Como surgiu a ideia de criar a Saigu?
A Saigu nasceu em 2019 da união de dois perfis muito complementares: o Gerard, químico especializado em dermofarmácia, e o David, com experiência em negócio digital. Nasceu de uma inquietação partilhada: fazer as coisas de forma diferente dentro da cosmética. Por um lado, melhorar o produto a partir da formulação e do controlo dos processos, por outro construir uma relação mais honesta com a cliente. Mas há algo ainda mais profundo na base de tudo, a origem mediterrânica da marca. “Saigu” significa “água” em menorquino e representa essa ideia de frescura, adaptabilidade e naturalidade que define a nossa forma de entender a beleza. Não foi apenas uma inspiração estética, mas uma maneira de fazer as coisas: mais próxima, mais consciente e mais ligada à vida real. A partir daí construímos uma marca que não procura transformar, mas acompanhar, com produtos que funcionam no dia a dia e respeitam aquilo que já és.
De que forma conseguem adaptar-se ao ritmo e estilo de vida das mulheres?
Partimos de uma ideia muito simples: nem todas as peles, nem todos os momentos de vida são iguais, por isso a maquilhagem também não devia ser. Desenvolvemos produtos que se adaptam à pele e não o contrário, com texturas flexíveis, fáceis de trabalhar e que funcionam bem em diferentes tipos de pele, especialmente em peles adultas, historicamente menos representadas. Tudo é pensado a partir da praticidade: produtos versáteis, intuitivos, que não exigem técnica e que se integram facilmente no dia a dia. A ideia é conseguires maquilhar-te em cinco minutos e sentires-te bem, sem complicações. Mas há também uma parte importante de acompanhamento. Desde o conteúdo até à experiência em loja, procuramos ajudar cada pessoa a perceber o que a favorece, como usar os produtos e como adaptar a maquilhagem a si própria e não o contrário. No fundo, não falamos de “todas as mulheres” de forma genérica, mas de acompanhar cada uma no seu momento, com soluções reais.

De que forma Portugal se alinha com o conceito da marca?
Portugal encaixa de forma muito natural no universo da Saigu, não só a nível estético, mas também na forma de entender a beleza. Partilhamos uma sensibilidade muito semelhante, uma relação mais descontraída com a maquilhagem, mais centrada na pele real, no dia a dia e em valorizar aquilo que já somos, em vez de o transformar. Além disso, existe um ponto importante no ritmo e na ligação ao ambiente que nos rodeia. Tal como acontece com a nossa origem mediterrânica, encontramos em Portugal essa forma de viver mais tranquila, mais conectada com o quotidiano, onde a beleza não se constrói a partir da perfeição, mas sim da naturalidade.
Ao nível do mercado, vemos um contexto especialmente alinhado. O consumidor português está a evoluir para um consumo mais consciente, onde a qualidade é priorizada em detrimento da quantidade, e onde ganham relevância as marcas com propósito, transparência e uma proposta clara. É um mercado menos saturado do que outros na Europa, o que permite construir marca de forma mais orgânica e criar relações mais próximas e duradouras com a comunidade. Além disso, existe uma forte ligação às marcas do sul da Europa, tanto pela afinidade cultural, como estética, o que facilita que a nossa forma de entender a beleza seja facilmente compreendida e adotada. Por isso, sentimos que este é um território onde a nossa forma de fazer faz sentido e pode crescer de forma orgânica.
Que peso tem Portugal nas receitas da marca?
Portugal ainda é um mercado jovem para nós, mas com uma evolução muito positiva desde o início. Ainda não tem um peso elevado em faturação quando comparado com Espanha, onde a marca já está presente e consolidada há seis anos e com cinco lojas físicas em diferentes regiões do país. Vemos Portugal como um mercado estratégico e com grande potencial, tanto pela afinidade com a marca como pela possibilidade de crescimento a longo prazo. A receção tem sido muito positiva e natural, especialmente porque partilhamos uma forma semelhante de entender a beleza e o consumo. Já contamos com uma comunidade de maquilhadoras locais que trabalham com os nossos produtos e que nos têm ajudado a dar a conhecer a marca de forma muito orgânica e próxima. A nossa comunidade online em Portugal cresce todos os dias e recebemos cada vez mais mensagens a pedir uma presença física da Saigu no país. Quem sabe num futuro próximo. Neste momento, o nosso foco está em consolidar a presença da marca em Portugal e crescer de forma sustentável, construindo uma relação de longo prazo com a comunidade.

O que diferencia a Saigu de outras marcas?
O nosso diferencial não está numa única coisa, mas na forma como tudo encaixa de maneira coerente. Por um lado, existe o controlo do processo. Desenvolvemos os produtos internamente, desde a formulação até aos testes, o que nos permite melhorar constantemente e garantir que aquilo que lançamos funciona mesmo. Não dependemos de terceiros para construir o produto, e isso faz uma grande diferença.
Depois há a praticidade, que é quase uma obsessão. Criamos produtos pensados para a vida real: fáceis de usar, versáteis e adaptáveis a diferentes tipos de pele, sem necessidade de técnica. Conseguir esse efeito de “pareço melhor” de forma rápida e natural é mais complexo do que parece, e é aí que colocamos muito foco. E, por último, a relação com o cliente e com o meio profissional. Não construímos a marca a partir de tendências, mas da escuta. Temos uma relação muito próxima e honesta com a nossa comunidade, maquilhadores e “amigas da marca”, que participam ativamente no projeto. Essa conversa constante permite-nos perceber o que realmente funciona e construir a partir do que é autêntico. A isso junta-se uma comunicação muito transparente, onde mostramos o processo tal como ele é. A diferença não está numa promessa específica, mas em construir uma marca onde produto, conteúdo e experiência estão alinhados.
Quais são os produtos mais vendidos da marca?
Desde o nascimento da Saigu em Espanha, um dos nossos grandes best sellers é a Base Pele Radiante, especialmente pela sua textura leve e modulável, que se adapta a todos os tipos de pele, além de conter ativos naturais que ajudam a tratar a pele. O Blush em Creme acompanha-nos desde o lançamento entre os produtos mais vendidos, também em Portugal. Destaca-se pelo conforto e multifuncionalidade, já que é um 3 em 1: pode ser usado como blush, sombra e batom. As Sombras Líquidas One Touch, lançadas em setembro do ano passado, tornaram-se rapidamente favoritas, especialmente em Portugal. A facilidade de aplicação e os tons versáteis tornam a maquilhagem dos olhos simples, mesmo para quem não tem experiência. O Batom Melting Glow é outro dos destaques, graças à combinação entre batom e bálsamo. Tem uma textura que se funde literalmente nos lábios, deixando um véu natural de cor. No geral, os produtos que melhor funcionam são aqueles que se adaptam a diferentes tipos de pele, permitem modular a aplicação e tornam a maquilhagem do dia a dia fácil e agradável.

A Saigu Cosmetics nasceu com uma forte ligação à sustentabilidade. Qual foi o momento-chave que definiu essa missão?
A Saigu nasceu, em parte, da inquietação pessoal do fundador Gerard ao perceber, dentro da indústria de cosméticos, que muitas decisões eram tomadas priorizando custo ou tendência em vez da qualidade ou do impacto real. A partir daí, construiu-se uma marca onde a sustentabilidade não surge como um “claim”, mas como um critério de decisão: desde a formulação à escolha de fornecedores ou à forma de produzir. Trabalhamos, por exemplo, com uma elevada percentagem de ingredientes de origem europeia e damos prioridade à proximidade sempre que faz sentido, não apenas pelo impacto, mas também pelo controlo e coerência em todo o processo. Com o tempo, tudo isto foi sendo mais estruturado, mas a base continua igual: tomar decisões com sentido e sem prometer mais do que aquilo que realmente podemos cumprir.





