E se os multimilionários nunca tivessem doado? O ranking sofre alterações

A Forbes voltou a calcular a riqueza dos multimilionários mais ricos do planeta, desta vez somando o que foi doado a causas sociais, para perceber como seria o ranking se essas fortunas nunca tivessem sido parcialmente distribuídas. A questão que tentamos responder é como seria o ranking se os maiores filantropos do mundo, como Warren…
ebenhack/AP
A Forbes recalculou a fortuna dos maiores multimilionários para voltar a incluir o que doaram a causas sociais. O resultado altera posições e revela quem subiria no ranking se nunca tivesse contribuído para a filantropia.
Líderes

A Forbes voltou a calcular a riqueza dos multimilionários mais ricos do planeta, desta vez somando o que foi doado a causas sociais, para perceber como seria o ranking se essas fortunas nunca tivessem sido parcialmente distribuídas.

A questão que tentamos responder é como seria o ranking se os maiores filantropos do mundo, como Warren Buffett, que já doou mais de metade das suas ações da Berkshire Hathaway, e Bill Gates, que transferiu mais de 60 mil milhões de dólares (cerca de 51,3 mil milhões de euros) para a Fundação Gates com a ex-mulher Melinda French Gates, nunca tivessem feito essas doações?

Para responder, a Forbes ajustou as fortunas assumindo que esses ativos nunca saíram da posse dos seus proprietários e que as doações em dinheiro teriam sido investidas com retornos de mercado.

O resultado é o ranking de “verdadeira fortuna”, apresentado pelo chief content officer da Forbes, Randall Lane, numa recente TED Talk.

Nesse cenário, Elon Musk continuaria a ser, de longe, a pessoa mais rica do mundo, com um património avaliado em 839 mil milhões de dólares (cerca de 717 mil milhões de euros) na lista anual World’s Billionaires da Forbes. Ainda assim, surge também entre os menos filantrópicos. Musk transferiu 8,5 mil milhões de dólares (cerca de 7,27 mil milhões de euros) em ações da Tesla para as suas fundações, o equivalente a 1% da sua fortuna, mas a maior parte desse montante permanece por utilizar. Estima-se que apenas 500 milhões de dólares (cerca de 428 milhões de euros), ou 0,06% do seu património, tenham sido efetivamente distribuídos.

Musk mantém o primeiro lugar, graças à sua vantagem significativa face aos restantes. No entanto, perde terreno para alguns dos seus contemporâneos mais generosos. Bill Gates, por exemplo, doou cerca de 731 milhões de ações da Microsoft. Se tivesse mantido essas participações, que valorizaram quase sete vezes desde 2000, seria hoje quatro vezes mais rico e ocuparia o segundo lugar global, em vez da 19.ª posição. Warren Buffett também subiria significativamente, passando de nono para terceiro, caso nunca tivesse doado ações da Berkshire Hathaway, cujo valor aumentou 700% desde 2006.

Outros nomes registariam subidas ainda mais expressivas. MacKenzie Scott, por exemplo, ascende 58 posições até ao 26.º lugar. Já Jeff Bezos, que contribuiu menos para a filantropia, sairia do top 5 nesta nova ordenação.

#1. Elon Musk
Fortuna ajustada: 858 mil milhões de dólares (cerca de 735 mil milhões de euros), +19 mil milhões de dólares (cerca de 16,2 mil milhões de euros)
FOCO FILANTRÓPICO: STEM, saúde

Musk transferiu a maior parte dos 8,5 mil milhões de dólares (cerca de 7,27 mil milhões de euros) em ações da Tesla para a Musk Foundation ao longo de 13 meses até dezembro de 2024. Estas doações, dedutíveis em termos fiscais, terão reduzido o montante devido ao IRS norte-americano após a venda de 39 mil milhões de dólares (cerca de 33,4 mil milhões de euros) em ações da Tesla, realizada em grande parte para financiar a aquisição do Twitter por 44 mil milhões de dólares (cerca de 37,6 mil milhões de euros). A fundação mantém grande parte desses ativos e, em vários anos, não distribuiu sequer 5% do seu património, como exige a lei federal. Pelo menos 600 milhões de dólares (cerca de 513 milhões de euros) foram transferidos para outra entidade criada por Musk em 2022, a The X Foundation, com o objetivo declarado de financiar uma escola independente focada em STEM e, futuramente, uma universidade perto das instalações da SpaceX no Texas.


#2. Bill Gates
Fortuna ajustada: 464 mil milhões de dólares (cerca de 397 mil milhões de euros), +356 mil milhões de dólares (cerca de 304,5 mil milhões de euros)
FOCO FILANTRÓPICO: Saúde, combate à pobreza

Bill Gates e Melinda French Gates canalizaram 60 mil milhões de dólares (cerca de 51,3 mil milhões de euros) para a Fundação Gates desde 2000, incluindo ações da Microsoft que hoje valeriam cerca de 287 mil milhões de dólares (cerca de 245 mil milhões de euros). Este montante representa um acréscimo superior ao património atual de quase todos os outros multimilionários. Gates doou ainda 12,5 mil milhões de dólares (cerca de 10,7 mil milhões de euros) a iniciativas de empoderamento feminino após a saída de Melinda da fundação em 2024. Em maio, anunciou que a Fundação Gates irá gastar 200 mil milhões de dólares (cerca de 171 mil milhões de euros) e encerrar até 2045. Em 2010, Gates e Buffett criaram o Giving Pledge, incentivando multimilionários a doar a maior parte das suas fortunas.


#3. Warren Buffett
Fortuna ajustada: 363 mil milhões de dólares (cerca de 310 mil milhões de euros), +214 mil milhões de dólares (cerca de 183 mil milhões de euros)
FOCO FILANTRÓPICO: Saúde, combate à pobreza

Em 2006, Warren Buffett anunciou que iria doar quase toda a sua fortuna. Desde então, já doou mais de 278 mil ações classe A da Berkshire Hathaway, que hoje valeriam cerca de 200 mil milhões de dólares (cerca de 171 mil milhões de euros). A maior parte foi destinada à Fundação Gates, bem como a organizações geridas pelos seus filhos e a uma fundação em nome da sua falecida mulher.


#4. Larry Page
Fortuna ajustada: 284 mil milhões de dólares (cerca de 243 mil milhões de euros), +27 mil milhões de dólares (cerca de 23,1 mil milhões de euros)
FOCO FILANTRÓPICO: Alterações climáticas, saúde

O cofundador da Google transferiu ações para a Carl Victor Page Memorial Foundation que hoje valeriam mais de 23 mil milhões de dólares (cerca de 19,7 mil milhões de euros). A organização detém mais de 7 mil milhões de dólares (cerca de 6 mil milhões de euros) em ativos e já distribuiu quase 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,71 mil milhões de euros), sobretudo através de fundos com menor transparência e sem obrigações mínimas de distribuição.


#5. Sergey Brin
Fortuna ajustada: 278 mil milhões de dólares (cerca de 238 mil milhões de euros), +41 mil milhões de dólares (cerca de 35,1 mil milhões de euros)
FOCO FILANTRÓPICO: Parkinson, alterações climáticas

Sergey Brin transferiu cerca de 131 milhões de ações da Alphabet para veículos filantrópicos, incluindo a sua fundação. Já foram distribuídos cerca de 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,28 mil milhões de euros), incluindo mais de 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,71 mil milhões de euros) para investigação sobre a doença de Parkinson. No último ano, doou ainda 345 milhões de dólares (cerca de 295 milhões de euros) a organizações ligadas às alterações climáticas.


MacKenzie Scott
Fortuna ajustada: 82,8 mil milhões de dólares (cerca de 70,8 mil milhões de euros), +28,6 mil milhões de dólares (cerca de 24,5 mil milhões de euros)
POSIÇÃO: #26 (vs. #84)

MacKenzie Scott já doou mais de 26 mil milhões de dólares (cerca de 22,2 mil milhões de euros) a mais de 2.500 organizações. Caso tivesse mantido a participação de 4% na Amazon obtida no divórcio de Jeff Bezos, estaria entre os 30 mais ricos do mundo.


Dustin Moskovitz
Fortuna ajustada: 35,9 mil milhões de dólares (cerca de 30,7 mil milhões de euros), +10,3 mil milhões de dólares (cerca de 8,81 mil milhões de euros)
POSIÇÃO: #64 (vs. #316)

O cofundador da Asana e do Facebook tem canalizado ações para causas como prevenção da malária e segurança da inteligência artificial, incluindo um investimento inicial na Anthropic.


Reed Hastings
Fortuna ajustada: 20,5 mil milhões de dólares (cerca de 17,5 mil milhões de euros), +5,3 mil milhões de dólares (cerca de 4,53 mil milhões de euros)
POSIÇÃO: #131 (vs. #806)

O cofundador da Netflix doou mais de um quarto das suas ações, bem como cerca de 2,2 mil milhões de dólares (cerca de 1,88 mil milhões de euros) a organizações, incluindo 120 milhões de dólares (cerca de 102,6 milhões de euros) a universidades historicamente negras em 2020.


Lynn Schusterman
Fortuna ajustada: 15,8 mil milhões de dólares (cerca de 13,5 mil milhões de euros), +4,4 mil milhões de dólares (cerca de 3,76 mil milhões de euros)
POSIÇÃO: #188 (vs. #972)

A família Schusterman colocou 2,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,97 mil milhões de euros) na sua fundação em 2011 e distribui atualmente mais de 300 milhões de dólares (cerca de 256,6 milhões de euros) por ano.


John Arnold
Fortuna ajustada: 12,8 mil milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de euros), +2,8 mil milhões de dólares (cerca de 2,39 mil milhões de euros)
POSIÇÃO: #239 (vs. #1504)

John Arnold deixou a gestão de fundos em 2012 para se dedicar à filantropia. A Arnold Ventures, que fundou com a mulher Laura, já investiu mais de 2,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,97 mil milhões de euros) em reformas nos sistemas de justiça, saúde e ensino superior.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

Mais Artigos