Patrick Stewart (1940-2026): As lições de liderança que o ator partilhou com a Forbes

Patrick Stewart morreu esta quarta-feira, 28 de outubro, na sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos. A notícia foi anunciada pela família no dia seguinte, através de uma publicação nas redes sociais do ator. Segundo o comunicado, o ator morreu na companhia da mulher, a cantora e compositora Sunny Ozell, e de familiares e…
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O ator britânico Patrick Stewart, conhecido pelos papéis de Capitão Jean-Luc Picard, na saga Star Trek, e Professor Charles Xavier, nos filmes X-Men, morreu aos 86 anos. Em abril de 2022, num artigo publicado pela Forbes norte-americana, que recuperamos, o ator partilhou uma reflexão sobre coragem, risco e autoconfiança que ultrapassa o universo da representação e deixa importantes lições para quem exerce funções de liderança.
Líderes

Patrick Stewart morreu esta quarta-feira, 28 de outubro, na sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos. A notícia foi anunciada pela família no dia seguinte, através de uma publicação nas redes sociais do ator. Segundo o comunicado, o ator morreu na companhia da mulher, a cantora e compositora Sunny Ozell, e de familiares e amigos, depois de uma breve e difícil jornada com a doença de Alzheimer e demência com corpos de Lewy.

“Guardaremos para sempre a serenidade e a reflexão estampadas no seu rosto — uma memória perene da sua graça invencível”, escreveu a família na mensagem de despedida.

 

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Uma publicação partilhada por Patrick Stewart (@sirpatstew)

Com uma carreira de mais de seis décadas, Patrick Stewart tornou-se uma das figuras mais reconhecidas do teatro, do cinema e da televisão. Mas, para além das personagens que interpretou, deixou também reflexões sobre a forma como enfrentamos os desafios, tomamos decisões e aprendemos a lidar com o fracasso.

Uma delas foi destacada num artigo publicado pela Forbes a 1 de abril de 2022, intitulado “Patrick Stewart Shares A Lesson In Bravery” (“Patrick Stewart partilha uma lição sobre coragem”). O texto recuperava uma conversa do ator com Sam Briger, no programa Fresh Air, da rádio pública norte-americana NPR, na qual Stewart abordava uma característica que considerava ter desenvolvido com a idade: a coragem para assumir riscos e deixar de ser tão crítico consigo próprio.

“Sou mais corajoso agora do que era quando tinha 35 anos. Não tenho aversão a correr riscos. E não me julgo a mim próprio. Costumava fazê-lo constantemente. ‘Ah, Patrick, isso não está suficientemente bem. Não está suficientemente bem. Podias ter feito aquilo de outra maneira. Podias ter feito melhor’“, explicou o ator. Para Stewart, essa autocrítica permanente acabava por prejudicar a espontaneidade e a capacidade de deixar surgir sentimentos genuínos: “Isso impede que haja espontaneidade e que se transmita um sentimento genuíno. Por isso, agora sou mais corajoso do que era quando era muito mais novo”, concluiu.

A reflexão tinha uma origem curiosa. Quando estava a terminar os dois anos de formação em representação na Bristol Old Vic Theatre School, o jovem Patrick Stewart foi repreendido pelo diretor da escola, que lhe deixou um conselho que viria a recordar décadas mais tarde: “Patrick, nunca alcançarás o sucesso se estiveres sempre a proteger-te do fracasso”.

A frase tornou-se uma espécie de lição para a vida. E, como sublinhava a Forbes em 2022, também uma reflexão pertinente para o mundo empresarial e para quem ocupa posições de liderança.

Não deixa de ser curioso que, a propósito do falecimento de Patrick Stewart, o também ator Ian McKellen, e amigo íntimo de Stewart e seu colega de elenco na série “X-Men”, referiu que o ator “mostrava abertamente os seus sentimentos, o que fazia dele um homem em quem se podia confiar, que se podia admirar e, no meu caso, amar”, numa publicação na sua conta do X.

A coragem de tomar decisões

O artigo da Forbes, escrito pelo ex-colaborador da revista John Baldoni, partia de uma comparação entre a representação e a liderança. Embora possa parecer estranho falar de coragem no trabalho dos atores, cada interpretação implica escolhas. Os melhores profissionais procuram uma ligação pessoal com as personagens e utilizam a sua técnica para lhes dar vida, seja numa produção cinematográfica, televisiva ou numa peça de teatro. É precisamente nessa capacidade de escolher que reside uma das principais lições para os líderes.

A liderança, referia o artigo, é também um ato. Não se trata de representar ou dissimular, mas de procurar a verdade através das palavras e das ações. Tal como os atores, os líderes raramente conseguem alcançar grandes resultados sozinhos: precisam de outras pessoas, de equipas e de colaboradores para concretizar os seus objetivos.

Perante decisões importantes, precisam, por isso, de ter coragem para avançar, mesmo quando enfrentam dúvidas ou incertezas. A hesitação permanente e a tendência para questionar constantemente as próprias decisões podem corroer a autoconfiança e comprometer a capacidade de agir.

Nesse artigo, a partir dos ensinamentos de Patrick Stewart, a Forbes identificava três questões fundamentais que devem orientar a atuação de um líder.

A primeira é o que precisa de ser feito? A resposta deve resultar da leitura da situação e da identificação das necessidades da organização e das pessoas e entidades que dela dependem. É a partir dessa análise que se define a estratégia e aquilo que a empresa deve fazer para responder aos seus diferentes stakeholders.

A segunda questão é como deve ser feito? Aqui, a recomendação é confiar nas pessoas responsáveis pela execução. Os líderes devem definir o rumo, mas precisam de saber dar espaço às equipas para decidirem a melhor forma de concretizar os objetivos. Tentar controlar todos os pormenores da execução é cair na microgestão, limitando a autonomia e a capacidade de iniciativa dos colaboradores.

Por fim, importa perguntar o que fazemos a seguir? A avaliação dos resultados e da forma como foram alcançados deve determinar os passos seguintes. Quando algo corre mal, é necessário rever pressupostos e ajustar a execução. Mas mesmo quando os resultados são positivos, os líderes não devem deixar de avaliar continuamente o que está a ser feito, de modo a garantir que o sucesso se mantém.

A importância de avaliar sem ficar paralisado

Outra das ideias destacadas no artigo de 2022 era a importância da autoavaliação. Analisar as próprias decisões, de preferência com a ajuda de um colega de confiança, pode ser um exercício particularmente enriquecedor para quem lidera.

Há, contudo, um risco, salientava o artigo: transformar essa análise numa espécie de paralisia. A reflexão é necessária, mas não pode impedir a ação. Cabe ao líder tomar decisões, avançar e assumir as respetivas consequências.

Tal como acontece na representação, só o tempo permite perceber se determinada escolha foi a mais acertada. No momento da decisão, porém, é necessário fazer o melhor julgamento possível e ter a coragem de viver com os resultados.

O artigo terminava com uma referência à célebre professora de representação Stella Adler, que dizia que a palavra teatro tem origem grega e significa “o lugar onde se vê”. É o espaço onde as pessoas vão procurar a verdade sobre a vida e a sociedade. Revelar essa verdade exige, muitas vezes, coragem. E, indicava a Forbes, nesse artigo, é precisamente isso que se espera de um líder: que seja capaz de transmitir a verdade, tanto através das palavras como das ações.

Uma lição que Patrick Stewart partilhou a partir da sua experiência enquanto ator, mas que continua a ter aplicação muito para além dos palcos e dos ecrãs.

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