A CHEP, empresa que fornece soluções para cadeia de abastecimento, é uma marca que faz parte do grupo Brambles, multinacional na área de cadeias de abastecimento e logística. Esta empresa que foi classificada, em 2024, pela Corporate Knights, na sua lista Global 100, como a segunda empresa mais sustentável do mundo, está cotada na bolsa australiana. A capitalização bolsista da Brambles – faturou, em 2025, cerca de 6,7 mil milhões de dólares (cerca de 5,7 mil milhões de euros) – ronda atualmente os 20 mil milhões de euros.
Presente em Portugal desde 1993, a CHEP gere uma rede de partilha, reparação e reutilização de paletes e contentores conectados, atuando diretamente na chamada economia circular. No fundo, a marca nasceu para apoiar as empresas a otimizar as suas cadeias de abastecimento e reduzir custos e minimizar o impacto ambiental das suas operações. A nível mundial, a CHEP gere aproximadamente 347 milhões de paletes e contentores através de uma rede de mais de 750 centros de serviço. Ocupa cerca de 11 mil pessoas em todo o mundo, com as suas maiores operações na América do Norte e na Europa. Em Portugal, regista cerca de 13 milhões de movimentos de paletes por ano, trabalha com aproximadamente 750 clientes, e opera através de 10 centros de serviço e assegura uma rede de cerca de 7,2 mil pontos de entrega. A sua presença é mais forte em categorias como dry food, soft drinks, cerveja e frutas e legumes, sendo um modelo amplamente adotado pelos principais retalhistas.
No início deste ano, a empresa anunciou a integração das suas operações em Portugal e Espanha sob uma estrutura única: a CHEP Ibéria. A nova estrutura passou a ser liderada pelo espanhol Javier Sánchez, que assume a função de Country General Manager, passando a anterior responsável pelo mercado nacional, Paula Sardinha, a diretora de Customer Excellence Iberia. Em entrevista à Forbes Portugal, Javier Sánchez revela alguns pormenores – os possíveis para uma empresa cotada – da nova estratégia.
A CHEP é uma multinacional que opera no setor das paletes e que tem presença em Portugal desde 1993. Qual foi a evolução que a atividade da empresa registou no mercado nacional?
Desde essa data que o sistema de gestão de paletes da CHEP em Portugal evoluiu rapidamente e alcançou uma ampla aceitação, tornando‑se uma parte crítica da infraestrutura da cadeia de abastecimento do país. Esta evolução reflete‑se tanto na escala como no impacto. Hoje, a CHEP Portugal é líder de mercado, colabora com cerca de 750 clientes, assegura mais de 10 milhões de movimentos de paletes por ano, opera uma rede de nove centros de serviço em todo o país e serve mais de 7.200 pontos de entrega a nível nacional. Todos os principais retalhistas em Portugal utilizam atualmente o modelo de pooling, o que demonstra a maturidade do mercado e o valor de normas comuns em cadeias de abastecimento cada vez mais complexas. A adoção tem sido particularmente forte no setor dos bens de grande consumo onde a disponibilidade, a qualidade e a eficiência operacional são essenciais.
O que motivou a reestruturação da atividade criando a CHEP Iberia? Faz mais sentido os dois mercados ibéricos unidos?
A criação da CHEP Iberia é uma evolução natural da forma como os nossos clientes operam e de como as cadeias de abastecimento funcionam hoje na Península Ibérica. Muitos dos nossos principais clientes gerem operações ibéricas integradas e esperam os mesmos níveis de serviço, consistência e capacidade de resposta em Portugal e em Espanha. Alinhar a nossa organização com esta realidade permite‑nos servi‑los melhor.
Ao reunir os dois mercados numa única estrutura ibérica, reforçámos a proximidade ao cliente, simplificámos a tomada de decisão e alinhámos prioridades em toda a região. Esta integração permite uma gestão de rede mais eficiente, melhor coordenação e respostas mais rápidas às necessidades dos clientes. Reconhecer a Península Ibérica como um único ecossistema logístico também sustenta a nossa ambição mais ampla de construir um negócio mais centrado no cliente, preparado para o futuro e sustentável. Isso reforça a nossa capacidade de colaborar com os clientes em escala e de continuar a gerar valor através do modelo circular e partilhado de pooling da CHEP.
De que forma a empresa vai conseguir potenciar as sinergias dos dois mercados? Que investimentos estão a ser feitos nesse sentido?
As principais sinergias resultam da gestão da Península Ibérica como uma rede única e integrada, em vez de dois mercados separados. Isto permite otimizar o planeamento de capacidade, equilibrar melhor a nossa rede e melhorar simultaneamente a eficiência operacional e os resultados ambientais. Uma maior normalização de processos e de padrões de qualidade em toda a região garante também um serviço mais consistente e fiável para os clientes.
Para apoiar esta transformação e responder à crescente procura de automatização e de padrões de qualidade mais elevados, já estamos a realizar investimentos direcionados em toda a Ibéria. Estes incluem o desenvolvimento de novos centros de serviço e a modernização dos existentes, equipados com tecnologias de última geração.

Qual o valor dos investimentos previstos para os próximos anos? Para onde serão canalizados?
Nesta fase, o mais importante para o mercado não é um valor de investimento específico, mas sim a orientação clara dos nossos investimentos e o valor que pretendem gerar. Estes investimentos têm como objetivo reforçar a resiliência e a eficiência da nossa rede, garantindo simultaneamente níveis elevados e consistentes de experiência para o cliente. Permitem‑nos manter as paletes em circulação de forma segura, eficiente e em grande escala, ao mesmo tempo que reduzimos desperdícios, quilómetros e impacto ambiental ao longo da cadeia de abastecimento.
Qual é o volume de negócios da empresa no mercado ibérico?
O mercado ibérico representa um contributo significativo para o negócio europeu da CHEP. Esta dimensão reflete a maturidade do modelo de pooling na região e as relações sólidas e de longa data que estabelecemos com os principais fabricantes e retalhistas. A Ibéria é um mercado em que a adoção por parte dos clientes é elevada, os padrões operacionais estão bem consolidados e a colaboração é intensa, com Portugal a desempenhar um papel absolutamente crítico.
Quanto pretendem crescer com a nova integração? Em volume de negócios, em novos clientes, em novas áreas?
A nossa ambição passa por continuar a crescer de forma sustentável, em conjunto com os nossos clientes. Num contexto de persistente incerteza económica, o nosso foco está claramente num crescimento sustentável a longo prazo, não como um objetivo de volume de curto prazo, mas como uma estratégia disciplinada para aprofundar relações com clientes, apoiar setores prioritários e reforçar o nosso papel como parceiro de confiança nas cadeias de abastecimento da região. No centro desta ambição está uma convicção simples: a colaboração é o ingrediente decisivo na construção das cadeias de abastecimento do futuro.
De que forma a sua liderança vai ter impacto na definição da estratégia de crescimento neste mercado? Como está a aplicar a sua experiência com outros mercados internacionais onde já trabalhou?
Estou determinado a garantir que a estratégia se traduza numa execução disciplinada. Isto implica construir um modelo de execução partilhado em toda a Ibéria, com processos harmonizados e prioridades claras, para conseguirmos responder de forma consistente aos nossos clientes e, em simultâneo, melhorar a eficiência e a resiliência da nossa rede. A minha experiência pessoal à frente das operações da CHEP em diferentes geografias e culturas reforçou uma convicção central: as integrações bem‑sucedidas simplificam a forma como operamos, elevam os padrões de qualidade e encurtam os ciclos de decisão sem perder proximidade aos clientes.
Quais são as principais barreiras à vossa atividade? E quais as vantagens para os vossos clientes em utilizarem a vossa pool de paletes?
O contexto atual de operação é marcado por incerteza económica e geopolítica, volatilidade crescente e maior pressão sobre as cadeias de abastecimento para se manterem, em simultâneo, fiáveis, eficientes em termos de custos e sustentáveis. Para muitas empresas, equilibrar estas exigências e garantir, ao mesmo tempo, a continuidade do abastecimento tornou‑se um verdadeiro desafio. É precisamente aqui que o modelo da CHEP gera maior valor. Através do nosso modelo circular de pooling, baseado em partilha e reutilização, oferecemos aos clientes uma alternativa mais eficiente e sustentável às paletes de uso único ou próprias. A vantagem da nossa rede, baseada na escala, na densidade e em centros de serviço cada vez mais automatizados e tecnologicamente avançados, combinada com mais de 70 anos de experiência global em cadeias de abastecimento, permite operações mais seguras, rápidas e fiáveis, mesmo em períodos de disrupção.
Como estão a enfrentar os desafios de sustentabilidade e de eficiência operacional?
A sustentabilidade sempre fez parte do ADN da CHEP e é uma fonte de valor tangível para os nossos clientes. Sinto orgulho pessoal em trabalhar numa empresa cuja liderança é reconhecida de forma independente — com a CHEP entre as empresas mais sustentáveis do mundo, incluindo uma posição no top 3 do ranking World’s Most Sustainable Companies da revista TIME e um lugar no top 4 do Corporate Knights Global 100 de 2025, selecionado a partir de mais de 8 mil empresas em todo o mundo. O nosso modelo circular de partilha e reutilização foi criado para ajudar os clientes a tornar as suas cadeias de abastecimento mais eficientes, reduzindo ao mesmo tempo o impacto ambiental. Um elemento‑chave deste modelo é a transparência e a medição: através de Análises de Ciclo de Vida (LCA) independentes, quantificamos as poupanças ambientais em termos de resíduos, CO2 e madeira que os nossos clientes alcançam ao utilizar as nossas paletes e contentores reutilizáveis, em comparação com alternativas de uso único. Isto permite que as decisões de sustentabilidade se baseiem em dados e se liguem diretamente aos resultados dos clientes.
De que forma a tecnologia e a transição tecnológica estão a impactar a vossa atividade?
A tecnologia é um fator essencial na forma como a CHEP opera e cria valor para os clientes, tanto a nível global como aqui na Ibéria. A incorporação de capacidades digitais e de dados em toda a organização permite‑nos planear melhor, melhorar a visibilidade, reduzir perdas e apoiar decisões mais rápidas e informadas ao longo da cadeia de abastecimento. Isto reforça a experiência do cliente e permite‑nos oferecer um serviço mais consistente, fiável e escalável nos dois países, com a ambição de sermos um parceiro de referência em inovação, no centro de redes de abastecimento mais conectadas e orientadas por dados.
Sendo este um negócio que só por si já tem a sua essência na reutilização e circularidade, como vê o futuro deste setor de atividade? É um modelo de negócio com potencial para escalar?
Vejo um futuro muito positivo para o setor. A pressão sobre as cadeias de abastecimento para serem mais eficientes e sustentáveis vai continuar a aumentar, e os modelos de pooling circular estão numa posição única para responder a esses desafios em grande escala. A circularidade não é um complemento para a CHEP; é a base do nosso modelo de negócio e demonstrou a sua relevância ao longo de décadas, em diferentes mercados e indústrias. A escalabilidade do pooling depende da sua capacidade de evoluir através de uma colaboração mais profunda ao longo da cadeia de abastecimento, de um maior recurso à tecnologia e aos para melhorar a visibilidade e o controlo, e de redes cada vez mais otimizadas, que reduzam custos, emissões e complexidade. O futuro não passa apenas pela circularidade, mas pela circularidade aliada a desempenho, dados e consistência — e é precisamente isso que estamos a acelerar com a CHEP Iberia nesta nova fase.





