Guerra no Médio Oriente: Turismo na Europa poderá crescer apenas 3% em 2026

A guerra no Médio Oriente está a ter forte impacto em diversos setores a nível mundial, sendo o turismo um dos mais afetados. No arranque de 2026, as previsões de crescimento do turismo a nível mundial eram muito positivas, tendo em conta a evolução já sentida em 2025. No ano passado, registaram-se cerca de 1,5…
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Num cenário de rápida do conflito no Médio Oriente, a Crédito Y Caución estima que a procura turística na Europa aumente 8% e na Ásia cresça 12%. Contudo, num cenário mais pessimista, estes crescimentos seriam de apenas 3% na Europa e 5% na Ásia.
Economia

A guerra no Médio Oriente está a ter forte impacto em diversos setores a nível mundial, sendo o turismo um dos mais afetados. No arranque de 2026, as previsões de crescimento do turismo a nível mundial eram muito positivas, tendo em conta a evolução já sentida em 2025. No ano passado, registaram-se cerca de 1,5 mil milhões de viajantes nos aeroportos, ultrapassando, pela primeira vez os números anteriores aos da pandemia. Porém, o conflito no Médio Oriente veio baralhar as contas. Os fluxos de viagens foram redirecionados e alguns dos destinos mais atrativos viram alguns reflexos desse impacto, com os consumidores a optarem, por destinos mais próximos e acessíveis, sobretudo na Europa e na Ásia.

A seguradora de crédito Crédito y Caución elaborou um estudo, tendo como base dois cenários de duração do conflito para calcular o impacto do conflito no Médio Oriente no setor do Turismo. Assim, num cenário base uma solução rápida do conflito, estima que a procura turística na Europa aumente 8% e na Ásia cresça 12%. No cenário mais pessimista, em caso de prolongamento da guerra no Irão, estes crescimentos seriam bem inferiores: na Europa apenas 3% e a Ásia 5%. Estes são dois dos mercados mais relevantes para o turismo mundial: a Ásia recebe 22% das chegadas internacionais e a Europa recebe 52% dos viajantes.

A análise da Crédito Y Caución refere que o impacto será desigual, e segmentos ligados a viagens de curta distância e viagens domésticas provavelmente demonstrarão maior resiliência, beneficiando da redistribuição da procura. 

A situação atual é, segundo o research, caracterizada como uma crise de preços e não tanto como uma perturbação física do fornecimento. O transporte aéreo, que representa aproximadamente dois terços dos movimentos turísticos internacionais em todo o mundo, será um dos mais afetados pelos aumentos de preço. O combustível utilizado pelas companhias áreas representa 25% a 30% dos custos operacionais e um aumento dos preços acarreta no imediato compressão de margens, taxas e sobretaxas por combustível mais elevadas, redução da cobertura de rotas menos lucrativas e maior otimização dos fatores de carga e do deslocamento da frota. Logo, este conflito está a traduzir-se em pressão operacional e financeira em todo o sistema de aviação, sendo que a resiliência dos operadores dependerá em grande parte da sua solidez financeira, das estratégias de cobertura de combustíveis e do poder de fixação de preços.

O combustível utilizado pelas companhias áreas representa 25% a 30% dos custos operacionais e um aumento dos preços acarreta no imediato compressão de margens, entre outras situações. 

No entanto, esta situação afeta igualmente toda a cadeia de valor do turismo. Operadores turísticos, intermediários de viagem, hotéis que dependem da procura de longa distância e fornecedores de transportes e serviços com custos fixos elevados enfrentam um ambiente mais complexo.

A análise da Crédito Y Caución refere que o impacto será desigual, e segmentos ligados a viagens de curta distância e viagens domésticas provavelmente demonstrarão maior resiliência, beneficiando da redistribuição da procura.  “A situação atual não aponta para uma paragem abrupta do turismo mundial, mas destaca uma vulnerabilidade estrutural. Se as restrições persistirem, o setor poderá enfrentar um período mais longo de menor conectividade, preços mais elevados e alterações nos padrões de viagem”, pode ler-se no estudo.

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