O painel “Fireside Talk – Beyond the ‘Average Asian Customer'”, na CX Summit 2026, ficou marcado pela diversidade. As três oradoras convidadas foram Amalia Goux, Managing Partner, Thrive & Board Member CEEC (Vietname), Luísa Evaristo, VP, PWN KL (Malásia), e Sodtsetseg Ganbold, Founder & CEO, CMI (Mongólia).
A primeira natural da Roménia, a viver no Vietname e com planos para se mudar para Lisboa, a segunda é portuguesa, nascida em África e a viver na Malásia, e a terceira natural da Mongólia. As três em representação do mercado asiático, começaram por ser questionadas, por Nilza Rodrigues, diretora na Forbes Portugal e Forbes África Lusófona, em relação à perceção que existe de um mercado único.
“A perceção de que a Ásia tem um único mercado é um mito”, afirmou Amalia. No Vietname, por exemplo, existe uma enorme contradição entre o moderno e o tradicional. Por exemplo, é possível pagar através de um QR code num negócio de rua que existe há muitos e muitos anos. Na Malásia, explica Luísa, o interessante é a diversidade e a gestão das diferentes realidades. Sodtsetseg destacou a disciplina na Coreia do Sul, a antecipação no Japão e a generosidade na Mongólia.

Mas serão essas características as mais procuradas pelos consumidores?
“O que o consumidor mais nota é o respeito”, garantiu Sodtsetseg, com Luísa a acrescentar “o respeito pelas diferenças entre as culturas”.
Para Amalia o desafio das empresas passa por manter a relevância, principalmente num país como o Vietname em que a lealdade em relação a um produto ou serviço tem uma percentagem muito baixa. “Eles trocam rapidamente por uma experiência ou serviço melhores, a empresa tem de continuamente entregar valor”, disse.

A chegada da IA
A inteligência artificial (IA) veio mudar a dinâmica de diversos mercados e o asiático não é exceção. Ainda que nem sempre seja a solução que mais desejam. As oradoras do painel concordam que a IA é muito utilizada, principalmente quando falamos de produtividade ou coisas mais simples, mas o consumidor asiático continua a escolher o lado humano em muitos dos casos.
“Os clientes preferem a IA por conveniência, mas assim que as coisas se complicam preferem falar com um humano”, afirmou Amalia.
Para que as organizações consigam garantir o sucesso em tempos de mudança, as três oradoras deixaram algumas dicas.
“Nas organizações de sucesso conectam o produto com o dia-a-dia do consumidor. Se o produto se tornar um hábito, as pessoas querem o produto e o serviço no seu dia a dia. Na Mongólia o foco é na colaboração e não na competição, assim o mercado cresce”, disse Sodtsetseg.

“É preciso pensar a nível local”, explicou Luísa. “É importante que a estratégia entenda a cultura local, os comportamentos, que os produtos estejam alinhados com as necessidades deles e as restrições. Que estejam alinhados com a forma como eles comunicam ou aquilo em que eles acreditam”.
Amalia acrescentou: “Manter uma mente aberta e estar preparado para começar do zero”.





