Europa não acompanha crescimento mundial na área da indústria eletrónica e TIC

A Zona Euro está a perder competitividade na área da indústria de eletrónica e de TIC (Tecnologias de Informação de Comunicação) e deverá crescer apenas 1,2%, enquanto se espera que este setor cresça cerca de 10% a nível mundial. A conclusão é de um research da Crédito y Caución, marca de seguros de crédito interno…
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Apesar da Lei dos Chips ter destinado um investimento de 43 mil milhões de euros para dar à Europa uma quota de 20% na produção de semicondutores até 2030, este plano parece muito difícil de alcançar. Setor europeu só deverá crescer 1,2% em 2026, contra 10,2% no resto do mundo.
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A Zona Euro está a perder competitividade na área da indústria de eletrónica e de TIC (Tecnologias de Informação de Comunicação) e deverá crescer apenas 1,2%, enquanto se espera que este setor cresça cerca de 10% a nível mundial. A conclusão é de um research da Crédito y Caución, marca de seguros de crédito interno e de exportação que atua em Portugal, que analisou os dados referentes a esta indústria e estimou o seu desempenho em 2026 e 2027.

Este estudo mostra que o setor mundial dos produtos eletrónicos e de TIC mantenha este ano o mesmo nível de crescimento de 2025, ou seja, em tornos dos 10,3%, prevendo-se uma desaceleração para 2027, já que o crescimento estimado será de apenas 6,5%. No entanto, a Europa não está a acompanhar este crescimento, já que a previsão é que acréscimo deste setor represente apenas 1,2% em 2026. Segundo os analistas da Crédito Y Cáucion, a Zona Euro está a perder competitividade, pois não está especializada na produção de chips de alta gama usados para Inteligência Artificial (IA), nem há um forte boom de investimento nesta área até ao momento.

A Zona Euro está a perder competitividade, pois não está especializada na produção de chips de alta gama usados para Inteligência Artificial (IA), nem há um forte boom de investimento nesta área até ao momento.

O documento refere que esta é mesmo uma das indústrias de maior crescimento a nível mundial, e que o bom desempenho do setor se deve sobretudo ao impacto positivo da IA, tanto pela sua importância para as empresas como para as estratégias geopolíticas. Daí que os investimentos neste setor sejam avultados. Os analistas estimam que as vendas globais de semicondutores cresçam 18,8% este ano, depois de um créscimo de 22,8% em 2025, impulsionadas sobretudo pelos chips de última geração para centros de dados de IA.  Porém, paira ainda alguma ameaça das tarifas impostas na importação de produtos de eletrónica, o que poderá vir a ter algum impacto, tal como o deteriorar das relações entre o Estados Unidos e a China, que podem afetar as cadeias de abastecimento das TIC. Convém frisar que este estudo não tem ainda em conta o recente conflito no Médio Oriente.

A Europa traçou um plano estratégico, designado por Lei dos Chips, mediante o qual planeia investir 43 mil milhões de euros na produção e investigação de semicondutores, com o objetivo de reduzir a dependência das importações da Ásia.

No meio deste cenário, a Europa não está a acompanhar a tendência mundial e centra-se sobretudo no fabrico de chips industriais e chips para a indústria automóvel, estratégia que está a penalizar a região, que está a ficar para trás na área da IA. A Europa traçou um plano estratégico, designado por Lei dos Chips, mediante o qual planeia investir 43 mil milhões de euros na produção e investigação de semicondutores, com o objetivo de reduzir a dependência das importações da Ásia. Este plano tem a ambição de atribuir ao espaço europeu uma quota de 20% da produção global de chips até 2030, o que, segundo as atuais estimativas, será muito difícil de acontecer.

“A longo prazo, o aumento dos gastos militares na região deverá contribuir para o crescimento do setor. Isto é especialmente verdade na Alemanha, onde uma alteração nas regras fiscais está a dar espaço para expandir a despesa”, pode ler-se no documento.

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