Ações de fabricantes de chips caem com avanços da China e alertas sobre a euforia em torno da IA

As ações de alguns dos principais fabricantes de chips para inteligência artificial (IA) caíram acentuadamente na Ásia e nas negociações antes da abertura dos mercados norte-americanos, esta terça-feira. Os investidores reagiram aos avanços anunciados pela chinesa CXMT, um dos principais fabricantes de chips de memória do país, e às declarações de Hock Tan, CEO da…
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As ações de alguns dos principais fabricantes de semicondutores para inteligência artificial registaram quedas acentuadas nos mercados asiáticos, depois de a chinesa CXMT anunciar progressos numa nova arquitetura de chips de memória. O CEO da Broadcom alertou, entretanto, que muitos investidores estão a apostar na IA com expectativas irrealistas, como se estivessem num “casino”.
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As ações de alguns dos principais fabricantes de chips para inteligência artificial (IA) caíram acentuadamente na Ásia e nas negociações antes da abertura dos mercados norte-americanos, esta terça-feira. Os investidores reagiram aos avanços anunciados pela chinesa CXMT, um dos principais fabricantes de chips de memória do país, e às declarações de Hock Tan, CEO da Broadcom, que comparou parte do investimento em IA a uma aposta num “casino”.

As ações da sul-coreana SK Hynix recuaram 10,1% e as da Samsung caíram 7,4%, contribuindo para uma descida superior a 5,4% do índice de referência sul-coreano Kospi.

A onda de vendas estendeu-se a outras empresas asiáticas do setor dos semicondutores. A japonesa Kioxia, fabricante de chips de memória, perdeu cerca de 13,3%, enquanto as ações da taiwanesa TSMC recuaram quase 2%. Também o SoftBank Group, um dos principais investidores da OpenAI, registou uma queda de 8,5%.

Nos Estados Unidos, as ações do setor também negociavam em baixa antes da abertura dos mercados. A Micron, concorrente da Samsung e da SK Hynix, recuava 3,07%, depois de ter perdido quase 3,9% na sessão de segunda-feira. A Nvidia desvalorizava cerca de 0,9%, enquanto a AMD, a Intel e a Broadcom registavam quedas de 1,2%, 0,3% e 1,05%, respetivamente, após perdas mais acentuadas no dia anterior.

Fortunas dos multimilionários também sofrem

A queda das ações asiáticas teve impacto nas fortunas de alguns dos principais empresários da região. Segundo estimativas da Forbes, a desvalorização dos títulos do SoftBank reduziu a fortuna de Masayoshi Son, fundador e multimilionário japonês, em 5,5 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros), para 64,3 mil milhões de dólares (55,4 mil milhões de euros).

Son ficou assim apenas ligeiramente à frente de Tadashi Yanai, CEO da Uniqlo, na lista dos bilionários em tempo real da Forbes, mantendo por uma margem reduzida o título de pessoa mais rica do Japão e a quarta maior fortuna da Ásia.

Também Jay Y. Lee, presidente executivo da Samsung, viu a sua fortuna estimada diminuir em 2,8 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros), para 29,4 mil milhões de dólares (25,3 mil milhões de euros). Apesar da queda, continua a ser a pessoa mais rica da Coreia do Sul.

CEO da Broadcom compara investimento em IA a um “casino”

A turbulência nos mercados surge também num contexto de crescente escrutínio sobre as expectativas em torno da inteligência artificial e das empresas que desenvolvem a infraestrutura necessária para a sua expansão.

Na segunda-feira, durante um evento em Singapura, Hock Tan, CEO da Broadcom, criticou os investidores que, na sua perspetiva, apostam no setor sem compreenderem devidamente a tecnologia ou os desafios associados ao seu desenvolvimento: “Muitos não fazem ideia daquilo em que estão a investir”, afirmou o responsável, alertando para as expectativas extremas que estão a ser criadas em torno da IA. Hock Tan comparou a situação a um “casino”, onde os investidores entram com expectativas irrealistas e acabam por descobrir que o investimento não corresponde ao que antecipavam.

As declarações refletem as preocupações com a possibilidade de as avaliações de algumas empresas ligadas à IA terem incorporado perspetivas de crescimento demasiado otimistas, numa altura em que os fabricantes de chips continuam a beneficiar da procura associada à expansão desta tecnologia.

CXMT anuncia avanços numa nova arquitetura de memória

Um dos fatores que pressionou as ações do setor foi o anúncio feito na segunda-feira pela chinesa CXMT, que revelou ter alcançado “progressos importantes” numa nova arquitetura de chips de memória RAM.

De acordo com a TrendForce, o novo desenho poderá permitir ao fabricante aumentar a densidade de memória entre 30% e 50% na mesma área física do chip. Se concretizada, esta melhoria poderá reforçar a capacidade competitiva da empresa face a fabricantes estabelecidos como a Samsung Electronics, a SK Hynix e a Micron.

O anúncio surge num momento em que a China procura desenvolver as suas capacidades de produção de semicondutores e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, num setor estratégico para a inteligência artificial e outras tecnologias avançadas.

A evolução da CXMT suscitou também uma reação de Elon Musk. Na segunda-feira, o multimilionário publicou uma mensagem na rede social X em que destacou a capacidade industrial chinesa para aumentar rapidamente a produção quando domina o fabrico de determinado produto: “Quando a China percebe como fabricar um produto, a sua capacidade de aumentar a escala é frequentemente superior à do resto do mundo combinado”, escreveu Musk, dando como exemplos as baterias de lítio e os painéis solares.

Os avanços anunciados pela CXMT e os alertas sobre as expectativas dos investidores acrescentam, assim, novos fatores de incerteza a um setor central para o desenvolvimento da inteligência artificial, no qual a procura por capacidade de computação continua a alimentar grandes apostas financeiras e tecnológicas.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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