O comércio internacional tem sido alvo de alguns desafios nos últimos anos. Primeiro foi o impacto da pandemia de covid 19, ainda no rescaldo da mesma seguiu-se a insegurança provocada pela guerra na Ucrânia, agravado pelas tarifas alfandegárias impostas pela administração de Donald Trump. Já este ano, os desafios têm sido inúmeros com o fecho do Estreito de Ormuz, devido ao conflito no Médio Oriente, que fez aumentar os preços das matérias-primas a um nível superior ao de 2022.
Assim, o relatório “Perspectivas Económicas” elaborado pela seguradora de crédito Crédito y Caución, estima que que o crescimento do comércio global abrande em 2026. Em 2025 o seu crescimento foi de 4,6%, superior ao estimado sobretudo devido à antecipação das tarifas e pela forte procura por produtos relacionados com IA, especialmente provenientes da Ásia. Õ robusto crescimento no comércio de bens relacionados com IA, que foi superior a 35%, beneficiou as transações de setores como o da eletrónica, o da indústria farmacêutica e química, o da maquinaria, entre outros.
Devido ao encerramento do Estreito de Ormuz os preços relacionados com a alimentação subiram 3% em março face ao mês anterior e espera-se que os índices de preços dos alimentos subam ao longo do ano, ainda que marginalmente.
Embora se espere que o investimento em infraestruturas de IA se mantenha dinâmico este ano, o conflito no Médio Oriente já começa a ter impacto nos desenvolvimentos do comércio global. Assim, segundo este relatório, para o final de 2026, o crescimento do comércio global deverá ser inferior a 2%, devido, sobretudo ao aumento dos preços da energia, à menor procura de importação e à contínua incerteza em termos de política comercial.
Devido ao encerramento do Estreito de Ormuz os preços relacionados com a alimentação subiram 3% em março face ao mês anterior e espera-se que os índices de preços dos alimentos subam ao longo do ano, ainda que marginalmente. Tudo isto desencadeou uma escalada inflacionista que afeta o poder de compra dos consumidores. A inflação global nos Estados Unidos subiu para 4,2%, em maio último, face a janeiro, que registou 2,4%, e a inflação na Zona Euro subiu para 3,2%, face aos 1,7% de janeiro.
Também a crise energética reduziu o volume total de importações dos países importadores de energia, que estão a diminuir à medida que o mercado se adapta à subida dos preços.
O relatório da seguradora de crédito refere ainda que as perspetivas comerciais também são fracas na Zona Euro, prevendo uma diminuição das exportações de 0,2% em 2026. Espera-se igualmente que os exportadores percam quota de mercado no setor de bens, refletindo uma presença limitada em setores relacionados com IA de rápido crescimento e com um volume comercial intenso.
Embora o cenário base da Crédito y Caución se baseie numa reabertura gradual do estreito e num novo relaxamento dos preços da energia, os riscos negativos para as perspetivas económicas continuam elevados.
O forte turismo internacional e os serviços de comércio transfronteiriço são uma grande vantagem para Espanha e França, enquanto a economia alemã orientada para a indústria transformadora enfrenta custos estruturalmente mais elevados dos inputs, mantendo o seu setor sob intensa pressão.
Em jeito de conclusão, a Crédito y Caución remata dizendo que a duração do conflito, com um cessar-fogo fraco, marcará a evolução do comércio a nível global. Embora o cenário base se baseie numa reabertura gradual do estreito e num novo relaxamento dos preços da energia, os riscos negativos para as perspetivas económicas continuam elevados.





