A ilha púrpura de Manuel João Vieira: as notas e paisagens do artistas estão no MAAT

Manuel João Vieira é uma referência da cena cultural e artística portuguesa, com um envolvimento periódico na política, a cada cinco anos, quando há eleições presidenciais e anuncia a sua candidatura. Fundador e vocalista dos “Ena Pá 2000” e dos “Irmãos Catita”, Manuel João Vieira estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo…
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O MAAT abre ao público esta quarta-feira uma mostra de trabalhos de Manuel João Vieira. São mais de 50 obras, entre pintura, desenho e escultura, que nos levam a um onírico mundo que mistura referências da arte, literatura, história e mitologia.
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Manuel João Vieira é uma referência da cena cultural e artística portuguesa, com um envolvimento periódico na política, a cada cinco anos, quando há eleições presidenciais e anuncia a sua candidatura.

Fundador e vocalista dos “Ena Pá 2000” e dos “Irmãos Catita”, Manuel João Vieira estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo também uma vertente ligada às artes plásticas e pintura.

É a faceta de Manuel João Vieira como pintor que levou a Fundação EDP a estrear esta quarta-feira, dia 20 de maio, a exposição “Manuel João Vieira – A ilha púrpura: notas e paisagens”, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém, Lisboa.

A “Ilha púrpura: notas e paisagem” reúne no MAAT Gallery cerca de 50 obras de Manuel João Vieira: pintura – nomeadamente algumas telas de grande dimensão –, desenho e um núcleo de escultura. As obras datam entre a década de 80 do século XX até à atualidade, com várias pinturas e desenho feito já este ano, e um conjunto de esculturas satíricas.

As obras de Manuel João Vieira estão presentes em coleções como a Coleção Elídio Pinho, Fundação de Serralves, Coleção de Arte Fundação EDP, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, entre outras.

A exposição tem curadoria de João Pinharanda que explica, em comunicado, que as obras de Manuel João Vieira “revelam uma clara vocação figurativa através da qual se desenvolvem narrativas”: “As suas telas surgem povoadas de figuras, símbolos e soluções de composição que usam a cultura greco-romana e citam os últimos séculos da história da pintura ocidental (maneirismo, barroco e rococó, romantismo e simbolismo, pintura metafísica ou surrealismo) até se encontrarem com a vocação eclética que o chamado ‘regresso à pintura’ definiu como uma das linhas mais significativas da sua geração”.

Vista da exposição Manuel João Vieira – A ilha púrpura: notas e paisagens. MAAT, 2026. Foto: Bruno Lopes

Ainda de acordo com a curadoria da exposição, “a sua obra é provocadora na técnica, nas cores, na mistura dos tempos formais, na densa figuração e seres bizarros, nas narrativas que sugere, nas composições inesperadas. A água surge como elemento unificador da maioria das obras (navios, marinheiros, sereias, riachos, lagos e mares), ocupando planos importantes em cada imagem, sustentando ou preenchendo espaços de ligação entre as cenas”.

“Manuel João Vieira – A ilha púrpura: notas e paisagens” abre ao público de 20 de maio a 7 de setembro, no MAAT.

Ainda no comunicado em que é apresentada a exposição, é referido que as obras que estão patentes “surgem como pinturas palacianas, murais e decorativas, sugerindo elementos de cenografias e perspetivas teatrais”, como “metáforas dos tantos papéis que o próprio artista representa, vindo também à boca de cena como performer musical e como político que entende ‘todo o mundo como um palco’ para o comentar desmontando os seus sistemas discursivos”, salienta João Pinharanda.

Vista da exposição Manuel João Vieira – A ilha púrpura: notas e paisagens. MAAT, 2026. Foto: Bruno Lopes

Com um “peculiar estilo de intervenção”, sublinha o curador, a obra de Manuel João Vieira é “muitas vezes humorística e paródica, outras enigmática nas relações que estabelece, que exige de quem a interprete vastos conhecimentos de arte, literatura, história e mitologia”.

“Manuel João Vieira – A ilha púrpura: notas e paisagens” estará exposta no MAAT até 07 de setembro próximo. Existem “visitas flash”, gratuitas, de 30 minutos, na última meia-hora em que o museu está aberto. Todos os dias, às 18 h, exceto terça-feira em que o MAAT está encerrado.

 

 

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