Fundada há 10 anos por três médicos, a UpHill é uma empresa que combina a medicina e a engenharia, sendo a única plataforma certificada na União Europeia e implementada em escala na linha da frente dos hospitais para automatizar processos clínicos. “A fundação da UpHill foi motivada pela nossa experiência direta na linha da frente, enquanto trabalhávamos em hospitais e centros de saúde, ao sermos confrontados com as dificuldades de capacidade de escala do sistema de saúde e do trabalho clínico”, explicou, em entrevista à Forbes Portugal, Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO, para uma reportagem sobre IA na saúde, publicada na edição de fevereiro/março deste ano.
Através da IA conversacional, da automação e coordenação de cuidados, a plataforma da UpHill permite que as equipas trabalhem no seu máximo potencial, com tempo para se concentrarem nos pacientes. A plataforma integra dados de saúde, comunica diretamente com os pacientes e fornece insights práticos, permitindo que os clínicos se foquem no cuidado e não na burocracia. “No fundo fazemos com que os hospitais funcionem como se tivessem duas, três vezes mais profissionais de saúde do que o que têm na realidade”, refere o CEO. E explica de forma mais detalhada: trata-se de uma plataforma tecnológica integrada nos sistemas hospitalares que disponibiliza um conjunto de automações clínicas que permitem aos profissionais de saúde delegar no sistema aquelas tarefas clínicas mais repetitivas para os doentes que têm menos risco. Fundada há 10 anos por três médicos, a UpHill é uma empresa que combina a medicina e a engenharia e foi “motivada pela nossa experiência direta na linha da frente, enquanto trabalhávamos em hospitais e centros de saúde, ao sermos confrontados com as dificuldades de capacidade de escala do sistema de saúde e do trabalho clínico”, explica o CEO.
A plataforma permite percursos de cuidados mais seguros e flexíveis, especialmente para doentes com múltiplas condições ou sintomas em evolução. Para os hospitais a vantagem é clara: permite o seguimento automático de mais doentes, mais consultas preparadas e o tempo dos clínicos efetivamente multiplicado.
A empresa acaba agora de anunciar que está a expandir a tecnologia de IA de nova geração na sua plataforma. Esta vai permitir a orquestração de cuidados baseada em inteligência artificial, combinando os percursos clínicos determinísticos com IA, libertando mais tempo crítico para as decisões de equipas clínicas e administrativas. Esta solução introduz um novo paradigma em que o seguimento automático de doentes deixa de estar limitado a um único algoritmo ou fluxo clínico rígido, navegando por diferentes percursos através de conversas naturais. A plataforma permite percursos de cuidados mais seguros e flexíveis, especialmente para doentes com múltiplas condições ou sintomas em evolução. Para os hospitais a vantagem é clara: permite o seguimento automático de mais doentes, mais consultas preparadas e o tempo dos clínicos efetivamente multiplicado.
O que faz, afinal, a UpHill?
Damos um exemplo prático: imagine que vai a uma urgência e já não necessita de esperar para fazer a triagem, e ser vista por um médico para receber, por exemplo, uma primeira medicação. É que este sistema deteta, através de interoperabilidade com os sistemas de informação, quem está na urgência, retirando a informação dos sistemas de registo para processar o caso clínico, faz perguntas automaticamente por canais digitais e funde toda a informação, propondo um plano automático para fazer, por exemplo, um conjunto de exames de imediato, sem ter de esperar para ver o médico pela primeira vez. “Claro que isto exige sempre uma aprovação médica, só que o médico consegue fazer uma aprovação que lhe é proposta e consegue fazer isso para vários doentes ao mesmo tempo. Ou seja, quando chega o médico, o paciente já tem os exames, o resultado dos exames, o médico já tem o seu contexto, já tem uma proposta de plano terapêutico”, explica Eduardo Freire Rodrigues. O responsável refere que a plataforma tem conseguido reduzir cerca de 30% a 50% do tempo médio de permanência de um utilizador nas urgências.
Em 2015, quando tudo começou, esta proposta de valor era ainda vista como «futurística». “Antes ninguém achava que os hospitais e os sistemas de saúde eram uma oportunidade. Os investidores fugiam a sete pés dos sistemas de saúde. Hoje toda a gente quer estar nos sistemas de saúde e nos hospitais”, refere o CEO. A UpHill já recolheu cerca de 15 milhões de euros de capital, nomeadamente da Brigtheye Ventures, da Redstone, da MSD, da Explorer e também do Grupo Luz Saúde e da Caixa Capital.

Com uma equipa de 70 pessoas, a UpHill está presente em cerca de 550 unidades de saúde, em que se incluem cerca de metade dos hospitais nacionais, quer públicos, quer privados. Tem igualmente uma presença forte em Espanha, estando presente nos três maiores hospitais, dominando toda a região cantábrica, mercado no qual está a apostar. Na Europa, já marca presença também em hospitais do Reino Unido e na Itália. No entanto, já está de olho em outros mercados.“A Alemanha é um mercado com bastante potencial. Os hospitais alemães foram digitalizados há apenas cinco anos, os nossos já foram há bastante mais tempo. Nós temos um sistema de prescrição centralizada. A Alemanha não tem, é ainda tudo feito com receitas em papel”, refere o líder da UpHill. E acrescenta: “Na Alemanha não é possível haver partilhas de dados entre uma clínica privada, centros de saúde e o hospital. Estes países estão a olhar para Portugal como um exemplo do que é uma integração de cuidados eficiente e com resultados em saúde”. E explica que este é um problema tão grave na Alemanha, que o país já investiu, há cinco anos, várias centenas de milhões de euros para os hospitais serem digitalizados, mas está a reforçar esse investimento, para que os hospitais possam ser automatizados.
“Sistemas de saúde e hospitais por toda a Europa estão a ter conhecimento do nosso trabalho, e estão a abordar-nos, porque conhecem os casos de sucesso em ambiente hospitalar, na linha da frente. Por isso temos uma ambição europeia muito significativa para 2026 e 2027”, explica Eduardo Freire Rodrigues.
As vantagens da nova plataforma
Assim, a nova plataforma agora lançada, apresenta algumas melhorias face à versão anterior, segundo a empresa. Apresenta maior flexibilidade para doentes e profissionais de saúde, já que os doentes deixam de estar limitados a um único algoritmo clínico ou fluxo de trabalho rígido e passam a ser geridos através de um plano de cuidados único e coordenado, em vez de percursos clínicos fragmentados. Os clínicos passam a dispor de uma visão única de toda a população de doentes sob a sua responsabilidade, priorizada por urgência e fase do percurso clínico, em vez de trabalharem caso a caso.
Além disso, é agora possível manter conversas naturais suportadas por IA: através do agente Hilly os doentes podem descrever sintomas por telefone, por chat, por formulários ou por aplicações hospitalares, em português, inglês ou espanhol, sem necessidade de questionários rígidos ou menus pré-definidos. Além disso melhora a automação de processos como o pedido de exame, prescrições, consultas de seguimento e notas clínicas que podem agora ser propostos, aprovados e agendados automaticamente nos sistemas hospitalares.
A plataforma ainda incluiu uma funcionalidade opcional de anotação scribe, que capta e estrutura automaticamente nova informação clínica, incluindo sintomas, alterações de cuidados e decisões médicas, em tempo real, atualizando continuamente o plano de cuidados do doente com base na informação mais recente.





