“A história da tecnologia mostra-nos que funcionalidades inicialmente disponíveis apenas nos segmentos premium acabam por se tornar acessíveis”

Como descreve o momento atual da indústria dos videojogos? A indústria dos videojogos atravessa uma fase de enorme maturidade e relevância cultural. O gaming é hoje uma das maiores formas de entretenimento a nível global e continua a atrair públicos cada vez mais diversificados. Em Portugal, isso é visível não apenas em eventos como a…
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Numa altura em que o mercado dos videojogos apresenta algumas mudanças, como o desaparecimento dos jogos físicos ou o aumento dos preços em vários produtos, a Forbes Portugal falou com Renato Graça, diretor de marketing da HP, sobre o momento atual e algumas das tendências que marcarão o futuro.
Tecnologia

Como descreve o momento atual da indústria dos videojogos?
A indústria dos videojogos atravessa uma fase de enorme maturidade e relevância cultural. O gaming é hoje uma das maiores formas de entretenimento a nível global e continua a atrair públicos cada vez mais diversificados. Em Portugal, isso é visível não apenas em eventos como a Lisboa Games Week, mas também na crescente relevância das comunidades online, dos criadores de conteúdos e da forma como os videojogos fazem parte do dia a dia de diferentes gerações. Já não estamos perante um mercado de nicho, mas sim perante um fenómeno transversal.

Quais são as maiores oportunidades e desafios que identifica?
A maior oportunidade está na capacidade de chegar a novos públicos e tornar as experiências mais inclusivas, personalizadas e relevantes para diferentes perfis de utilizador. O principal desafio passa por acompanhar a velocidade da evolução tecnológica, mantendo simultaneamente o equilíbrio entre inovação, acessibilidade e sustentabilidade. O mercado cresce quando consegue atrair novos utilizadores sem perder de vista aqueles que já fazem parte da comunidade gaming há muitos anos.

Que tendências estão hoje a influenciar mais o desenvolvimento de hardware para gaming?
Estamos a assistir a uma procura crescente por dispositivos mais versáteis, capazes de responder a diferentes necessidades ao longo do dia. Além do desempenho gráfico, vemos uma maior importância da eficiência energética, da personalização, da mobilidade e da integração de funcionalidades inteligentes que ajudam a otimizar a experiência de utilização. Os consumidores valorizam cada vez mais equipamentos que combinam potência com flexibilidade.

De que forma a HP tem adaptado a sua estratégia para responder às novas exigências dos jogadores?
Na HP temos procurado olhar para o utilizador de uma forma mais abrangente. Hoje, muitas pessoas utilizam o mesmo equipamento para trabalhar, estudar, criar conteúdos e jogar. Através das marcas OMEN e HyperX, procuramos desenvolver experiências que acompanhem esta realidade, combinando desempenho, conforto, personalização e fiabilidade. O objetivo não é apenas responder ao momento de jogo, mas oferecer tecnologia que acompanhe os diferentes momentos da vida digital dos utilizadores.

Renato Graça, Marketing Manager da HP.

Os consumidores procuram atualmente mais desempenho, mobilidade ou relação qualidade-preço? 
Diria que procuram equilíbrio. O desempenho continua a ser importante, mas os consumidores estão mais informados e fazem escolhas mais conscientes. Existe uma procura crescente por equipamentos que ofereçam uma proposta de valor sólida, capaz de responder às necessidades atuais e acompanhar a evolução futura das utilizações. Isto é particularmente visível entre estudantes universitários e jovens profissionais. Muitos procuram um único equipamento capaz de acompanhar todo o dia: estudar, participar em aulas ou reuniões online, desenvolver projetos criativos, criar conteúdos e, naturalmente, jogar. Hoje, a escolha já não é apenas sobre especificações técnicas, mas sobre a capacidade de um dispositivo responder a diferentes momentos da vida digital.

Que impacto tem tido a inteligência artificial no desenvolvimento dos vossos produtos e na experiência de jogo?
A inteligência artificial está a transformar a forma como os dispositivos gerem recursos, otimizam desempenho e se adaptam ao comportamento dos utilizadores. Mais do que uma funcionalidade isolada, a IA está a tornar-se uma camada transversal que melhora a experiência global, simplificando tarefas, ajustando automaticamente o sistema às necessidades de cada momento e permitindo que as pessoas se concentrem mais naquilo que querem fazer.

Os esports e a criação de conteúdos continuam a impulsionar o mercado ou começam a surgir novos perfis de utilizadores?
Os esports e os criadores de conteúdos continuam a ser extremamente relevantes e a desempenhar um papel importante na evolução do mercado. No entanto, já não são os únicos motores de crescimento. Hoje vemos uma geração de utilizadores muito mais híbrida, que alterna naturalmente entre gaming, criação de conteúdos, aprendizagem, colaboração e entretenimento. São pessoas que jogam, produzem vídeos, participam em comunidades online, fazem streaming ou exploram novas ferramentas criativas, muitas vezes a partir do mesmo dispositivo.

Em Portugal, continuamos a acreditar na importância de apoiar este ecossistema e contribuir para o seu crescimento. Ao longo dos últimos anos, a HP tem estado presente através de patrocínios e parcerias com equipas como os SAW, iniciativas ligadas aos esports da Federação Portuguesa de Futebol e do Sporting CP, competições como o HyperX Retake e colaborações regulares com alguns dos principais criadores de conteúdos nacionais, incluindo Movemind, Wuant e Nuno Agonia. Mais do que apoiar o gaming competitivo, estas iniciativas permitem-nos estar próximos das comunidades, compreender a evolução dos hábitos digitais e acompanhar a forma como as novas gerações utilizam a tecnologia para jogar, criar, aprender e expressar a sua criatividade.

No fundo, refletem uma realidade cada vez mais evidente: a tecnologia já não serve apenas para trabalhar ou apenas para jogar. Faz parte de uma experiência integrada onde produtividade, criatividade e entretenimento coexistem de forma natural.

Como equilibram inovação, desempenho e sustentabilidade no desenvolvimento de novos produtos?
Acreditamos que a inovação deve criar valor a longo prazo. Isso significa desenvolver equipamentos mais eficientes, duradouros e concebidos para responder às expectativas dos utilizadores sem comprometer os objetivos de sustentabilidade. O desafio passa por integrar estes princípios desde o início do processo de desenvolvimento e não como uma etapa adicional.

Olhando para os próximos cinco anos, como imagina que será a experiência de jogar e que papel pretende a HP ter nessa evolução?
Penso que veremos experiências mais inteligentes, mais personalizadas e mais intuitivas. A fronteira entre trabalhar, criar e jogar será cada vez menos relevante. As pessoas esperam dispositivos capazes de acompanhar diferentes momentos do seu dia, adaptando-se de forma transparente às suas necessidades. A inteligência artificial terá um papel importante nessa evolução, ajudando a criar experiências mais simples, eficientes e relevantes. Na HP acreditamos que o futuro passa por desenvolver tecnologia que permita às pessoas transitar naturalmente entre produtividade, criatividade e entretenimento. O nosso papel será continuar a criar experiências que potenciem aquilo que as pessoas querem alcançar, independentemente do contexto em que se encontram.

Nos últimos anos assistimos a um aumento dos preços dos jogos e do hardware gaming. Quais são os principais fatores que explicam esta tendência?
Existem vários fatores, desde o aumento da complexidade tecnológica dos componentes até aos custos de desenvolvimento, produção e logística. Ao mesmo tempo, os consumidores exigem níveis de desempenho, qualidade gráfica e funcionalidades cada vez mais avançados, o que obriga a investimentos contínuos em inovação.

É uma realidade que tem impactado toda a indústria tecnológica e não apenas o setor gaming.

Existe o risco de o gaming se tornar menos acessível para novos consumidores? Como pode a indústria responder a esse desafio?
É uma preocupação legítima. A indústria tem a responsabilidade de continuar a criar opções para diferentes perfis e níveis de investimento. A diversidade de produtos, a inovação em segmentos mais acessíveis e a democratização gradual de novas tecnologias serão fundamentais para garantir que o gaming permanece aberto a uma comunidade ampla e diversificada.

Como consegue a HP equilibrar inovação e desempenho sem afastar os consumidores devido ao preço?
Através de um portefólio pensado para diferentes necessidades e momentos de utilização. Nem todos os utilizadores procuram a mesma experiência e é importante oferecer opções equilibradas em vários segmentos. O objetivo passa por garantir que as inovações mais relevantes chegam progressivamente a uma base alargada de consumidores, permitindo que mais pessoas beneficiem da evolução tecnológica.

Acredita que os preços do hardware gaming vão estabilizar nos próximos anos ou devemos esperar novos aumentos?
É difícil prever a evolução do mercado com total precisão, especialmente num contexto global marcado por múltiplos fatores económicos e tecnológicos. No entanto, a história da tecnologia mostra-nos que muitas das funcionalidades inicialmente disponíveis apenas nos segmentos premium acabam por se tornar mais acessíveis ao longo do tempo. Por isso, acredito que veremos continuar esta dinâmica: inovação de ponta nos segmentos mais avançados, acompanhada por uma disseminação gradual dessas capacidades para gamas mais acessíveis, beneficiando um número cada vez maior de utilizadores.

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