O UBS, grupo financeiro suíço, acaba de publicar o seu mais recente estudo relativo ao mercado imobiliário, o UBS Global Real Estate Bubble Index 2026, que revela quais as cidades que apresentam maior risco de bolha imobiliária. Lisboa integrou este ano, pela primeira vez, este índice, entrando na categoria de risco acrescido de bolha imobiliária, a par com Miami, Dubai, Seul e Genebra.
Para realizar este estudo, o UBS analisou os preços da habitação em 23 grandes cidades de todo o mundo, incluindo, pela primeira vez, Lisboa e Seul. Assim, segundo esta análise, Zurique, precisamente a cidade na qual está sediada o banco, é a área urbana que apresenta o maior risco de bolha imobiliária, seguida de Tóquio.
Miami, que apresentou o risco mais elevado nas duas edições anteriores, recuou para a categoria de risco acrescido, juntamente com Lisboa, Dubai, Seul e Genebra. Lisboa e Seul foram as duas cidades, entre as 23, que apresentaram o maior aumento do risco de bolha imobiliária. Segundo o estudo, os preços reais da habitação na capital portuguesa cresceram 7% ao ano na última década, o ritmo mais elevado entre todas as cidades analisadas. Além disso, os preços subiram cerca de 10% desde o início de 2025.
Porém, agora que Lisboa se tornou um dos mercados habitacionais menos acessíveis da Europa, alguns dos principais fatores que sustentaram este crescimento começam a perder força.
Lisboa tornou-se assim um dos mercados residenciais menos acessíveis da Europa, ao mesmo tempo que as rendas deixaram de crescer e a procura se tem vindo a deslocar para zonas mais acessíveis, fora da cidade. As políticas destinadas a atrair capital e residentes estrangeiros contribuíram para a forte expansão do mercado residencial de Lisboa. Porém, agora que Lisboa se tornou um dos mercados habitacionais menos acessíveis da Europa, alguns dos principais fatores que sustentaram este crescimento começam a perder força. O estudo alerta para o facto de que a adoção de políticas de imigração mais seletivas contribuiu para a diminuição da população.
Carlos Santos Lima, UBS Country Head em Portugal, refere, a propósito deste research que “As conclusões deste estudo global revelam que os mercados imobiliários seguem trajetórias cada vez mais distintas, sendo Lisboa um exemplo particularmente relevante desta tendência. Ao longo da última década, a cidade beneficiou significativamente da atração de capital e talento internacionais, que contribuíram para um dos períodos de maior crescimento do mercado residencial entre as cidades analisadas. Comparar a evolução de Lisboa com a de outras grandes cidades oferece uma perspetiva valiosa sobre a transformação do mercado e os fatores que irão moldar a sua próxima fase”.

A nível internacional, o estudo mostra ainda que o risco é moderado em Los Angeles, em Sydney, em Toronto, em Vancouver, em Hong Kong e em Singapura. Na Europa, Amesterdão, Madrid, Frankfurt, Munique e Milão também se encontram na categoria de risco moderado, enquanto Paris e Londres apresentam um risco reduzido de bolha. Fora da Europa, apenas Nova Iorque, São Francisco e São Paulo se encontram na categoria de risco reduzido.
Os preços da habitação, as rendas e os rendimentos permaneceram praticamente inalterados, em termos reais, ao longo do último ano, ocultando diferenças substanciais entre as cidades. Seul, Lisboa, Madrid e Hong Kong registaram os aumentos mais acentuados, com os preços reais da habitação a subirem cerca de 10%. Em contrapartida, Vancouver e Toronto registaram descidas de aproximadamente 10%. Frankfurt e Munique também registaram quedas dos preços, embora a um ritmo mais moderado. Hong Kong continua a liderar a lista de mercado menos acessível para a aquisição de um imóvel residencial, sendo necessário 15 anos de salário médio para conseguir comprar uma casa.






