Do burnout ao resenteeism: os novos sinais do mercado de trabalho que as empresas não podem ignorar

Nos últimos anos, conceitos como burnout, quiet quitting, boreout ou, mais recentemente, resenteeism passaram a fazer parte do vocabulário das organizações. Embora se refiram a comportamentos distintos, todos indiciam que a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho mudou. "Estas tendências demonstram que a relação entre profissionais e organizações está a evoluir. Hoje,…
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Da exaustão à desmotivação silenciosa, os fenómenos que marcaram os últimos anos revelam uma mudança estrutural nas expectativas dos profissionais. Para as organizações, o desafio já não passa apenas por contratar talento, mas sobretudo por conseguir mantê-lo envolvido.
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Nos últimos anos, conceitos como burnout, quiet quitting, boreout ou, mais recentemente, resenteeism passaram a fazer parte do vocabulário das organizações. Embora se refiram a comportamentos distintos, todos indiciam que a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho mudou.

“Estas tendências demonstram que a relação entre profissionais e organizações está a evoluir. Hoje, os colaboradores valorizam cada vez mais fatores como bem-estar, reconhecimento, desenvolvimento contínuo e sentido de propósito”, comenta Para Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo, empresa portuguesa fundada em 1994, especializada em recrutamento.

“Os colaboradores valorizam cada vez mais fatores como bem-estar, reconhecimento, desenvolvimento contínuo e sentido de propósito”, diz Paula Peixoto.

Entre todos os novos fenómenos do mundo do trabalho, o burnout continua a ser aquele que reúne maior atenção. Caracterizado por um estado de exaustão física, emocional e mental provocado por níveis elevados de pressão e exigência, tornou-se um dos principais desafios para empresas e trabalhadores depois da pandemia.

Há o burnout. E depois há o boreout

Contudo, para além do burnout como sobrecarga de trabalho, existem outros fenómenos que surgem pela razão oposta: a falta de estímulo. É aqui que entra o boreout, destaca a Olisipo, em comunicado. “Este fenómeno [do boreout] resulta da ausência de desafios, oportunidades de aprendizagem ou propósito claro no desempenho de funções. Quando os profissionais sentem que o seu potencial está subaproveitado podem surgir sinais de desmotivação e afastamento progressivo da organização”. Ou seja, num mercado onde as novas gerações valorizam cada vez mais a aprendizagem contínua e a progressão profissional, manter os colaboradores intelectualmente estimulados tornou-se quase tão importante como garantir boas condições salariais. Para a Olisipo, “a criação de percursos de desenvolvimento e a atribuição de novos desafios são algumas das formas de combater esta realidade”.

Se o burnout representa um excesso e o boreout uma escassez de desafios, o quiet quitting revela uma mudança de atitude perante o trabalho, sendo outro fenómeno destacado pela Olisipo: “O quiet quitting refere-se à decisão de cumprir apenas as responsabilidades previstas, sem assumir tarefas adicionais ou um envolvimento extra com a organização”.

Quiet quitting e Resenteeism

O fenómeno ganhou notoriedade após a pandemia e foi frequentemente interpretado como uma quebra de compromisso. No entanto, muitos especialistas defendem que também pode refletir uma redefinição saudável dos limites entre vida profissional e pessoal.

Para as empresas, esta tendência reforça “a importância de promover ambientes de trabalho onde os colaboradores se sintam valorizados, reconhecidos e alinhados com os objetivos da empresa”.

Mais recente e menos conhecido, o resenteeism descreve outra realidade, o de “colaboradores que permanecem na organização apesar de se sentirem insatisfeitos, frustrados ou sem perspetivas de evolução. Esta situação pode afetar o desempenho, o compromisso e o ambiente das equipas”. Na perspetiva dos especialistas da Olisipo, “a comunicação transparente e a criação de oportunidades de crescimento assumem um papel fundamental na prevenção deste fenómeno.

Segundo Paula Peixoto, a resposta passa por conhecer melhor as pessoas e agir antes que os sinais se agravem: “Cada profissional tem o seu próprio perfil e, por isso, é fundamental que as lideranças mantenham um acompanhamento próximo, compreendam as suas necessidades e atuem de forma preventiva perante estes fenómenos”.

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