A instabilidade geopolítica está a ditar o abrandamento do crescimento dos números do setor turístico. Ainda assim, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira acredita que o setor continuará a crescer em 2026. “Continuamos a acreditar que o turismo em Portugal em 2026 continuará a ter resultados positivos e, inclusive, a crescer, mas com um claro abrandamento”, alertou Cristina Siza Vieira durante a apresentação online do Inquérito “Balanço Carnaval & Perspetivas Páscoa 2026”.
A AHP já fez as contas e antecipa que o aumento no número de hóspedes será na ordem dos 2,5%, de 3% nas receitas e de 1,7% nas dormidas.
A vice-presidente executiva detalhou que face ao raciocínio do Banco de Portugal que no recente boletim económico reviu em baixa a previsão de crescimento da economia de 2,3% para 1,8% este ano, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente, haverá um abrandamento do crescimento do número de hóspedes dos 3% registados em 2025 para 2,5% em 2026, das dormidas de 2,2% para 1,7% e das receitas do alojamento turístico de 5% para 3%.
Páscoa ainda em pára-arranca
A AHP antecipa que as perspetivas para a Páscoa indicam um arranque ainda modesto e realça que a instabilidade no Médio Oriente já se começa a refletir no setor. E conclui que 60% das unidades não reportaram alterações ao esperado, mas 24% dos hoteleiros já identificam um abrandamento nas reservas ou aumento de cancelamentos. Nestas contas, 16% dos inquiridos referem um aumento da procura, associado ao desvio de fluxos turísticos de outros destinos.
Os inquiridos da Península de Setúbal e dos Açores são os que mais sentem um aumento de cancelamentos ou abrandamento de reservas.
Para o período das férias escolares (27 de março a 12 de abril), as reservas, ao tempo do inquérito, situavam-se nos 55%, com um ARR “on the books” de 132 euros.
No fim de semana da Páscoa (3 a 5 de abril), a taxa de reservas sobe para 57%, com o ARR “on the books” a atingir os 147 euros.
A Madeira volta a destacar-se, com níveis de reserva que atingem os 75%, nas férias, e os 76%, no fim de semana. Seguem-se a Grande Lisboa e o Algarve, com ritmos também positivos.
De acordo com a Associação liderada por Bernardo Trindade, o mercado interno “mantém-se como um dos principais motores da procura para as férias e para o fim de semana, apontado por mais de 70% dos inquiridos, seguindo-se Espanha e Reino Unido”. Em sentido contrário, destaca-se uma redução da procura dos turistas dos Estados Unidos, mencionado apenas por 22% dos hoteleiros para o fim de semana, face aos 38% mencionados no ano anterior.
Ainda assim, para todo o período, os indicadores apontam para alguma estabilidade. Mais de 50% dos hoteleiros antecipam uma estada média idêntica à de 2025. Já no que se refere aos proveitos totais 54% esperam melhorá-los, no fim de semana, versus 42% para as férias escolares.
Carnaval com abrandamento
No Carnaval (13 a 17 de fevereiro), a hotelaria nacional registou uma taxa de ocupação (TO) média de 65%, em linha com o período homólogo, e um preço médio (ARR) de 112 euros, ligeiramente abaixo do valor registado em 2025 (menos um euro).
A Região Autónoma da Madeira destacou-se com a maior TO (79%) e o ARR mais elevado (151 euros). Já a Grande Lisboa registou uma TO de 75%, acima dos 67% do ano anterior, mas com uma descida no ARR para 131 euros (menos 4% do que no Carnaval de 2025).
Na Península de Setúbal, a ocupação fixou-se nos 68%, e o ARR nos 88 euros, enquanto o Centro igualou a TO de 2025 (61%) e subiu o ARR em 17% (118 euros). Todavia, este aumento foi exclusivamente na região Centro Interior, em contraponto com a região Centro Litoral, cuja TO foi significativamente abaixo da média nacional e o ARR ficou pelos 100 euros. O Alentejo apresentou uma ocupação de 59%, ligeiramente acima do ano anterior, acompanhada de um aumento do ARR em seis euros.
As condições meteorológicas adversas tiveram impacto significativo nas regiões do Oeste e Vale do Tejo e do Norte, traduzindo-se em quebras de ocupação de 8% e 3%, respetivamente, bem como descidas muito expressivas no ARR nessas regiões (menos 11% em ambas).
Portugal, Espanha e Reino Unido mantiveram-se como os principais mercados emissores, neste período.





