Luta pelo luxo: Marcas disputam metros quadrados nas principais avenidas europeias

O retalho de luxo europeu continua a crescer, mas enfrenta um problema cada vez mais evidente: a falta de espaço. Em 2025, foram abertas 96 novas lojas de luxo nas principais artérias comerciais da Europa, um aumento de 13% face ao ano anterior, segundo o relatório “European Luxury Retail” da Cushman & Wakefield. A Cushman…
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Relatório da Cushman & Wakefield revela aumento de 13% nas aberturas de lojas de luxo em 2025, mas os dados referem também que o mercado está pressionado pela escassez de espaços e rendas em máximos históricos.
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O retalho de luxo europeu continua a crescer, mas enfrenta um problema cada vez mais evidente: a falta de espaço. Em 2025, foram abertas 96 novas lojas de luxo nas principais artérias comerciais da Europa, um aumento de 13% face ao ano anterior, segundo o relatório “European Luxury Retail” da Cushman & Wakefield.

A Cushman & Wakefield indica que estas aberturas ocorreram em 20 ruas de referência, distribuídas por 16 cidades em 12 países, refletindo uma aposta contínua das marcas no retalho físico. Num contexto de crescente digitalização, as lojas físicas mantêm-se centrais para a afirmação das marcas, sobretudo através de espaços emblemáticos e experiências diferenciadoras.

O mercado revela uma dupla dinâmica: consolidação entre os grandes grupos e maior diversidade de operadores. Marcas pertencentes aos grupos LVMH, Kering e Richemont representaram quase um terço das novas aberturas, enquanto os restantes 70% foram protagonizados por 57 outras marcas e grupos.

Apesar do dinamismo, a disponibilidade de espaços é cada vez mais limitada. Em várias das principais ruas de luxo europeias, as taxas de desocupação estão próximas de zero, o que tem intensificado a concorrência pelas melhores localizações. Esta escassez tem levado as marcas a procurar soluções alternativas, como a ocupação de pisos superiores, e tem contribuído para o aumento das rendas prime, que em 2025 estavam cerca de 7% acima dos níveis de 2018, atingindo máximos históricos em vários mercados.

O exemplo da Avenida da Liberdade

Em Lisboa, a tendência é particularmente visível na Avenida da Liberdade. Maria José Almeida, Associate e responsável pelo Comércio de Luxo na Cushman & Wakefield, afirma: “Lisboa segue claramente a tendência europeia, mas com um mercado ainda mais condicionado pela menor escala e escassez de oferta. Em 2025, registaram-se três novas aberturas na Avenida da Liberdade, num contexto de disponibilidade praticamente nula.”

A responsável acrescenta que a pressão deverá manter-se: “A procura deverá manter-se acima da oferta e a própria Avenida da Liberdade encontra-se fisicamente limitada. Neste enquadramento, é expectável que as rendas continuem a subir, reforçando o posicionamento da avenida como o principal destino de luxo em Portugal.”

O relatório conclui que o setor do retalho de luxo permanece estruturalmente sólido, sustentado por uma procura diversificada e pela valorização da experiência do consumidor. Com uma oferta cada vez mais limitada, as principais ruas europeias, incluindo Lisboa, continuam a afirmar-se como ativos estratégicos num mercado altamente competitivo.

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