Começa hoje uma era dourada dos eclipses solares totais. Sim, vai haver mais nos próximos dois anos

Se perder o eclipse solar total de hoje, não terá de esperar muito por outro. Na quarta-feira, 12 de agosto, a sombra central da Lua atravessará a Gronelândia, a Islândia e Espanha, dando início a um dos períodos mais extraordinários da história moderna para os apaixonados por eclipses. Nos 710 dias seguintes, a Terra será…
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O eclipse solar total de 12 de agosto marca o início de uma sequência rara: nos próximos dois anos, a Terra será palco de três eclipses totais visíveis a partir da Europa, África e Austrália.
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Se perder o eclipse solar total de hoje, não terá de esperar muito por outro. Na quarta-feira, 12 de agosto, a sombra central da Lua atravessará a Gronelândia, a Islândia e Espanha, dando início a um dos períodos mais extraordinários da história moderna para os apaixonados por eclipses.

Nos 710 dias seguintes, a Terra será atravessada por três eclipses solares totais visíveis a partir da Europa, África e Austrália, proporcionando aos viajantes uma oportunidade invulgarmente acessível de assistir a um dos fenómenos mais raros da natureza.

É isso que torna o período entre 2026 e 2028 extraordinário para os chamados eclipse chasers e para qualquer pessoa que alguma vez tenha desejado assistir a um eclipse solar total.

Trilogia dos eclipses

O primeiro fenómeno acontece já hoje, 12 de agosto, quando um eclipse solar total atravessar o leste da Gronelândia, o oeste da Islândia e o norte de Espanha.

Será o primeiro eclipse solar total visível na Europa desde 2015 e o primeiro no território continental europeu desde 1999.

O momento central desta sequência acontecerá a 2 de agosto de 2027, com o chamado “eclipse do século”. A totalidade poderá prolongar-se por 6 minutos e 23 segundos perto de Luxor, no Egito — será o eclipse solar total em terra firme de maior duração entre 1991 e 2114.

A trilogia termina a 22 de julho de 2028, quando a faixa de totalidade atravessar a Austrália e a Nova Zelândia. Sydney terá então o seu primeiro eclipse solar total desde 1857, enquanto a Austrália Ocidental terá mais de cinco minutos de totalidade.

A sequência é particularmente favorável para quem pretende viajar. Em vez de atravessarem sobretudo oceanos remotos, as faixas de totalidade passam por destinos com infraestruturas turísticas consolidadas, incluindo Islândia, Espanha, Marrocos, Tunísia, Egito e Austrália.

Embora sequências semelhantes de três eclipses solares totais se repitam a cada 18 anos, poucas atravessaram tantos destinos acessíveis e com uma relevância cultural tão significativa.

Porque é uma era dourada

A maioria das pessoas considera-se afortunada se conseguir assistir a um único eclipse solar total durante a vida. Entre amanhã e julho de 2028, será possível assistir a três, em três continentes, cada um deles proporcionando um cenário completamente diferente — as paisagens árcticas da Gronelândia e da Islândia, os monumentos do antigo Egito e os desertos e cidades da Austrália.

A ocorrência de três eclipses solares totais num período de aproximadamente dois anos deve-se ao alinhamento, num curto espaço de tempo, de três séries de Saros distintas.

Sequências semelhantes aconteceram entre 1990 e 1992 e novamente entre 2008 e 2010. A próxima só acontecerá em meados da década de 2040.

O trajeto da totalidade do eclipse passa perto da Islândia e sobre a Espanha a 12 de agosto de 2026. Imagem: Michael Zeiler/GreatAmericanEclipse.com

Eclipse solar total de 2026

O eclipse de amanhã é, provavelmente, o acontecimento astronómico mais importante da Europa em mais de um quarto de século.

A faixa de totalidade atravessará o leste da Gronelândia, o oeste da Islândia e o norte de Espanha, proporcionando vistas únicas do Sol eclipsado a baixa altitude sobre paisagens vulcânicas, glaciares e cidades medievais.

Portugal poderá ver o eclipse de hoje numa percentagem de encobrimento que vai de 99,9% em Bragança e 92,8% em Faro.

Embora a duração máxima da totalidade seja de pouco mais de dois minutos, o fenómeno marca o início de uma era extraordinária de eclipses.

Para muitos viajantes europeus, será também a oportunidade mais fácil e acessível de assistir à totalidade durante muitos anos.

No dia 2 de agosto de 2027, o eclipse solar total mais longo visível a partir de terra firme neste século atravessará o sul de Espanha, o Norte de África e o Médio Oriente. Imagem: Michael Zeiler/EclipseAtlas.com

Eclipse solar total de 2027

Menos de um ano depois, acontecerá o fenómeno que muitos eclipse chasers planeiam há anos.

O eclipse de 2 de agosto de 2027 produzirá a maior duração de totalidade em terra firme entre 1991 e 2114, atingindo um máximo de 6 minutos e 23 segundos perto de Luxor, no Egito.

Combinado com a elevada probabilidade de céu limpo em algumas zonas do Norte de África e com uma trajetória que atravessa templos antigos, costas mediterrânicas e o vale do Nilo, é fácil perceber por que razão já é conhecido como o “eclipse do século”.

Poucos eclipses da era moderna terão combinado uma duração tão excecional, condições meteorológicas tão favoráveis e monumentos de importância cultural mundial ao longo da faixa de totalidade.

O trajeto do eclipse solar total de 22 de julho de 2028.
Michael Zeiler/EclipseAtlas.com

Eclipse solar total de 2028

A trilogia termina em grande estilo a 22 de julho de 2028.

A faixa de totalidade atravessará a Austrália Ocidental antes de chegar à Nova Zelândia, com Sydney a assistir ao seu primeiro eclipse solar total em mais de 170 anos.

Zonas remotas do interior australiano terão mais de cinco minutos de totalidade sob alguns dos céus mais límpidos do planeta.

Para os caçadores de eclipses, será o final perfeito para um dos períodos de três anos mais ricos em eclipses solares totais da história recente.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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