O conflito entre EUA e Irão continua a escalar, com todas as implicações para a economia do mundo que isso implica. Agora, o Irão fez uma ameaça direta ao estreito de Bab al-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do comércio global.
Ali Akbar Velayati, conselheiro do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou numa publicação em inglês na rede social X que Washington deve encarar esta passagem estratégica “como encara Ormuz”, sugerindo que poderá sofrer perturbações semelhantes às já registadas no Golfo Pérsico.
“Hoje, o comando unificado da frente de resistência vê Bab al-Mandeb como vê Ormuz”, escreveu Velayati, acrescentando: “Se a Casa Branca ousar repetir os seus erros, rapidamente perceberá que o fluxo global de energia e comércio pode ser interrompido com um único movimento.”
Como é que o Irão pensa executar esta ameaça?
Apesar de o Irão não ter fronteira direta com o estreito de Bab al-Mandeb, o país mantém uma relação próxima com os rebeldes Houthi no Iémen, que controlam parte da costa adjacente a esta rota marítima. O grupo já realizou dezenas de ataques contra navios associados a Israel no Mar Vermelho em 2023 e 2024 e, mais recentemente, lançou mísseis contra alvos militares israelitas.
A ameaça surge poucas horas depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter voltado a endurecer o discurso contra Teerão, incluindo referências a possíveis ataques a infraestruturas como centrais elétricas e pontes.
O contexto é marcado pelo quase encerramento do estreito de Ormuz, uma das principais artérias do transporte global de petróleo, que tem contribuído para uma subida acentuada dos preços da energia. O petróleo abriu a semana acima dos 110 dólares por barril, com o West Texas Intermediate (WTI) a atingir 114,76 dólares (cerca de 99 euros) e o Brent do Mar do Norte a negociar nos 111,26 dólares (cerca de 96 euros).
Este aumento ocorre num mercado já pressionado por mais de um mês de perturbações no fornecimento de petróleo e gás natural, na sequência do conflito iniciado a 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e a subsequente retaliação de Teerão.
O estreito de Bab al-Mandeb
O estreito de Bab al-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico, assume particular relevância como rota alternativa para exportadores de petróleo. Em 2024, cerca de 4,1 milhões de barris de produtos petrolíferos passaram diariamente por este corredor, segundo a U.S. Energy Information Administration (Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos).
Embora fique aquém dos cerca de 20 milhões de barris que atravessam diariamente o estreito de Ormuz, Bab al-Mandeb é crucial para o transporte de energia para a Ásia e para o comércio global em geral. De acordo com a Associated Press, cerca de 12% do comércio mundial passa por esta rota, que integra o corredor marítimo após o Canal de Suez.

Analistas admitem que um eventual bloqueio adicional possa agravar ainda mais a escalada de preços. O banco JPMorgan estima que o petróleo possa atingir 150 dólares por barril (cerca de 130 euros) caso o estreito de Ormuz permaneça fechado, podendo subir para níveis ainda mais elevados se houver novas disrupções, incluindo em Bab al-Mandeb. Em cenários de curto prazo, os preços poderão situar-se entre 120 e 130 dólares por barril (cerca de 104 a 112 euros), face aos cerca de 109,05 dólares registados recentemente.
Sem ataques registados até ao momento no estreito de Bab al-Mandeb, o foco tem estado nas ações diretas contra Israel. Ainda assim, vários analistas citados por meios como Politico e Al Jazeera admitem que os Houthis possam alargar a sua atuação a esta rota marítima, replicando estratégias utilizadas durante a guerra em Gaza.
Num cenário de conflito prolongado, o impacto poderá ir além da energia. A importância estratégica do Bab al-Mandeb, tanto para o petróleo como para o comércio global, coloca-o como um dos pontos críticos de uma crise que já está a provocar aumentos nos preços dos combustíveis e perturbações nas cadeias de abastecimento a nível mundial.
com Lusa e Forbes Internacional





