O ChatGPT, da OpenAI, continua a ser a aplicação de inteligência artificial mais utilizada do mercado, mas o domínio que conquistou desde o lançamento começou a perder força ao longo do último ano.
Segundo dados da Sensor Tower partilhados com a Forbes, o ChatGPT representou 47% dos downloads globais entre seis das principais aplicações de IA no segundo trimestre de 2026. No mesmo período de 2025, a aplicação representava 67% dos downloads totais deste segmento.
O ChatGPT tornou-se rapidamente a aplicação de consumo com crescimento mais rápido de sempre após o lançamento, atingindo 100 milhões de utilizadores até janeiro de 2023.
O Gemini, da Google, mantém-se como o segundo maior chatbot de IA em downloads, representando 22% do total no segundo trimestre de 2026. Ainda assim, o valor fica abaixo do pico de 34% registado no quarto trimestre de 2025.
O maior crescimento pertence ao Claude, da Anthropic. A aplicação já representa 14% dos downloads globais de aplicações de IA no segundo trimestre deste ano, depois de ter representado apenas 1% em cada trimestre de 2025.
A Sensor Tower indica também que os utilizadores ativos mensais do ChatGPT cresceram 67% em termos homólogos até ao momento em 2026. No entanto, o crescimento fica muito abaixo do Claude, que disparou 627% no mesmo indicador.
Apesar de o ChatGPT continuar claramente na liderança em utilização total, a consultora considera que os dados sugerem que os consumidores “podem estar mais abertos a explorar ofertas concorrentes de IA do que em 2025”.
A perda de quota de mercado do ChatGPT também se verifica no tráfego web. Dados da Similarweb mostram que, em abril de 2026, o chatbot da OpenAI representava 53,7% de todas as visitas a websites de chatbots de IA, abaixo dos 77,6% registados um ano antes.
Durante o mesmo período, o Gemini passou de cerca de 7% para 26,7% das visitas totais a plataformas de IA. Já o Claude subiu de aproximadamente 1% para 8%.
Apesar da liderança, o crescimento do ChatGPT aparenta estar a desacelerar. Segundo a Similarweb, o tráfego web global da plataforma aumentou apenas 7% em termos homólogos até abril de 2026.
Nesse mês, o ChatGPT registou uma média de 183,7 milhões de visitas web diárias, ligeiramente abaixo da média de 184,6 milhões registada em janeiro.
Também o número de utilizadores ativos diários em aplicações móveis praticamente estabilizou em 2026. Em abril, o ChatGPT registava uma média de 245 milhões de utilizadores ativos diários em dispositivos móveis a nível global, face aos 241 milhões registados em janeiro.
O crescimento do Claude ganhou particular destaque após um confronto público entre a Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos relacionado com um contrato governamental.
Em fevereiro, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um artigo no qual criticava a utilização da tecnologia da empresa para vigilância doméstica em massa e sistemas autónomos de armamento.
As declarações motivaram uma resposta do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, que classificou a Anthropic como um risco para a segurança nacional. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu ainda a empresa como “radical de esquerda” e “woke”.
Segundo a Similarweb, os downloads da aplicação Claude cresceram 55% numa única semana após a polémica. Durante o mesmo período, os downloads do ChatGPT caíram 5,6%, numa altura em que alguns utilizadores apelavam a um boicote à OpenAI.
No meio da controvérsia, a Anthropic lançou uma funcionalidade que permite aos utilizadores importar dados de outros chatbots para o Claude, tornando o sistema imediatamente familiarizado com preferências e histórico do utilizador.
Greg Feingold, gestor de projetos especiais da Anthropic, apresentou a funcionalidade numa publicação na rede social X com a mensagem: “Prontos para mudar?”
A OpenAI prepara-se agora para avançar com uma oferta pública inicial (IPO, Oferta Pública Inicial) já em setembro, segundo avançou recentemente o Wall Street Journal.
Também a Anthropic estará a preparar uma entrada em bolsa ainda este ano. O mesmo jornal norte-americano refere que a empresa deverá alcançar o primeiro trimestre lucrativo no segundo trimestre de 2026.
Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.





