essa, repete-o ao longo da conversa, recusa em absoluto), mas a leveza como disciplina, que consiste em escolher onde gastar energia e onde deixar os factos trabalharem por si. “Gosto dessa coisa de não subestimar o adversário e deixar os resultados falarem por si”, conclui a empreendedora.

Mais Artigos