Setor químico deverá contrair 0,5% este ano devido à guerra no Médio Oriente

As consequências da guerra no Irão têm chegado a todos os setores, uma vez que os constrangimentos gerados pela tensão geopolítica e o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz está a levar a escaladas no preço dos combustíveis. E estes acabam por se refletir em toda a economia mundial. Devido à sua elevada dependência…
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Para 2027, caso o conflito do Médio Oriente não se resolva, a quebra mundial do setor poderá ser de 3,2%, sendo mais pesada na região da Ásia Pacífico, de 4,9%, sendo mais moderada na Europa e nos Estados Unidos, de 1,8%.
Economia

As consequências da guerra no Irão têm chegado a todos os setores, uma vez que os constrangimentos gerados pela tensão geopolítica e o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz está a levar a escaladas no preço dos combustíveis. E estes acabam por se refletir em toda a economia mundial. Devido à sua elevada dependência do petróleo, a indústria química é uma das mais afetadas por este conflito. Segundo uma análise da Crédito y Caución, a nível mundial, o setor consome cerca de 25% da energia produzida. Isto aliado ao facto de que o bloqueio do estreito de Ormuz estar a afetar o acesso desta indústria às matérias-primas deverá levar a uma contração deste setor. Assim, a empresa de seguros de crédito e de exportação prevê que o setor caia mundialmente cerca de 0,5% no final deste ano. No entanto, no Médio Oriente, a quebra maior e atingirá os 8,6%. Segundo esta análise, a região do Golfo fornece aproximadamente metade das exportações mundiais de etilenoglicol e quase 40% do metanol. Estas duas matérias-primas são essenciais para os plásticos e os produtos químicos industriais.

Na União Europeia e no Reino Unido os produtores estão menos expostos a preços mais elevados dos fatores de produção e das interrupções do que na Ásia Oriental, pelo que se prevê que a produção estabilize.

As perspetivas para 2027 são ainda reservadas, uma vez que o desenvolvimento do setor vai depender das negociações entre os Estados Unidos e o Irão. Os analistas da Crédito Y Caución referem que, caso se chegue a um acordo preliminar, a produção mundial de produtos químicos poderá recuperar 1,2% já em 2027. Porém, num cenário mais pessimista, com interrupções mais prolongadas no Estreito de Ormuz, a produção poderá voltar a contrair, numa estimativa que poderá atingir os 3,2% no próximo ano. Na Ásia Pacífico, a estimativa de quebra será de 4,9% e na Europa e nos Estados Unidos, será mais moderada, de apenas 1,8%.

Na União Europeia e no Reino Unido os produtores estão menos expostos a preços mais elevados dos fatores de produção e das interrupções do que na Ásia Oriental, pelo que se prevê que a produção estabilize. Além disso, os produtores europeus acumularam reservas de matérias-primas na primeira fase do conflito, o que sustentou a procura de produtos químicos europeus. Em 2027, a produção química na Europa deverá beneficiar de um aumento devido a setores como o da construção, e ainda de uma modesta recuperação da produção industrial regional.

No entanto, a Crédito y Cáucion alerta que as pequenas e médias empresas sem cobertura energética e sem capacidade de investimento na descarbonização correm um risco especial, enquanto as grandes empresas focadas em produtos químicos especializados dispõem de uma vantagem competitiva.

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