No ano em que celebra 31 anos de investimento em Moçambique, através da participação de 66,69% no Millennium bim, o Millennium bcp reitera a aposta no país, ainda que o desempenho até setembro tenha sido de uma diminuição nos resultados em 31,4% para 16,8 milhões de euros, contra os 25,4 milhões de euros registados nos primeiros nove meses de 2025. Um comportamento condicionado “pela situação financeira verificada no país”, refere o banco.
Apesar deste desempenho, o CEO do Millennium bcp, Miguel Maya, garantiu à Forbes Portugal, à margem da conferência de apresentação dos indicadores financeiros dos primeiros nove meses do ano, que “o Millennium bcp investiu em Moçambique e não considera sair de Moçambique. É um mercado absolutamente estratégico”. Miguel Maya sublinhou ainda que aquele país de língua oficial portuguesa “já teve períodos mais difíceis e menos difíceis. O nosso investimento com Moçambique está, é para ficar e é para desenvolver”.
O gestor destacou ainda que “nós somos um banco local. Ao contrário de alguns bancos que têm sucursais noutros países, nós temos operações para sermos bancos locais. Na Polónia, onde estamos há 28 anos, temos uma participação de 50%, é um banco cotado. Em Moçambique temos 66,69%. A leitura que faço é que em Moçambique já conseguimos estabilizar um período mais tenso e que se está a criar condições para que possa haver uma evolução favorável. Isso é sentido ao nível da economia”.
Questionado pela Forbes Portugal sobre quando espera que este mercado comece a dar melhores frutos, Miguel Maya salientou que, neste momento, “o negócio com clientes está a crescer bem, quer em recursos, quer em crédito”. No entanto, admitiu que “o que está a condicionar [o desempenho] é o impacto ao nível do provisionamento em resultado do rating da dívida soberana”. Mas lembrou que “o trabalho que o Moçambique está a fazer no sentido de melhorar o rating e o eventual acordo com o Fundo Monetário Internacional, tudo isso pode criar uma nova dinâmica positiva. Mas, volto a dizer, estou confiante naquilo que é o futuro Moçambique”.
De acordo com dados divulgados pelo Millennium bcp, no país lusófono Moçambique, “a atividade económica mantém uma trajetória de crescimento gradual. O PIB cresceu 1,7% no segundo trimestre (em termos homólogos), impulsionado pelos setores da agricultura e dos serviços”. Na mesma nota pode ler-se que “o FMI reviu em alta a projeção de crescimento do PIB em 2026 para 1,0%. A taxa de inflação tem vindo a desacelerar, ainda que se mantenha em patamares elevados face a um passado recente (6,3% em setembro 2026).
Resultados positivos apesar da conjuntura
O Millennium bcp apresentou os resultados dos primeiros nove meses do ano, nos quais, o resultado líquido cresceu 12,6% para 873,7 milhões de euros. Deste valor, 727,9 milhões de euros resultam da atividade em Portugal, mais 11,2% face ao período homólogo. O CEO do banco, Miguel Maya, considerou em conferência de imprensa que são resultados “francamente positivos” tendo em conta que foram “nove meses bastante difíceis”. O presidente executivo do banco destacou a “conjuntura excecional”, que obrigou a uma “gestão intensa e próxima” e a coexistência com um nível de incerteza elevado.
Entre os vários indicadores foi divulgado que, até setembro, o crédito a clientes totalizou mais 7,8% para 66.200 milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes evoluíram 7,1% para 116.300 milhões de euros.
As comissões do Millennium bcp somaram 660,4 milhões de euros entre janeiro e setembro, contra os 628,8 milhões de euros registados no período homólogo.
Os custos operacionais ascenderam a 1.087 milhões de euros, um crescimento de 36% face aos primeiros nove meses de 2025.
Numa altura em que o balanço entre a presença física e o digital está na ordem do dia, Miguel Maya foi perentório em defender que o banco que gere não tem no terreno um plano de encerramento de balcões, e garantiu que há uma “relação equilibrada” entre a componente física e o digital. Mas alertou que as sucursais que não tiverem capacidade de atrair clientes e gerar negócio irão fechar portas. Ainda que tenha admitido que nos polos de crescimento urbano poderão avançar com novas aberturas.
Questionado sobre as soluções que o banco poderia apresentar face à crise na habitação, o CEO do BCP salientou que a instituição tem vindo a reforçar a capacidade de analisar projetos imobiliários, incluindo operações que, na sua configuração inicial, possam não reunir condições para aceder ao financiamento.
Miguel Maya admitiu ainda que o banco está a avaliar soluções alternativas, por exemplo, através de cooperativas e de parcerias entre autarquias e empresas privadas. E acrescentou que já estão operações com cooperativas em análise e já com decisões favoráveis de financiamento.
Sobre o plano estratégico 2025-2028, Miguel Maya afirmou que alguns dos principais objetivos já foram atingidos. Por isso, avançou com novas estimativas nalguns indicadores como o volume de negócios previsto para 2028 de 190 mil milhões de euro, cuja fasquia estará agora nos 200 mil milhões de euros.





