Trabalho: No primeiro trimestre de 2026 houve menos 38,7 mil pessoas empregadas

O arranque do ano de 2026 foi marcado por acontecimentos internacionais, que marcaram a atividade económica um pouco por todo o mundo. O conflito geopolítico na região do Médio Oriente, com o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, que gerou dificuldades ao comércio que usufruía do Estreito de Ormuz, penalizou várias economias,…
ebenhack/AP
Segundo a análise da Randstad, o mercado do trabalho registou a maior queda trimestral dos últimos cinco anos, com menos 38,7 mil pessoas empregadas. Ainda assim o mercado ocupa 5,3 milhões de profissionais.
Economia

O arranque do ano de 2026 foi marcado por acontecimentos internacionais, que marcaram a atividade económica um pouco por todo o mundo. O conflito geopolítico na região do Médio Oriente, com o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, que gerou dificuldades ao comércio que usufruía do Estreito de Ormuz, penalizou várias economias, nomeadamente com a subida do preço dos combustíveis.

Em Portugal, os primeiros três meses do ano foram marcados por uma queda no emprego, a maior quebra trimestral dos últimos cinco anos, segundo uma análise da Randstad Research tendo por base os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Face ao último trimestre de 2025, a população ativa do primeiro trimestre diminuiu em 18,8 mil pessoas, atingindo os 5,65 milhões de trabalhadores. Porém, e comparando com o trimestre homólogo de 2025, registou-se um crescimento residual de 1,8%.

Cerca de 29,1% das pessoas empregadas em Portugal continuam a ter um baixo nível de qualificação, uma proporção que duplica a média da União Europeia.

Também o emprego acompanhou esta tendência de quebra trimestral: entre janeiro e março o número de pessoas empregadas caiu em 38,7 mil, o que representa a maior descida trimestral dos últimos cinco anos. Apesar disso, o mercado de trabalho continua acima dos 5,3 milhões de profissionais empregados, com a taxa de emprego fixada nos 57,3%, tendo no último ano, aumentado 2,3%. Deste número de empregados, 4,48 milhões de trabalhadores trabalhavam por conta de outrem, e mantinham estabilidade contratual, já que 85,8% usufruíam de contrato sem termo. Já a taxa de emprego a termo situou-se nos 14,2%, representando menos 0,3 pontos percentuais do que no trimestre anterior.

Olhando para as qualificações da população ativa, 35,8% dos profissionais empregados têm o ensino superior completo e apresentam uma taxa de emprego de 79,4%, enquanto 29,1% das pessoas empregadas em Portugal continuam a ter um baixo nível de qualificação. Esta é uma proporção que duplica a média da União Europeia. O emprego nas administrações públicas voltou a crescer no primeiro trimestre de 2026, superando os 767 mil profissionais.

Desemprego aumentou em 20 mil pessoas

Olhando para o lado do desemprego, este aumentou no primeiro trimestre. Com um acréscimo de 20 mil pessoas desempregadas, totalizou os 346,3 mil desempregados. Porém, e comparando apenas com os primeiros três meses de 2025, registou-se uma queda de 5,3% do desemprego. A taxa atual situa-se nos 6,1%, sendo o desemprego das mulheres superior, com uma taxa de 6,8% face aos homens, que se situa nos 5,5%. Por outro lado, houve uma ligeira melhoria no desemprego jovem: a taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos desceu 0,7 pontos percentuais para 19,1%, face ao último trimestre de 2025. No entanto, continua a representar um valor três vezes superior à média nacional. O estudo revela ainda que cerca de 34,8% dos desempregados apenas completaram o ensino básico, o que dificulta a melhoria da sua situação. O desemprego teve um aumento em quase todos os grupos, menos no dos que completaram o ensino superior.

Relativamente às remunerações da população empregada, o seu valor médio foi de 1.565,30 euros em fevereiro de 2026, o que representa um crescimento de 4,9% face ao valor do mesmo mês de 2025. Lisboa continua a apresentar o valor médio mais elevado do país, com um salário de 1.801,72 euros, enquanto Beja regista o mais baixo, de cerca de 1.292,84 euros. Outra tendência identificada pela Randstad é que a propensão para o teletrabalho está a recuar, registando menos 10,5 mil pessoas no primeiro trimestre do ano, para um total de 1,12 milhões de profissionais.

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