Guerra no Irão: Preço dos principais produtos agrícolas poderá subir 8,5% este ano

Que a guerra no Irão está a ter forte impacto económico, ninguém tem dúvidas. O aumento do preço dos combustíveis é um dos mais visíveis, que afeta famílias e empresas há semanas, mas não é o único. As suas consequências estão a chegar a várias regiões e setores, ainda que de forma diferenciada. A Crédito…
ebenhack/AP
Analistas da Crédito y Cáucion preveem que, num cenário mais pessimista de encerramento do estreito de Ormuz por mais seis meses, o preço médio global dos principais produtos agrícolas base poderá aumentar 8,5% já este ano e 3,8% em 2027.
Economia

Que a guerra no Irão está a ter forte impacto económico, ninguém tem dúvidas. O aumento do preço dos combustíveis é um dos mais visíveis, que afeta famílias e empresas há semanas, mas não é o único. As suas consequências estão a chegar a várias regiões e setores, ainda que de forma diferenciada. A Crédito Y Caución, marca de seguros de crédito interno e de exportação em Portugal, tem vindo a analisar este impacto, tendo em conta dois cenários de duração do conflito.

O cenário base prevê um acordo de paz rápido e o fim do bloqueio do estreito de Ormuz este mês de maio, e o cenário mais pessimista baseia-se num cenário de encerramento durante seis meses. Os analistas da seguradora focam-se nos setores mais afetados pela dependência do petróleo e seus derivados, como é o caso da indústria agroalimentar. O resultado imediato do conflito traduz-se num aumento dos preços do petróleo e do gás, que tem impacto no preço dos alimentos e, consequentemente, uma inflação mais elevada, seguida de uma redução no consumo dos consumidores. Se os bancos centrais aumentarem as taxas de juro para aliviar a pressão inflacionária, os custos de financiamento aumentam. Desta forma, é gerada uma reação em cadeia com grande impacto na saúde financeira das empresas.

Além do agroalimentar, outro setor que sofrerá forte impacto é o dos transportes, sobretudo o marítimo, já que um aumento de cerca de 50% no preço dos combustíveis poderá conduzir a um aumento estimado entre os 15% e os 20%, afetando sobretudo as economias asiáticas.

No caso particular do setor agroalimentar, o aumento do preço dos fertilizantes resultará no aumento do preço dos bens alimentares durante este ano. Mas não é só isto que terá reflexo: o aumento dos preços da energia tem impactos em todas as fases da produção alimentar. Desde a plantação à colheita, passando pelo processamento, pelo armazenamento e pelo transporte, todas estas etapas consomem energia, cujo aumento do preço terá reflexo na produção final. Assim, a Crédito y Cáucion estima que o preço médio global dos principais produtos agrícolas base poderá aumentar 8,5% este ano e 3,8% em 2027. A empresa refere ainda que estes níveis estão longe das estimativas de aumento antes do conflito, que se situavam nos 0,7% e 2,5% respetivamente.

Além do agroalimentar, outro setor que sofrerá forte impacto é o dos transportes, sobretudo o marítimo, já que um aumento de cerca de 50% no preço dos combustíveis poderá conduzir a um aumento estimado entre os 15% e os 20%, afetando sobretudo as economias asiáticas. No caso do transporte terrestre, a guerra está a agravar uma situação já existente em várias economias: a concorrência apertada, a escassez de mão-de-obra e os salários elevados contribuem para comprimir ainda mais as margens comerciais.

Devido ao impacto da crise energética, a indústria transformadora europeia deverá contrair 0,2% já este ano, ou, num cenário mais pessimista, 1,9%.

A Crédito y Cáucion debruça a sua análise também no fornecimento de metais essenciais, que são estratégicos para alguns setores. No caso do alumínio, a região do Golfo gera 10% da produção mundial deste metal, grande parte transportada pelo estreito de Ormuz. A quebra deste fornecimento traria uma crise global ao nível dos preços desta matéria-prima.

Olhando para as diversas economias, os países do Médio Oriente são os mais afetados por estes constrangimentos, devido à sua dependência na exportação dos combustíveis fósseis, bem como químicos e metais. Na região Ásia-Pacífico, a exceção vai para a China, que sofrerá um menor impacto.

A Europa é um grande consumidor de gás do Golfo, a que se soma uma crise energética provocada pela guerra na Ucrânia. Estima-se que estes dois fatores tenham um impacto negativo na indústria transformadora europeia, que deverá contrair 0,2% já este ano, ou, num cenário mais pessimista, 1,9%.

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