Com o arranque de mais um Vodafone Rally de Portugal (a 59ª edição), o país volta a estar no centro do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC, World Rally Championship). A prova, que decorre entre 7 e 10 de maio e é organizada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), corresponde à sexta ronda do calendário mundial e soma 23 classificativas, num total de 344,91 quilómetros cronometrados inseridos num percurso global de 1874,58 quilómetros.
Apaixonados por automóveis, milhares de portugueses irão deslocar-se nos próximos dias aos diversos locais onde os carros do WRC irão passar, entre asfalto, poeira e, possivelmente, lama, dada a possibilidade de chuva.
A estrutura do rali mantém a base operacional na Exponor, em Matosinhos, mas estende-se por 17 municípios das regiões norte e centro, incluindo Águeda, Albergaria a-Velha, Amarante, Arganil, Cabeceiras de Basto, Coimbra, Fafe, Felgueiras, Figueira da Foz, Góis, Lousã, Lousada, Matosinhos, Mortágua, Paredes, Sever do Vouga e Vieira do Minho. No total, estão inscritos 67 pilotos de 22 nacionalidades, distribuídos pelas categorias Rally1, WRC2, WRC3 e Junior WRC.
Início dia 7 de maio, em Coimbra
A ação arranca oficialmente esta quinta-feira, 7 de maio, com a cerimónia de partida em Coimbra, junto à Cidade Universitária, às 14h00. Antes disso, realiza-se a tradicional sessão de autógrafos com os pilotos. O primeiro dia inclui três classificativas, começando com Águeda–Sever, com 15,08 quilómetros, seguindo-se Sever–Albergaria, com 20,24 quilómetros, e terminando com a superespecial da Figueira da Foz, com apenas 1,93 quilómetros, a mais curta do rali.
Dia 8 de maio
Na sexta-feira, o ritmo intensifica-se com 96,22 quilómetros cronometrados distribuídos por sete classificativas. O dia começa cedo, às 6h00, com partida da Figueira da Foz, e inclui duas passagens por Mortágua, com 14,59 quilómetros, Arganil, com 18,62 quilómetros, e Lousã, com 7,07 quilómetros, além de uma única passagem por Góis, com 15,66 quilómetros. A especial da Lousã regressa ao calendário do WRC após vários anos de ausência, num traçado conhecido pela sua exigência técnica.
Dia 9 de maio
O sábado representa o maior desafio da prova, com 145,88 quilómetros cronometrados e nove classificativas. O dia começa em Matosinhos e inclui dupla passagem por Felgueiras, com 8,81 quilómetros, Cabeceiras de Basto, com 19,91 quilómetros, Amarante, com 26,24 quilómetros, o troço mais longo desta edição, e Paredes, com 16,09 quilómetros. O dia termina com a superespecial de Lousada, no circuito da Costilha, um dos momentos mais aguardados pelo público, marcado por duelos diretos num traçado também utilizado no rallycross.

Dia 10 de maio
O derradeiro dia, domingo, concentra-se em duas classificativas emblemáticas, ambas percorridas por duas vezes: Vieira do Minho, com 21,60 quilómetros, e Fafe, com 11,18 quilómetros. A segunda passagem por Fafe assume o estatuto de Power Stage, atribuindo pontos adicionais e encerrando a competição, com o pódio final a realizar-se igualmente nesta localidade. É, de resto, em Fafe que se viverá um dos momentos mais aguardados pelos espetadores quando os carros fizerem o icónico salto da Pedra Sentada.

Influência da meteorologia
A edição de 2026 decorre sob incerteza meteorológica, com previsão de aguaceiros, potencialmente intensos, a partir de sexta-feira e ao longo do fim de semana. As condições poderão ter impacto direto na escolha de pneus e na estratégia das equipas, sobretudo no sábado, considerado decisivo, e no domingo, onde a combinação de troços longos e piso degradado poderá dificultar a luta pelos últimos pontos.
Favoritos à vitória no Rally de Portugal
Em termos históricos, o Vodafone Rally de Portugal mantém-se como uma das provas mais emblemáticas do WRC. Sébastien Ogier (piloto Toyota GAZOO Racing WRC) é o mais bem-sucedido na história do rali português, com sete vitórias, tendo também triunfado em 2024 e 2025. Ogier (nove vezes campeão mundial) terá de enfrentar como principais concorrentes o belga Thierry Neuville (campeão mundial em 2024 e chefe de fila da Hyundai), o francês Adrien Fourmaux (Hyundai) e todos os seus restantes quatro colegas da equipa Toyota: o galês Elfyn Evans, o finlandês Sami Pajari, o japonês Takamoto Katsuta e o sueco Oliver Solberg. A vitória deverá sair de um destes nomes.
A nipónica Toyota Gazoo Racing WRT chega, aliás, a esta edição do Vodafone Rally de Portugal com uma confortável vantagem nos campeonatos de construtores e de pilotos do WRC (tem mais 98 pontos sobre a Hyundai Shell Mobis WRT).
A “armada” japonesa da Toyota no Rally de Portugal é vasta e a principal favorita à vitória: cinco dos 11 carros da Rally1 em Portugal são da marca Toyota. Os restantes são Hyundai (três carros) e Ford (3 carros).
A Toyota é, por isso, a grande favorita à vitória em Portugal, tendo já vencido todas as cinco etapas até agora disputadas no Campeonato do Mundo de Ralis 2026 (WRC), embora com quatro pilotos diferentes: Oliver Solberg (vencedor em Monte Carlo), Elfyn Evans (vitória na Suécia e líder do WRC após cinco etapas), Takamoto Katsuta (triunfos no Quénia e Croácia) e Sébastien Ogier (vencedor nas Canárias).
Portugueses em competição
O Rally de Portugal é uma prova também pontuável para o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), embora para esse efeito a competição só considera a pontuação dos dias 7 e 8 de maio, quinta e sexta-feira.
Serão 14 as duplas portuguesas participantes no rali, das quais 13 na categoria Rally2: Armindo Araújo/Luís Ramalho, José Pedro Fontes/Inês Ponte, Ricardo Teodósio/José Teixeira, Pedro Meireles/Mário Castro, Rúben Rodrigues/Rui Raimundo, Gonçalo Henriques/Inês Veiga, Pedro Almeida/António Costa, Diogo Marujo/Jorge Carvalho, Hugo Lopes/Magda Oliveira, Paulo Neto/Carlos Magalhães, Diogo Salvi/Gonçalo Cunha, Ricardo Filipe/Filipe Carvalho e Tiago Silva/Jorge Henriques. Por seu lado, Hélder Miranda/Vitor Pereira irá competir em Rally4.
Dos portugueses que alinham à partida na categoria Rally2, Armindo Araújo (em Skoda Fabia RS) é a principal referência. Na história do Rally de Portugal, Araújo foi o melhor representante nacional por 14 vezes e venceu, inclusive, por três vezes a prova. Parte com o objetivo de voltar a ser o melhor entre os portugueses.
Registo também para o facto de três duplas portuguesas terem navegadores do sexo feminino. São elas José Pedro Fontes/Inês Pontes (Lancia Ypsilon HF), Gonçalo Henriques/Inês Veiga (Hyundai i20 N) e Hugo Lopes/Magda Oliveira (Hyundai i20 N).





