Da ficção ao conhecimento: os livros que a Bertrand leva à rentrée literária

A rentrée literária traz consigo novos livros para descobrir e, na Bertrand Editora, os últimos meses de 2026 chegam acompanhados por uma seleção que atravessa diferentes géneros e universos. Entre romances históricos, thrillers, histórias de amor, clássicos revisitados e obras de divulgação científica e histórica, há vários nomes de peso no catálogo da editora. Entre…
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Entre novos romances, grandes nomes da literatura, clássicos reinventados e obras de divulgação, a Bertrand Editora prepara uma rentrée literária com propostas para diferentes leitores e géneros.
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A rentrée literária traz consigo novos livros para descobrir e, na Bertrand Editora, os últimos meses de 2026 chegam acompanhados por uma seleção que atravessa diferentes géneros e universos. Entre romances históricos, thrillers, histórias de amor, clássicos revisitados e obras de divulgação científica e histórica, há vários nomes de peso no catálogo da editora.

Entre as novidades está “Os Diários de Emma M. Lion – Vol. 1”, de Beth Brower, que chega em outubro. A série acompanha uma jovem vitoriana que regressa à sua adorada Casa Lápis-Lazúli, no excêntrico bairro londrino de St. Crispian, depois de três anos ao cuidado de uma prima tão rica quanto detestável.

Prestes a atingir a maioridade, Emma está determinada a recuperar a sua casa e a assumir o controlo da própria vida. Para isso, conta com a perspicácia e a ironia como principais armas, enquanto enfrenta o primo Archibald e a tia Lady Eugenia Spencer, aparentemente empenhados em tornar-lhe a existência impossível. Com um espírito que cruza o charme de Jane Austen com um humor contemporâneo, a série deverá chegar aos 25 volumes. Em outubro sai o primeiro volume e em novembro deve sair o segundo volume.

Em setembro, a Bertrand recupera também “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, romance histórico centrado em Kehinde, uma mulher negra que é sequestrada aos oito anos no Reino do Daomé, atual Benim, e levada para ser escravizada na Bahia.

A narrativa acompanha a sua vida como escravizada, os amores, perdas e viagens em busca de um dos filhos, a conquista da carta de alforria e o regresso a África, onde se torna uma empresária bem-sucedida. A personagem foi inspirada em Luísa Mahin, figura associada à Revolta dos Malês (na cidade de Salvador, na Bahia, Brasil) e apontada como mãe do poeta Luís Gama. Publicado originalmente em 2006, o livro foi distinguido com o Prémio Casa de Las Américas e foi recentemente escolhido por leitores e críticos da Folha de S. Paulo como o melhor livro de literatura brasileira do século XXI.

Outubro traz ainda Danielle Steel com “Águas de Tempestade”, romance que coloca seis pessoas no centro de uma catástrofe. O furacão Ophelia aproxima-se de Nova Iorque e, em poucas horas, a cidade é atingida por cheias que obrigam os protagonistas a lutar pela sobrevivência.

Entre eles estão Ellen, designer de interiores que viaja de Londres para visitar a mãe; Charles, um banqueiro que procura desesperadamente pelas filhas; Juliette, médica num hospital onde os geradores deixam de funcionar; e dois estudantes universitários que ficam presos num edifício ameaçado pela tempestade. Depois do caos, cada personagem terá de enfrentar as consequências de um único dia que irá mudar as suas vidas.

Também em outubro chega “Uma Curta Temporada no Inferno”, de Steven L. Peck, uma proposta que parte de uma ideia tão simples quanto perturbadora: morrer e acordar no Inferno, mas descobrir que este não é um lugar de fogo e sofrimento. É uma biblioteca interminável.

Soren, geólogo, mórmon e homem de família, encontra-se condenado a percorrer essa gigantesca biblioteca, onde existem todas as combinações possíveis de letras e todas as histórias que poderiam alguma vez ser escritas. Para escapar, terá de encontrar o livro que contém a história da sua própria vida. O romance tornou-se um fenómeno viral e propõe uma visão subversiva da eternidade e da existência humana.

No território do thriller, “Mentes Alteradas”, de T.J. Payne, coloca o leitor no interior de uma organização governamental ultrassecreta. Joe supervisiona experiências realizadas em seres humanos, mantidos em condições extremas de privação sensorial. Conhecidos como “Antenas”, estes indivíduos conseguem, através das suas capacidades alteradas, intercetar visões e sentidos de outras pessoas.

O objetivo oficial é localizar ameaças à segurança nacional, mas o processo implica uma forma de tortura. Quando uma das Antenas foge ao controlo e a filha de Joe começa a ter visões aterradoras, o homem vê-se obrigado a confrontar o projeto que ajudou a construir. Os direitos cinematográficos do livro já foram adquiridos pela New Line Cinema e pela BoulderLight Pictures.

O amor surge com “Pessoas Apaixonadas”, de Claire Daverley, também em outubro. Nora aceita casar com Robin, o homem com quem partilha uma relação estável há anos. Mas a festa de noivado traz de volta Bren, o seu amor de juventude, aquele que todos acreditavam que acabaria por ser mais do que um amigo.

Com o regresso de Bren, sentimentos que pareciam enterrados voltam à superfície e Nora começa a questionar as certezas que tinha sobre o amor e sobre o futuro que escolheu.

Grandes nomes do catálogo internacional da Bertrand em novembro

Novembro é marcado por alguns dos grandes nomes do catálogo internacional da Bertrand. Stephen King regressa com “Cujo”, uma das suas obras mais conhecidas, numa história em que uma família se vê arrastada para um pesadelo desencadeado pela transformação de um enorme cão São Bernardo.

Vic e Donna Trenton mudaram-se para Castle Rock com o filho Tad, procurando uma vida mais tranquila. Mas Cujo, antes um cão dócil e leal, é mordido por um morcego numa caverna e transforma-se numa criatura dominada por um instinto assassino. A família fica então no centro de uma luta desesperada pela sobrevivência.

Também em novembro, John Grisham apresenta “A Ilusão Francesa”, um thriller de espionagem que começa com uma lua de mel em Paris. Paul e Chelsea Tanner acabam de casar quando são raptados durante uma viagem pelo interior rural francês. As famílias querem saber quem os levou e porquê, enquanto FBI, CIA e serviços secretos franceses procuram reconstruir o que aconteceu.

Quando Chelsea reaparece, Paul continua desaparecido. A investigação acaba por envolver um jovem advogado recrutado para servir de isco numa operação da CIA.

Capas internacionais destas três obras

Jeffrey Archer, por sua vez, assinala cinco décadas de carreira literária com “Adão e Eva”. A história começa no dia do Armistício de 1918, quando dois bebés nascem com poucas horas de diferença e em mundos completamente distintos: Eve é filha de um conde; Adam, filho de um pastor. A ligação entre os dois atravessa diferenças sociais, preconceitos e duas guerras. Em setembro de 1940, quando Hitler se prepara para invadir as Ilhas Britânicas, as suas decisões irão contribuir para alterar o rumo dos acontecimentos. Um épico sobre amor, coragem e sacrifício que assinala, segundo a editora, “50 anos de vida literária” de Archer.

Entre as propostas mais visuais da rentrée da Bertrand está ainda uma nova edição de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Do Outro Lado do Espelho”, de Lewis Carroll, com ilustrações e elementos interativos criados pelo estúdio MinaLima, responsável durante mais de uma década pelo estilo gráfico dos filmes de Harry Potter.

A edição recupera os dois clássicos de Carroll numa versão de colecionador, combinando o texto original com novas ilustrações e elementos interativos concebidos para leitores de diferentes idades.

Da evolução humana ao universo

A rentrée da Bertrand não se fica pela ficção. Na não-ficção, Paulo Gama Mota propõe em setembro “Estranhamente Humanos – Histórias de Evolução, Biologia e Cultura”, uma obra que procura responder a questões como porque somos tão faladores, porque envelhecemos, como funciona a memória ou porque gostamos de sexo.

A partir da biologia moderna e da teoria da evolução, o autor procura explicar características humanas relacionadas com a anatomia, fisiologia, cognição e comportamento, cruzando biologia e cultura para compreender melhor aquilo que nos torna, simultaneamente, familiares e estranhos.

Em outubro, Francisco Louçã regressa com “Imaginação II – Utopias, Ciências e Vida Quotidiana”, segundo volume da obra dedicada às diferentes formas de imaginar. Depois de explorar, no primeiro volume, temas como a cor, a criação, as viagens e o amor, o autor centra-se agora em três imaginários: as utopias, a ciência e a vida quotidiana.

Antony Beevor apresenta “Rasputin e a Queda dos Romanov”, um retrato histórico do controverso místico russo que conseguiu exercer uma influência extraordinária sobre a família imperial.

A partir de relatórios, entrevistas e interrogatórios inéditos, Beevor procura separar a realidade dos rumores que rodearam Rasputin, explorando a corrupção, o oportunismo, a exploração de mulheres vulneráveis e o ambiente de decadência que marcou os últimos anos dos Romanov. O resultado cruza investigação histórica com elementos de thriller político e mistério gótico.

Entre as obras de divulgação científica está também uma nova edição de “Uma Breve História do Tempo – Do Big Bang aos Buracos Negros”, de Stephen Hawking. Publicado originalmente em 1988, o livro tornou-se uma das mais influentes obras de divulgação científica, levando milhões de leitores a questões como a origem do Universo, a natureza do espaço-tempo, os buracos negros e a possibilidade de unificar as leis fundamentais da Física.

Capa internacional

A Bertrand recupera ainda “Uma Breve História de Portugal”, de Diogo Freitas do Amaral, numa edição revista e condensada que percorre mais de dois mil anos de história, desde a Lusitânia romana até ao Portugal contemporâneo. A obra procura explicar não apenas acontecimentos e protagonistas, mas também os momentos que contribuíram para a formação da identidade nacional.

Por fim, “Hotel Exílio – Paris sob as Nuvens do Fascismo e da Guerra”, de Jane Rogoyska, leva o leitor à Paris de 1938 e ao Hotel Lutetia, então refúgio de artistas, escritores, intelectuais e exilados numa Europa à beira da guerra.

Com a ocupação nazi, o hotel é requisitado pela Abwehr, tornando-se um centro de operações e vigilância. Depois da libertação, recebe deportados que regressam dos campos de concentração. A autora reconstrói assim a história de um espaço que testemunhou tanto o esplendor cultural de Paris como a violência da Segunda Guerra Mundial e o difícil renascimento da Europa. A obra foi finalista do Women’s Prize for Non-Fiction de 2026.

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