A Mastercard realizou, pela primeira vez em Portugal, uma transação real com recurso a um agente de inteligência artificial, no mesmo dia em que oficializou a abertura do seu Centro de Excelência para a Inovação em Lisboa. A demonstração, feita com credenciais de um cartão português, assinala um passo na evolução dos sistemas de pagamento digitais baseados em IA.

“O que nós assistimos hoje foi uma transação ‘agentic’ feita com credenciais de um cartão português, ou seja, uma transação real”, afirmou Paulo Raposo, country manager da Mastercard em Portugal, em declarações aos jornalistas no final do evento.
A tecnologia em causa, designada Agent Pay, permite que agentes de IA iniciem e concluam pagamentos em nome de consumidores ou empresas, mantendo processos de autenticação e controlo. Segundo a empresa, estes sistemas incluem mecanismos que garantem a legitimidade da transação e permitem ao utilizador cancelar a operação a qualquer momento.

Paulo Raposo sublinhou que, do ponto de vista técnico, o sistema está preparado para avançar para uma fase comercial: “É uma questão de deployment comercial, ou seja, do ponto de vista prático, os cartões portugueses hoje estão todos preparados para entrarem em ‘agentic’.” O responsável acrescentou que o papel da empresa passa por assegurar a infraestrutura necessária: “O nosso papel é fazer o enablement de todos os cartões e isso está feito.”
Entre os principais desafios, o gestor destacou a necessidade de garantir confiança nos sistemas baseados em inteligência artificial: “Nós temos que o certificar, temos que garantir que aquele agente é um agente bom porque sabemos claramente que o espaço da IA vai ajudar muito a vida dos consumidores e das empresas, mas também vai criar desafios.”
Inauguração oficial do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard em Lisboa
A apresentação desta tecnologia coincidiu com a inauguração oficial do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard em Lisboa, uma estrutura que reúne cerca de 600 profissionais altamente qualificados, com uma média de idades de 34 anos e 38 nacionalidades, sendo 72% portugueses. O centro começou a ser desenvolvido há cerca de cinco anos e evoluiu até se tornar parte da rede europeia de inovação da empresa.
“O que foi claro para nós foi que havia talento, havia condições para trazer essas pessoas e estamos agora num patamar em que claramente o Centro de Excelência faz sentido”, afirmou Paulo Raposo, acrescentando que o hub trabalha em áreas como engenharia de software, ciência de dados, cibersegurança, combate à fraude e desenvolvimento de produto.
A Mastercard descreve-se hoje como uma empresa tecnológica com um âmbito mais alargado do que os pagamentos tradicionais. “Hoje estamos muito para lá do cartão”, afirmou o responsável, ainda que reconheça que este continua a ser um elemento central no ecossistema.
Entre as áreas de atuação do centro em Lisboa estão plataformas de dados, soluções de prevenção de fraude baseadas em IA, serviços de tokenização, verificação de identidade e apoio a novos modelos de pagamento, incluindo comércio “agentic” e stablecoins.

Kelly Devine, presidente da Mastercard na Europa, enquadrou o investimento na estratégia mais ampla da empresa: “O nosso compromisso de investir em vários mercados europeus reflete uma estratégia centrada na inovação. Portugal tem capacidade para acolher e desenvolver operações tecnológicas em grande escala, contribuindo para a competitividade e a força internacional do país.”
“Portugal tem capacidade para acolher e desenvolver operações tecnológicas em grande escala”, diz Kelly Devine.
Presente na conferência, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, destacou o impacto do investimento na cidade: “Lisboa é hoje uma das cidades mais atrativas da Europa. A nossa estratégia tem apenas um objetivo: criar emprego de qualidade para os lisboetas, que permita ter uma boa qualidade de vida e melhores salários.”

Já o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou que o projeto ilustra o papel das parcerias entre setor público e privado: “A Mastercard é um exemplo claro de como as parcerias entre o setor público e empresas líderes podem acelerar a transformação do país. Portugal não quer apenas acompanhar o mundo. Quer liderá-lo.”
A empresa não revelou o valor do investimento realizado em Lisboa, mas enquadrou esta aposta numa estratégia europeia mais ampla, que inclui, por exemplo, a criação de três centros de dados em Paris, num investimento de 250 milhões de euros, com o objetivo de reforçar a infraestrutura local de pagamentos digitais.
com Lusa





