A pintura a óleo “Copo branco belleza dos objectos”, de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), foi vendida por 476 mil euros num leilão realizado na quarta-feira, em Lisboa, anunciou hoje a Veritas Art Auctioneers.
A obra em óleo sobre tela, datada de 1915-1916, que se manteve durante anos na propriedade da família do artista, subiu à praça por 375 mil euros como valor inicial de licitação no leilão de arte moderna e contemporânea.
Exibida pelo próprio artista nas históricas exposições realizadas no Porto e em Lisboa em 1916, a pintura “foi adquirida por um colecionador privado português”, referiu a Veritas em comunicado.
Contactada pela agência Lusa, fonte da leiloeira precisou que o “valor de martelo fixou-se em 390 mil euros, ao qual acresce a comissão da leiloeira, perfazendo um valor total de venda de 476.340 mil euros”.
Durante a sessão, “a concorrência entre os licitantes fez o valor subir de forma consistente acima da estimativa”, acrescentou a mesma fonte.
“Copo branco belleza dos objectos” já tinha ido à praça em outubro de 2021, em Lisboa, pela Cabral Moncada Leilões, pelo mesmo valor-base de 375 mil euros e uma estimativa de 562.500 euros, mas acabou por não ser vendida.
Com dimensões de 50 por 40 centímetros, o quadro pertence ao período final da produção artística de Amadeo de Souza-Cardoso, “fase marcada pela experimentação formal e pela assimilação de linguagens ligadas ao cubismo e às vanguardas europeias”, assinala a Veritas no comunicado.
A obra foi apresentada pelo artista nas exposições realizadas no Porto e em Lisboa em 1916, considerados momentos decisivos para a afirmação da modernidade artística em Portugal, tendo permanecido durante uma parte significativa do seu percurso na esfera familiar do artista.
Segundo a Veritas, o percurso expositivo da pintura que se encontra registada no Catálogo Raisonné do artista, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, prolonga-se por mais de um século e “acompanha alguns dos momentos mais relevantes da receção crítica da obra de Amadeo”.
Além das exposições de 1916, “Copo branco belleza dos objectos” fez parte das grandes retrospetivas dedicadas ao artista no Palácio Foz, em Lisboa, e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, em 1959.
A pintura participou ainda numa exposição realizada em 1985 na Galeria Jornal de Notícias, no Porto, e na mostra “Amadeo de Souza-Cardoso: Diálogo de Vanguardas”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2006.
Foi também incluída na grande retrospetiva dedicada ao artista apresentada em 2016 no Grand Palais, em Paris, França.
Nascido em Manhufe, Amarante, em 1887, Amadeo de Souza-Cardoso é considerado uma das figuras centrais da arte moderna portuguesa e um dos mais destacados representantes das vanguardas europeias do início do século XX.
Depois de se fixar em Paris, em 1906, estabeleceu contacto com alguns dos principais movimentos artísticos da época, relacionando-se com criadores como Amedeo Modigliani, Constantin Brâncuși e Robert Delaunay.
A carreira do artista foi interrompida pela pandemia de gripe pneumónica que assolou a Europa em 1918, causando-lhe a morte aos 30 anos. Apesar da curta vida, deixou uma obra que continua a ser amplamente estudada e apresentada em museus e exposições nacionais e internacionais.
Lusa





