Como a Pendular quer eliminar “desperdício operacional” que pesa nas organizações

A Pendular atua numa área muitas vezes invisível para o grande público, o procurement. Que vantagens é que tem para uma empresa se delegar esta tarefa a terceiros, ou seja, que benefícios tem de apostar no outsourcing de compras e gestão de contratos, sobretudo num contexto de pressão sobre custos? O procurement é, muitas vezes,…
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As PME representam a grande maioria do tecido empresarial em Portugal, mas, muitas vezes, não têm acesso a estruturas de procurement sofisticadas. Para colmatar esta situação e criar uma oferta adaptada à realidade de uma PME, a Pendular, empresa especializada em outsourcing de compras, apostou num leque de novos serviços capazes de trazer ganhos de eficiência às empresas, como nos explica Filipa Maranhão, a nova Diretora Geral da Pendular.
Negócios

A Pendular atua numa área muitas vezes invisível para o grande público, o procurement. Que vantagens é que tem para uma empresa se delegar esta tarefa a terceiros, ou seja, que benefícios tem de apostar no outsourcing de compras e gestão de contratos, sobretudo num contexto de pressão sobre custos?
O procurement é, muitas vezes, uma área silenciosa dentro das organizações, mas com um impacto direto e significativo na estrutura de custos e na eficiência operacional. Quando uma empresa decide externalizar estas funções, está, acima de tudo, a libertar recursos internos para aquilo que realmente cria valor, ou seja o core business do próprio negócio.

O nosso modelo assenta precisamente nessa lógica: simplificar processos que são complexos e dispersos. Trabalhamos com múltiplos fornecedores, consolidamos necessidades e garantimos uma gestão integrada que, internamente, exigiria uma estrutura muito mais pesada. Isto traduz-se não só em poupança, mas também em ganho de tempo, controlo e consistência para as empresas que decidem trabalhar connosco.

Num contexto de pressão sobre custos, o impacto é muito direto. Reduz-se a fragmentação de fornecedores, evitam-se compras redundantes, garantem-se condições negociadas de forma consistente e elimina-se desperdício operacional que, muitas vezes, não é visível no dia a dia, mas que pesa de forma significativa nas organizações.

“Quando uma empresa decide externalizar estas funções, está, acima de tudo, a libertar recursos internos para aquilo que realmente cria valor”

Referem que as poupanças podem chegar aos 30% nas compras. Onde é que está, na prática, esse potencial de eficiência que muitas organizações ainda não estão a aproveitar?
Esse potencial está, sobretudo, naquilo que não é visível no dia a dia. Muitas empresas têm processos de compra fragmentados, com diferentes áreas a negociar com os mesmos fornecedores, sem escala nem coordenação, o que resulta em condições menos competitivas e pouca consistência.

Há também uma perda significativa associada à falta de controlo ao longo do tempo. Condições negociadas acabam por se deteriorar, os contratos não são acompanhados de forma contínua e surgem desvios que passam despercebidos. A isto junta-se a ausência de centralização de informação, que dificulta a visão global e impede decisões mais estratégicas.

Acresce ainda o facto de, ao trabalhar com a Pendular, as empresas beneficiarem de uma maior escala negocial. Ao consolidarmos volumes de vários clientes, conseguimos aceder a condições mais competitivas e diferenciadas, que dificilmente seriam alcançadas de forma isolada.

Por outro lado, existe um impacto direto na eficiência interna. As equipas deixam de estar absorvidas por tarefas operacionais e administrativas, ficando mais disponíveis para funções estratégicas e de maior valor acrescentado.

Na prática, a eficiência não está apenas em negociar melhor, mas em garantir que todo o processo, da escolha do fornecedor à execução do contrato, é estruturado e acompanhado de forma contínua. Isto traduz-se não só em poupanças relevantes ao nível dos FSE [Fornecimentos e Serviços Externos], mas também na otimização de outros recursos internos, muitas vezes subvalorizados, mas com impacto significativo na estrutura de custos das organizações.

“Muitas empresas têm processos de compra fragmentados, com diferentes áreas a negociar com os mesmos fornecedores, sem escala nem coordenação”

Num contexto económico exigente, com inflação recente e volatilidade nos preços, quais são hoje os principais desafios que as empresas enfrentam na gestão de compras e contratos?
Num contexto de maior volatilidade, o principal desafio está na capacidade de antecipação e adaptação à variação constante de preços e condições de mercado. As empresas deixaram de operar num ambiente previsível e passaram a gerir custos que variam com frequência, o que exige uma monitorização muito mais próxima e contínua.

Além disto, existe ainda a dificuldade em garantir estabilidade nas condições negociadas. Contratos que, num determinado momento, eram competitivos, podem rapidamente deixar de o ser, o que obriga a uma revisão constante e a uma maior agilidade na relação com fornecedores. Isto implica não só renegociar com maior frequência, mas também estabelecer relações mais estratégicas e flexíveis, que permitam ajustar condições ao longo do tempo.

Outro desafio relevante está na gestão de risco associada à cadeia de fornecimento, nomeadamente na dependência de determinados fornecedores, na disrupção logística e na necessidade de garantir continuidade operacional sem comprometer custos ou qualidade.

“Contratos que, num determinado momento, eram competitivos, podem rapidamente deixar de o ser, o que obriga a uma revisão constante e a uma maior agilidade na relação com fornecedores”

O outsourcing tem vindo a ganhar espaço como solução. Ainda existe a perceção de que pode competir com equipas internas ou essa visão está a mudar?
Essa perceção ainda existe, sobretudo em mercados como o português. Portugal é um país de tradições, onde o segredo continua, muitas vezes, a ser visto como a alma do negócio, e permitir que alguém externo “entre” na organização nem sempre é facilmente aceite. Por força dessa ideia, em alguns casos, o procurement continua a ser encarado como uma função que deve permanecer dentro da organização.

No entanto, essa visão tem vindo a perder força, à medida que as empresas percebem que não se trata de substituir equipas internas, mas de as complementar e reforçar. O outsourcing permite trazer especialização e eficiência a processos que, internamente, tendem a ser fragmentados. Quando existe esta mudança de perspetiva, o impacto é claro: as equipas internas passam a focar-se em decisões estratégicas, enquanto a execução é assegurada por quem está dedicado exclusivamente a essa função.

“Portugal é um país de tradições, onde o segredo continua, muitas vezes, a ser visto como a alma do negócio, e permitir que alguém externo “entre” na organização nem sempre é facilmente aceite”

Assume a liderança da Pendular após vários anos como Diretora Financeira. Como é que se constrói uma liderança interna e o que muda na passagem para Diretora Geral?
A liderança interna constrói-se com tempo, consistência e conhecimento profundo da organização. No meu caso, resulta de um percurso de sete anos na empresa, que me permitiu conhecer não só o negócio, mas também a cultura, as pessoas e a forma como a Pendular cria valor.

A passagem para Diretora Geral representa, naturalmente, uma mudança de escala. Há uma maior responsabilidade na definição de rumo, na tomada de decisão e na capacidade de alinhar toda a organização em torno de objetivos comuns. Mas, ao mesmo tempo, há uma continuidade muito forte. Esta nomeação resulta da confiança do acionista e um passo natural na evolução da empresa.

Os principais desafios ao assumir esta função passam por preservar os valores e a cultura da Pendular, continuar a garantir a sua relevância num mercado em constante evolução e inovar de forma consistente, sem perder a identidade que nos distingue. Esta passagem trata-se de equilibrar tradição e modernidade, assegurando crescimento consistente e sustentável.

Além disto, pretendo construir uma liderança que inspire confiança e propósito, capaz de gerar na equipa um sentimento de orgulho na pertença e que crie as condições para que cada pessoa contribua para a excelência, a inovação e a sustentabilidade da empresa.

A Pendular tem vindo a diversificar a sua oferta, incluindo soluções digitais para PME. Que oportunidades vê neste segmento e que ambição tem para o crescimento da empresa nos próximos anos?
As pequenas e médias empresas representam a grande maioria do tecido empresarial em Portugal e, muitas vezes, não têm acesso a estruturas de procurement sofisticadas. É precisamente aqui que vemos uma oportunidade clara de criar valor.

Ao disponibilizar soluções mais acessíveis e digitalizadas, conseguimos levar às PME aquilo que, até agora, estava mais reservado a grandes organizações: eficiência, acesso a melhores condições e simplificação de processos. Desta forma, a Pendular consegue ser um verdadeiro braço direito, libertando recursos, simplificando processos e garantindo acesso às melhores condições e fornecedores.

Em termos de crescimento, a ambição é clara. Depois de termos fechado 2025 com um volume de negócios próximo dos 4,5 milhões de euros, prevemos crescer cerca de 20% em faturação até ao final de 2026. Esse crescimento será sustentado não só pela expansão da base de clientes, mas também pelo crescimento orgânico da atual base de clientes.

“Prevemos crescer cerca de 20% em faturação até ao final de 2026”

A empresa tem também atravessado várias crises ao longo da sua história. O que é que essas fases ensinaram sobre resiliência e adaptação do modelo de negócio?
A história da Pendular é, em grande medida, uma história de adaptação. Ao longo de mais de 25 anos, a empresa atravessou diferentes contextos económicos, sempre com a capacidade de ajustar o seu modelo sem perder a sua identidade.

Essas fases ensinaram-nos que a resiliência não está apenas na capacidade de resistir, mas na capacidade de evoluir. De questionar processos, de ajustar abordagens e de continuar a encontrar formas de acrescentar valor aos clientes, mesmo em cenários adversos. Hoje, essa experiência traduz-se numa organização mais preparada, mais ágil e com uma cultura de inconformismo que continua a ser um dos nossos principais pilares.

“A resiliência não está apenas na capacidade de resistir, mas na capacidade de evoluir”

Olhando para o futuro, como é que imagina a evolução do procurement, nomeadamente com a digitalização e o recurso a tecnologia, incluindo inteligência artificial?
O procurement está a entrar numa nova fase, fortemente marcada pela digitalização, pela automação e pela utilização de dados para suportar decisões mais informadas. A tecnologia vai permitir processos mais rápidos, mais eficientes e com maior capacidade de previsão.

No entanto, acredito que o verdadeiro diferencial continuará a estar na forma como combinamos essa tecnologia com conhecimento humano. O procurement não é apenas um exercício de dados; envolve contexto, negociação, relação e capacidade de adaptação. Mais do que substituir o fator humano, a tecnologia e inteligência artificial vêm reforçar a sua importância.

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