Marcas chinesas aceleram pressão sobre indústria automóvel europeia, alerta análise

A indústria automóvel europeia poderá estar a entrar no maior processo de transformação da sua história recente, impulsionada não apenas pela transição elétrica, mas também pela rápida ascensão das marcas chinesas no mercado europeu. Numa análise divulgada pela XTB, a corretora financeira alerta que fabricantes como BYD, Chery, SAIC e Leapmotor estão a ganhar terreno…
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A crescente expansão dos fabricantes chineses de automóveis na Europa está a agravar a pressão sobre os construtores europeus, numa altura em que grupos históricos como Volkswagen e Stellantis enfrentam perdas de quota de mercado, reestruturações e margens sob pressão, segundo uma análise da XTB.
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A indústria automóvel europeia poderá estar a entrar no maior processo de transformação da sua história recente, impulsionada não apenas pela transição elétrica, mas também pela rápida ascensão das marcas chinesas no mercado europeu.

Numa análise divulgada pela XTB, a corretora financeira alerta que fabricantes como BYD, Chery, SAIC e Leapmotor estão a ganhar terreno de forma acelerada na Europa, beneficiando de vantagens competitivas difíceis de replicar pelos grupos tradicionais europeus.

“A análise de performance dos construtores europeus não pode ser feita sem também analisar o crescimento exponencial dos rivais chineses no próprio solo europeu”, refere a XTB.

Segundo a análise, as marcas chinesas “duplicaram a sua quota de mercado combinada na Europa em 2026”, mesmo num contexto de tarifas adicionais impostas pela União Europeia e de tensões geopolíticas crescentes.

A XTB sublinha que a principal vantagem competitiva dos fabricantes chineses continua a estar na cadeia de abastecimento das baterias, permitindo-lhes lançar modelos tecnologicamente avançados a preços significativamente mais baixos: “Mesmo com a introdução de tarifas aduaneiras e tensões geopolíticas, a vantagem competitiva da China na cadeia de abastecimento de baterias permite-lhes colocar produtos altamente tecnológicos no mercado a preços que os construtores europeus simplesmente não conseguem replicar sem destruir as suas margens”, refere a análise.

Volkswagen simboliza “choque de realidade”

A análise da XTB utiliza a Volkswagen como principal exemplo da pressão que atravessa o setor automóvel europeu. Segundo o documento, o grupo alemão estará a avaliar o encerramento de quatro fábricas na Alemanha, incluindo unidades em Hanover, Zwickau, Emden e a fábrica da Audi em Neckarsulm, além de potenciais cortes até 100 mil postos de trabalho.

A corretora considera que a dimensão das medidas propostas pelo CEO Oliver Blume ultrapassa reestruturações históricas do setor, incluindo a da General Motors durante a crise financeira de 2009. Para a XTB, o problema vai além dos elevados custos de produção alemães ou da rigidez laboral: “A verdadeira causa é a crise de vendas e a perda acelerada de quota de mercado”, refere a análise.

A Volkswagen, que durante anos liderou o mercado chinês, caiu entretanto para a terceira posição no país, atrás da BYD e da Geely.

Setor europeu enfrenta pressão crescente

A análise aponta também dificuldades em vários dos principais grupos automóveis europeus. No caso da Stellantis, dona de marcas como Peugeot, Fiat, Citroën e Opel, a XTB refere que o grupo “continua a perder terreno de forma consistente” e enfrenta dificuldades na transição para os veículos elétricos.

A corretora considera ainda que a pressão competitiva está a forçar o grupo a entrar numa “guerra de preços agressiva” que ameaça diretamente as margens operacionais.

BMW e Mercedes-Benz surgem como fabricantes relativamente mais resilientes, embora também afetados pelo contexto global. Segundo a XTB, a BMW conseguiu contrariar parcialmente a tendência de contração do mercado europeu, enquanto a Mercedes-Benz continua a apresentar bons resultados em mercados periféricos como Portugal. Ainda assim, a desaceleração económica chinesa já começou a pressionar as perspetivas de lucro do segmento premium da Mercedes-Benz.

No caso da Renault, a XTB destaca a aposta em marcas de baixo custo como a Dacia e em parcerias ligadas à tecnologia híbrida, embora alerte que o fabricante francês continua vulnerável à ofensiva das marcas asiáticas nos segmentos mais acessíveis.

Investidores atentos à rentabilidade e volatilidade

A análise conclui que o setor automóvel europeu está a enfrentar um “choque de realidade”, num momento em que os investidores começam a penalizar empresas consideradas demasiado lentas na adaptação tecnológica: “O mercado está a penalizar severamente as empresas tradicionais de capital intensivo que atrasaram reformas estruturais, preferindo canalizar liquidez para os setores tecnológicos focados em inteligência artificial e eficiência de software”, refere a XTB.

A corretora alerta ainda para um potencial aumento da volatilidade bolsista, especialmente no índice alemão DAX, devido à exposição a grupos como Volkswagen e BMW e ao risco de conflitos laborais relacionados com fechos de fábricas.

A XTB acrescenta que os investidores deverão acompanhar com atenção a capacidade dos construtores europeus manterem os fluxos de caixa e as políticas de dividendos num contexto de quebra de vendas e forte pressão competitiva.

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