O Senegal foi punido com derrota na final da Taça das Nações Africanas de futebol pela Confederação Africana de Futebol (CAF), que decidiu atribuir o título ao anfitrião Marrocos, que até tinha sido batido por 1-0 no jogo decisivo.
Na base da decisão da CAF está o facto de, já nos descontos no tempo regulamentar do desafio, disputado em 18 de fevereiro, os senegaleses terem abandonado o relvado e se dirigido para os balneários, acabando, posteriormente, por voltar ao jogo, em protesto por o árbitro ter assinalado grande penalidade a favor de Marrocos, quando o desafio estava 0-0.
Em Rabat, capital de Marrocos, com um estádio repleto, Brahim Díaz tentou sentenciar o desafio com um penálti à Panenka, acabando por entregar a bola, frouxa, ao guarda-redes, que nem teve de se mexer para agarrar a bola.
No prolongamento, Pape Gueye marcou o único tento do encontro e conseguiu que o Senegal alcançasse algo raro em 35 edições da prova, ao vencer a final frente ao anfitrião. Esse feito só tinha sido alcançado pelo Gana na Tunísia, em 1965, e na Líbia, em 1992, além dos Camarões, que, em 2000, bateram a Nigéria, que coorganizou o torneio com o Gana.
Com a decisão da CAF esse feito fica sem efeito.
The CAF Appeal Board decided that in application of Article 84 of the Regulations of the CAF Africa Cup of Nations (AFCON), the Senegal National Team is declared to have forfeited the Final Match of the TotalEnergies CAF Africa Cup of Nations (AFCON) Morocco 2025 (“the Match”),…
— CAF Media (@CAF_Media) March 17, 2026
A confusão que se gerou na final com o abandono do recinto de jogo gerou inúmeros confrontos entre adeptos, tendo a CAF imposto pesadas sanções quer à Federação Senegalesa de Futebol (multada em mais de 500 mil euros), quer à Federação marroquina (multada em mais de 250 mil euros).
Na justiça civil, 18 adeptos do Senegal foram detidos pelas autoridades marroquinas na sequência dos distúrbios e dos atos de vandalismo, o que tem gerado grande contestação no Senegal.
Além da derrota na secretaria por 3-0, e também como consequência do abandono de campo, o selecionador senegalês, Pape Thiaw, foi suspenso por cinco jogos e multado em cerca de 85 mil euros, por conduta antidesportiva, ao ter incentivado os seus jogadores a saírem de campo.
Esta reviravolta nos bastidores, que resulta da análise de um recurso apresentado por Marrocos após uma primeira decisão da CAF que validava o título ao Senegal, acontece cerca de dois meses após a realização da final que se jogou a 18 de janeiro.
O Senegal decidiu, entretanto, recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), na sequência da decisão do júri de recurso da CAF de atribuir a vitória da final da CAN 2025 a Marrocos.
Num comunicado oficial, a Federação Senegalesa de Futebol denuncia uma “decisão injusta”, afirmando a sua vontade de “defender os direitos do futebol senegalês por todas as vias legais disponíveis”. As autoridades desportivas do país consideram que os princípios da equidade desportiva não foram respeitados.
O recurso perante o TAS, a instância suprema em matéria de litígios desportivos internacionais, marca uma nova etapa nesta saga que poderá ter repercussões importantes na governação do futebol africano. O Senegal espera obter a anulação da decisão do júri de recurso da CAF e o reconhecimento oficial da sua vitória.
com Lusa





