Salários: Portugal apresenta uma das menores desigualdades na Zona Euro

O último Boletim Económico do Banco de Portugal, relativo a junho, apresenta um estudo sobre a desigualdade salarial em Portugal, comparada com outros países da Zona Euro. Preparado por Sónia Félix e Fernando Martins, o estudo conclui que a distribuição salarial em Portugal tem registado uma compressão gradual nos últimos anos, refletindo aumentos salariais mais…
ebenhack/AP
Segundo o Banco de Portugal, a comparação dos dados internacionais mostra que a distribuição salarial tem registado uma compressão gradual, refletindo aumentos salariais mais elevados nos níveis mais baixos. Ora, isto traduziu-se numa redução da desigualdade salarial.
Economia

O último Boletim Económico do Banco de Portugal, relativo a junho, apresenta um estudo sobre a desigualdade salarial em Portugal, comparada com outros países da Zona Euro. Preparado por Sónia Félix e Fernando Martins, o estudo conclui que a distribuição salarial em Portugal tem registado uma compressão gradual nos últimos anos, refletindo aumentos salariais mais elevados nos níveis salariais inferiores. Para os dois autores, esta evolução – num contexto em que o salário mínimo nacional desempenha um papel central na formação dos salários – traduziu-se numa redução da desigualdade salarial.

Assim, a comparação internacional dos indicadores de dispersão salarial mostra que Portugal apresenta atualmente um dos níveis de desigualdade salarial mais reduzidos da área do euro, com um rácio entre percentis da zona euro de 2,4, e ocupando o último lugar da tabela das desigualdades, a par com a Finlândia, Países Baixos, Espanha e Itália. O país que apresenta a maior desigualdade salarial é a Croácia, com um rácio de 4,5, seguido da Letónia e da Bulgária.

Os aumentos salariais mais expressivos nos níveis salariais inferiores tem implicações na desigualdade salarial, daí quer nos últimos 15 anos se tenha observado uma redução significativa da desigualdade salarial em Portugal.

O estudo analisa a distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal com base nos microdados da Segurança Social, que praticamente o universo de trabalhadores por conta de outrem do setor privado, excluindo as entidades públicas. Os dados mostram que em 2024, Portugal registava o menor rácio entre a mediana e o percentil 10 da distribuição salarial (P50/P10) e um dos rácios mais baixos entre os percentis 90 e 10 (P90/P10) no conjunto dos países da área do euro. Estes resultados refletem uma forte compressão salarial nos níveis de salários mais baixos.

Os salários nacionais registaram, nos últimos anos, aumentos significativos: em 2025, o crescimento anual do salário médio por trabalhador foi de 5,6% em termos nominais, após um acréscimo de 6,2% em 2024 e de 6,4% em 2023. Já em termos reais os crescimentos foram de 3,1% em 2025, 3,4% em 2024 e 1,5% em 2023. Observando os dados disponíveis, os dois analistas referem que existe uma concentração de aumentos salariais em torno da variação do salário mínimo nacional, refletindo o papel desta política como referência na formação salarial em Portugal. Ora, “a concentração em torno da atualização do salário mínimo é mais evidente no caso do salário base do que no caso do salário total, sugerindo que outras componentes remuneratórias contribuíram para uma maior dispersão da remuneração efetivamente auferida pelos trabalhadores”, pode ler-se no estudo.

Os aumentos salariais mais expressivos nos níveis salariais inferiores tem implicações na desigualdade salarial, daí quer nos últimos 15 anos se tenha observado uma redução significativa neste indicador. No entanto, a compressão da distribuição salarial em torno do salário mínimo nacional levanta questões importantes relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia, alertam os investigadores.

 

Mais Artigos