Como Larry Ellison passou de 2º homem mais rico do mundo para o 8º em apenas dois meses

Larry Ellison caiu esta sexta-feira para o oitavo lugar entre as pessoas mais ricas do mundo, ficando atrás de Jensen Huang, da Nvidia, depois de a sua fortuna ter perdido $6 mil milhões (€5 mil milhões). A descida acontece após vários meses de queda das ações da Oracle, levando o presidente da empresa para longe…
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A queda das ações da Oracle retirou $104 mil milhões da fortuna do empresário desde junho e fez o cofundador da empresa descer seis posições no ranking dos mais ricos do mundo.
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Larry Ellison caiu esta sexta-feira para o oitavo lugar entre as pessoas mais ricas do mundo, ficando atrás de Jensen Huang, da Nvidia, depois de a sua fortuna ter perdido $6 mil milhões (€5 mil milhões). A descida acontece após vários meses de queda das ações da Oracle, levando o presidente da empresa para longe do segundo lugar que ocupava no início de junho.

Ellison tem agora uma fortuna estimada em $192,6 mil milhões (€165 mil milhões), enquanto Jensen Huang surge à sua frente, com $194,4 mil milhões (€167 mil milhões). A diferença representa uma queda de $104 mil milhões (€89 mil milhões) na fortuna de Ellison desde 2 de junho, quando era a segunda pessoa mais rica do mundo.

As ações da Oracle caíram cerca de 54% entre o máximo de pouco mais de $250 atingido a 1 de junho e o mínimo de $114,50 registado a 28 de julho. Desde então recuperaram parcialmente, fechando esta sexta-feira nos $150,52.

A descida surgiu depois de a Oracle ter informado os investidores de que esperava captar $40 mil milhões (€34 mil milhões) através de financiamento por dívida e capital próprio. Ao mesmo tempo, as despesas de capital aumentaram 162%, para $55,7 mil milhões (€48 mil milhões), e deverão ultrapassar os $95 mil milhões (€81 mil milhões) até ao exercício fiscal de 2027.

Jacob Bourne, analista da eMarketer, disse à Reuters que existem preocupações mais abrangentes sobre a forma como a Oracle financiará o aumento das despesas de capital necessário para cumprir as suas projeções de receitas. Analistas do Bank of America também alertaram, numa nota, que mais de 50% das obrigações de desempenho restantes da Oracle estão relacionadas com a OpenAI.

Analistas da Melius Research escreveram no mês passado que os planos de investimento da Oracle poderão não se concretizar caso a OpenAI ou a Anthropic exijam uma capacidade de computação ainda maior.

A S&P Global também baixou o rating de crédito da Oracle em julho, argumentando que o negócio de infraestruturas de inteligência artificial da empresa, que está a crescer rapidamente, poderá revelar-se lucrativo, mas que os custos podem ser demasiado elevados e enfraquecer entretanto a posição financeira da empresa.

€380 mil milhões de perda de valor

A capitalização bolsista da Oracle caiu $443 mil milhões (€380 mil milhões) desde o máximo de $877,1 mil milhões (€754 mil milhões) atingido em setembro. No final desta sexta-feira, a empresa estava avaliada em $433,5 mil milhões (€373 mil milhões).

A Oracle foi inicialmente vista como uma das potenciais grandes vencedoras da expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. Mas o aumento do investimento levou entretanto os investidores a questionar o risco financeiro assumido pela empresa para financiar os seus projetos.

A pressão não é exclusiva da Oracle. Wall Street tem alertado para o facto de algumas das maiores empresas tecnológicas do mundo poderem estar a gastar demasiado para acompanhar o crescimento da procura por produtos de inteligência artificial. A Amazon, por exemplo, espera gastar mais de $200 mil milhões (€172 mil milhões).

A carteira de encomendas da Oracle disparou para $638 mil milhões (€548 mil milhões), mas mais de metade estará associada à OpenAI. Alguns analistas alertam que grande parte desse valor poderá não estar garantida.

Garantia de $40,4 mil milhões para a compra da Warner Bros. Discovery

A queda da fortuna de Ellison ocorre também num momento em que o empresário está ligado a uma das maiores operações do setor dos media.

Em dezembro, Ellison, cujo filho David Ellison é CEO da Paramount Skydance, aceitou prestar uma “garantia pessoal irrevogável” de $40,4 mil milhões (€35 mil milhões) para financiar a oferta de $110 mil milhões (€95 mil milhões) da Paramount pela Warner Bros. Discovery.

A operação foi entretanto adiada para 2027, depois de um processo judicial apresentado por 12 estados norte-americanos ter defendido que a transação resultaria em “preços mais elevados, menor qualidade e menos conteúdo” para cinema e televisão.

Num artigo de opinião publicado este mês no The New York Times, David Ellison argumentou que o escrutínio à operação não está verdadeiramente relacionado com a quota de mercado, mas antes com a questão de saber se pode ser considerado um administrador de confiança da CNN, que passaria para o controlo da Paramount.

O CEO da Paramount afirmou ainda que tem sido alvo de especulação sobre as suas posições políticas e garantiu que votou regularmente em candidatos dos dois principais partidos norte-americanos.

Larry Ellison apoiou a reeleição de Donald Trump em 2024 e estabeleceu entretanto relações próximas com a administração norte-americana. No ano passado, apareceu ao lado de Trump na Casa Branca para anunciar um projeto de infraestruturas de inteligência artificial de milhares de milhões de dólares, no qual a Oracle é um dos principais participantes.

David Ellison terá também recebido Trump e outros membros da administração norte-americana num jantar privado no início deste ano, enquanto a Paramount procurava obter aprovação federal para a operação.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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