A relação com o trabalho está a deteriorar-se a um ritmo preocupante. Esta é uma das conclusões da 3ª edição do Work Relationship Index desenvolvido pela HP. Em 2025, apenas 20% dos profissionais do conhecimento afirmam ter uma relação saudável com o trabalho, menos 8% do que em 2024. No grupo dos decisores de TI, só 32% dos participantes declararam sentir-se satisfeitos no trabalho. A quebra é transversal, mas acentua-se entre os líderes empresariais, cuja realização profissional caiu 17% em apenas um ano, para 34%. Nas grandes empresas, a diferença de satisfação entre líderes e profissionais do conhecimento atinge 25%, revelando um claro desalinhamento estrutural. Estes números sinalizam que o fosso entre as expectativas dos colaboradores e a realidade corporativa está a aumentar.
O fenómeno é global, mas os mercados emergentes apresentam níveis de satisfação mais elevados, sendo duas vezes mais propensos a reportar uma relação positiva.
Liderança, tecnologia e foco nas pessoas
Profissionais realizados têm o triplo da probabilidade de alcançar equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A liderança com inteligência emocional é decisiva, mas apenas 28% dos trabalhadores consideram que os líderes demonstram empatia de forma consistente. Ainda assim, 85% dos fatores que influenciam a realização estão sob controlo organizacional, destacando-se seis fatores-chave: tecnologia, reconhecimento, clareza de objetivos, equilíbrio, colaboração e foco. A tecnologia, em particular a Inteligência Artificial, surge como agente multiplicador. Os utilizadores de IA têm maior probabilidade de sentirem realização profissional e de serem mais eficientes. A Geração Z lidera a adoção da IA, vendo-a como um assistente que elimina o trabalho monótono, permitindo focar na criatividade e estratégia.
Mudança geracional
Até ao final deste ano, a Geração Z representará 27% da força de trabalho global e os dados indicam que 51% destes profissionais têm um “side hustle”, um projeto paralelo que lhes oferece a realização e a segurança que não encontram na empresa. Mais drástica é a desvalorização do salário face à qualidade de vida. O índice mostra que 4 em cada 5 trabalhadores da Geração Z estão dispostos a abdicar de uma parte do salário em troca de maior flexibilidade, autonomia e uma liderança
empática. A colaboração intergeracional, conjugando inovação e experiência, surge então como uma das chaves para criar organizações mais resilientes e preparadas para o futuro.





