Jimmy Kimmel acusa CBS de usar “números inventados” para justificar despedimento de Stephen Colbert

Jimmy Kimmel lançou novas críticas à CBS, acusando a estação de utilizar “números inventados” para justificar o cancelamento de The Late Show with Stephen Colbert. Numa entrevista à revista New York, o apresentador de Jimmy Kimmel Live! afirmou que vê no caso de Colbert um possível reflexo do seu próprio futuro na televisão norte-americana: “De muitas…
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Jimmy Kimmel criticou duramente a CBS e contestou a explicação dada pela estação para o cancelamento do programa de Stephen Colbert. O apresentador norte-americano afirma que os argumentos financeiros apresentados pela cadeia televisiva não fazem sentido e alerta para um ambiente cada vez mais difícil para os programas de comentário político nos Estados Unidos.
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Jimmy Kimmel lançou novas críticas à CBS, acusando a estação de utilizar “números inventados” para justificar o cancelamento de The Late Show with Stephen Colbert.

Numa entrevista à revista New York, o apresentador de Jimmy Kimmel Live! afirmou que vê no caso de Colbert um possível reflexo do seu próprio futuro na televisão norte-americana: “De muitas formas, sinto que estou a olhar para o meu próprio futuro”, disse Kimmel, acrescentando que não acredita que o formato dos programas de final de noite esteja a desaparecer naturalmente. “Estamos a ser envenenados”, afirmou.

“Estamos a ser envenenados”, afirmou Jimmy Kimmel.

Stephen Colbert foi retirado do ar no mês passado, numa decisão que a CBS classificou como “puramente financeira”. O cancelamento coincidiu, no entanto, com repetidos apelos do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o programa fosse encerrado. Ao mesmo tempo, a Paramount, empresa-mãe da CBS, procurava obter aprovação da administração norte-americana para concluir a fusão com a Skydance Media, apoiada por investidores multimilionários.

Kimmel questiona a explicação financeira apresentada pela CBS. Segundo o apresentador, a alegação de que The Late Show estaria a perder mais de 40 milhões de dólares por ano (cerca de 34 milhões de euros) não é compatível com a estratégia da própria empresa.

“Devo acreditar que, ao longo desses dois anos, começaram subitamente a perder 40 milhões de dólares por ano?”, perguntou Kimmel, referindo-se ao facto de a CBS ter tentado renovar o contrato de Colbert por cinco anos em 2023.

O apresentador, de 58 anos, acrescentou que lhe foi dito “de forma bastante específica” que Jimmy Kimmel Live! continua a ser rentável para a ABC, apesar de o seu programa ter registado habitualmente audiências inferiores às de Colbert. Ainda assim, destacou que a emissão da ABC costumava liderar entre os espectadores dos 18 aos 49 anos, uma faixa etária particularmente valorizada pelos anunciantes.

Kimmel assinou em dezembro um contrato de apenas um ano com a ABC, em vez dos habituais acordos de três anos. Questionado sobre o futuro, admitiu não saber se continuará em antena depois de 2027 ou se optará pela reforma: “Tudo está tão turbulento”, afirmou.

“Tudo está tão turbulento”, afirmou Kimmel.

A relação entre Kimmel e Donald Trump tem sido marcada por confrontos públicos ao longo dos anos. Tal como Colbert, o apresentador tem criticado regularmente o Presidente norte-americano, tornando-se também alvo frequente de ataques por parte da Casa Branca e de figuras conservadoras.

Em setembro, Kimmel comentou o homicídio do ativista conservador Charlie Kirk e criticou as tentativas de alguns setores ligados ao movimento MAGA de associar o suspeito à esquerda radical. Segundo o apresentador, “o grupo MAGA” estava “desesperadamente a tentar caracterizar este jovem que assassinou Charlie Kirk como qualquer coisa que não um deles”.

As declarações levaram o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, a sugerir, numa entrevista ao comentador conservador Benny Johnson, que o regulador poderia analisar se o programa estava a servir o “interesse público”.

Pouco depois, a ABC, propriedade da Disney, anunciou uma suspensão por tempo indeterminado do programa de Kimmel. Donald Trump celebrou a decisão numa publicação na Truth Social: “O programa de Jimmy Kimmel, com audiências fracas, foi CANCELADO. Parabéns à ABC por finalmente ter a coragem de fazer o que precisava de ser feito. Kimmel não tem talento NENHUM e tem audiências piores do que até Colbert, se isso for possível.”

A conta oficial Rapid Response da Casa Branca na rede social X escreveu na altura: “Estão a fazer um favor aos espectadores. Jimmy é um doente!”

A ABC acabaria por repor o programa apenas uma semana depois, após uma onda de críticas vindas de diferentes quadrantes políticos e um intenso debate sobre liberdade de expressão, pressão empresarial e intervenção governamental.

Mais recentemente, Trump voltou a atacar Kimmel devido a uma piada feita durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. No monólogo de 23 de abril, o humorista referiu-se à primeira-dama Melania Trump como tendo “um brilho de viúva em expectativa”.

Dois dias depois, um indivíduo tentou atacar o evento. Melania Trump juntou-se ao Presidente na condenação das palavras de Kimmel, enquanto vários comentadores conservadores argumentaram que a piada teria incentivado atos de violência.

Kimmel respondeu posteriormente no seu programa, reconhecendo a gravidade do incidente, mas lembrando o seu histórico de defesa de medidas de controlo de armas nos Estados Unidos.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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