Perseguido durante anos pelo ceticismo quanto à sua capacidade de levar a Argentina de volta à glória no Mundial, pela primeira vez desde 1986, Lionel Messi finalmente ergueu o troféu em 2022, com uma atuação digna do prémio de melhor jogador da final contra a França. Mas a vitória rapidamente deu lugar a outra questão cheia de pressão: em que clube irá o craque mundial jogar.
Com o seu contrato com o Paris Saint-Germain a expirar no ano seguinte, Messi teve a oportunidade de seguir o seu rival Cristiano Ronaldo e seguir para a liga da Arábia Saudita e lucrar com uma oferta que, segundo rumores, chegava aos 400 milhões de dólares (cerca de 347 milhões de euros), por ano. Em vez disso, acabou por ir para os Estados Unidos e jogar pelo Inter Miami, da uma equipa da Major League Soccer.
O futebolista ganhou cerca de 70 milhões de dólares (cerca de 60,75 milhões de euros) em campo na última época — além de outros 70 milhões de dólares provenientes de patrocínios e outros empreendimentos comerciais — mas, na véspera de mais uma participação no Mundial, o argentino de 38 anos alcançou o auge do sonho americano. A Forbes estima que Messi seja agora bilionário, com um património líquido de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 955 milhões de euros) provenientes, principalmente, da poupança e da valorização ao longo da sua carreira, além de uma opção para adquirir uma participação acionista no Inter Miami, após a sua reforma.
Messi é a quinta pessoa mais rica da Argentina no ranking da Forbes dos mais ricos do mundo e é um dos únicos quatro desportistas de sempre a ter entrado para o «clube dos três zeros» enquanto ainda em atividade, ao lado da estrela da NBA LeBron James, do golfista Tiger Woods e de Cristiano Ronaldo, que também conquistou o seu lugar na lista na passada semana. O ex-futebolista inglês David Beckham – que veio para os Estados Unidos no final da sua carreira e detém uma participação minoritária no Inter Miami, estabeleceu, em muitos aspetos, o modelo que Messi seguiu — também atingiu recentemente a marca de mil milhões de dólares, 13 anos após se ter afastado dos campos. Os representantes de Messi não responderam a um pedido de comentário.
As humildes origens do jogador
Nascido numa família da classe trabalhadora a cerca de 320 quilómetros a noroeste de Buenos Aires, e diagnosticado com deficiência na hormona do crescimento enquanto jogava futebol juvenil no clube Newell’s Old Boys, de Rosário, Messi teve uma ascensão digna de um conto de fadas graças à sua magia com a bola.
O FC Barcelona contratou-o para a sua academia quando tinha apenas 13 anos e trouxe-o para Espanha, assumindo os custos dos tratamentos com hormona do crescimento que o ajudaram a atingir a sua altura atual, de cerca de 1,70 metros. Com a sua promoção para a equipa principal do Barça em 2004, aos 17 anos, e a sua estreia pela seleção principal da Argentina em 2005, rapidamente se tornou uma sensação mundial, conquistando a sua primeira Bola de Ouro como melhor jogador do mundo em 2009. Ao longo de 17 temporadas no Barcelona e duas no Paris Saint-Germain, Messi encheu a sua galeria de troféus com mais sete Bolas de Ouro — o maior número de sempre, com um total de oito que o coloca à frente de Ronaldo com mais três troféus —, bem como dez títulos na La Liga espanhola, dois na Ligue 1 francesa e quatro na Liga dos Campeões da UEFA.
A Forbes estima que Messi seja agora bilionário, com um património líquido de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 955 milhões de euros) provenientes, principalmente, da poupança e da valorização ao longo da sua carreira, além de uma opção para adquirir uma participação acionista no Inter Miami, após a sua reforma.
Messi apareceu pela primeira vez na lista da Forbes dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo em 2008, com rendimentos estimados em 11,9 milhões de dólares (cerca de 10,3 milhões de euros), ocupando na altura o 18.º lugar, e os seus rendimentos começaram a disparar com as renovações de contrato que assinou no Barcelona ao longo da década seguinte. Uma cópia do seu contrato, assinado por quatro anos, válido de 2017 a 2021, posteriormente publicada pelo jornal espanhol El Mundo, revelou que Messi estava a ganhar ainda mais do que se pensava, incluindo um pagamento de cerca de 177 milhões de dólares (cerca de 153,6 milhões de euros) durante a temporada 2017/2018.
Este ano, a remuneração total de Messi em campo é de 28,3 milhões de dólares (cerca de 24,5 milhões de euros), de acordo com dados divulgados pela Associação de Jogadores da MLS, mais do dobro do segundo melhor valor da Liga. Desde a sua transferência para o Inter Miami, em 2023, que vários especialistas em futebol têm sugerido que Messi complementa o seu salário com acordos de partilha de receitas com os parceiros da MLS, a Adidas e a Apple TV. Em março, o proprietário do Inter Miami, Jorge Mas, disse à Bloomberg que pagava a Messi «entre 70 e 80 milhões de dólares por ano».
Ao longo da carreira, Messi acumulou até agora cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,041 mil milhões de euros) com os seus contratos de jogador, antes de impostos e comissões de agentes, um valor em campo superado por apenas um atleta na história (Cristino Ronaldo, claro). Na verdade, apenas seis atletas, além de Messi e Ronaldo, ultrapassaram os mil milhões de dólares em ganhos totais enquanto ainda estavam no ativo: Woods, James, Roger Federer, Floyd Mayweather Jr., Phil Mickelson e Kevin Durant.
Este ano, a remuneração total de Messi em campo é de 28,3 milhões de dólares (cerca de 24,5 milhões de euros), de acordo com dados divulgados pela Associação de Jogadores da MLS, mais do dobro do segundo melhor valor da Liga.
O valor total da carreira de Messi ascende a 1,8 mil milhões de dólares (cerca de 1,56 mil milhões de euros) — ficando atrás apenas de Ronaldo e Woods — quando se contabilizam os mais de 600 milhões de dólares (cerca de 520,6 milhões de euros) que ganhou com patrocínios, artigos de coleção e outros empreendimentos comerciais. Tendo o seu pai, Jorge, como seu agente e gestor de negócios, o discreto Messi tem mais de uma dúzia de parcerias ativas, incluindo com a Mastercard, a Michelob Ultra e a Lay’s, e tornou-se um dos atletas mais populares e comercializáveis do mundo, apesar de raramente conceder entrevistas. Deixou a Nike para assinar com a Adidas em 2006 e consolidou a sua relação com a marca alemã de calçado e vestuário com um contrato vitalício em 2017.
Contando os seus rendimentos dentro e fora do campo, os 140 milhões de dólares (cerca de 121,5 milhões de euros) estimados de Messi nos últimos 12 meses colocaram-no em terceiro lugar na lista de 2026 dos atletas mais bem pagos do mundo da Forbes. Messi não fica abaixo do quinto lugar neste ranking desde 2014, tendo conquistado o primeiro lugar em 2019 e 2022.
Multado por fraude em 2016
Os rendimentos astronómicos de Messi colocaram-no também numa situação delicada em 2016, quando ele e o seu pai foram considerados culpados de fraude fiscal por um tribunal espanhol, devido à utilização de empresas de fachada em paraísos fiscais para canalizar rendimentos provenientes de patrocínios. Eles evitaram a pena de prisão, mas foram obrigados a pagar cerca de 4 milhões de dólares (cerca de 3,7 milhões de euros) em multas. Por outro lado, a fortuna de Messi também lhe permitiu construir uma sólida carteira de investimentos que inclui uma participação na MiM Hotels — uma cadeia boutique que detém seis propriedades em Espanha e Andorra — como parte de um fundo de investimento imobiliário cotado em bolsa que lançou em 2024, chamado Edificio Rostower Socimi, que tem uma capitalização de mercado de 282 milhões de dólares (cerca de 245 milhões de euros).
A Más+ by Messi, uma bebida desportiva que desenvolveu em parceria com a Mark Anthony Brands, empresa-mãe da White Claw, fracassou, tendo a BevNet noticiado em maio que a marca está a ser descontinuada. Mas, Messi continua a ser sócio da cadeia de restaurantes argentina El Club de la Milanesa e é proprietário de duas equipas de futebol: o Deportivo LSM do Uruguai, que fundou com o seu companheiro de equipa no Inter Miami, Luis Suárez, no ano passado, e o UE Cornellà, um clube espanhol da quinta divisão que comprou em abril por um valor não revelado. Quando a poeira assentar, porém, o investimento de maior sucesso de Messi poderá ser a sua própria equipa.
A avaliação da Inter Miami disparou de 600 milhões de dólares (520,7 milhões de euros) antes da chegada de Messi para 1,35 mil milhões de dólares (cerca de 1,17 mil milhões de euros) — o valor mais alto da liga — em apenas três anos e, com a opção que garantiu em ganhar participação acionista na equipa quando se reformar, irá beneficiar do crescimento que proporcionou.
A sua mudança para Miami no crepúsculo da sua carreira tem sido um sucesso sob todos os pontos de vista, levando o clube fundado por Beckham e pelos irmãos Jorge e José Mas da última posição da liga em 2023 para a conquista da MLS Cup em 2025, a segunda época completa de Messi com a equipa. «É preciso viver isolado do mundo para não saber que o Lionel Messi joga no Miami», gabou-se Jorge Mas à Forbes em 2024.
Entretanto, a avaliação da equipa disparou de 600 milhões de dólares (520,7 milhões de euros) antes da chegada de Messi para 1,35 mil milhões de dólares (cerca de 1,17 mil milhões de euros) — o valor mais alto da liga — em apenas três anos e, com a opção que garantiu em ganhar participação acionista na equipa quando se reformar, irá beneficiar do crescimento que proporcionou.
Isso não significa, no entanto, que Messi esteja pronto para pendurar as chuteiras por enquanto. O bicampeão de MVP da MLS assinou uma extensão de contrato de três anos com o Inter Miami em outubro e entrará em campo este mês na sua sexta participação no Mundial, enquanto a Argentina defende o título. Numa entrevista ao jornal espanhol Diario Sport, no ano passado, antecipando a competição deste verão, Messi disse que não queria ser um “fardo”, mas acrescentou que ainda adora jogar. «Quando perceber que já não estou em forma, que estou a ter dificuldades em campo e que não estou a gostar, será altura de desistir», disse Messi, que faz 39 anos a 24 de junho. «Mas, neste momento, estou a gostar, sinto-me bem e é assim que as coisas estão.»
(Artigo original aqui. Texto traduzido e editado por Helena C. Peralta)





