Volkswagen Autoeuropa: “É possível inovar e competir à escala internacional a partir de Portugal”

O que representa para a Volkswagen Autoeuropa ser distinguida simultaneamente em inovação e internacionalização? Representa o reconhecimento do trabalho das nossas equipas e de um percurso consistente e sustentado ao longo de décadas. Esta distinção conjunta demonstra que é possível inovar localmente e competir à escala internacional a partir de Portugal. Como a inovação tecnológica…
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Distinguida nas categorias de Inovação e Internacionalização nos prémios Maiores Líderes do Crescimento 2025, a Volkswagen Autoeuropa afirma-se como um dos principais motores industriais e exportadores da economia portuguesa. Em entrevista à Forbes Portugal, Thomas Hegel Gunther, diretor-geral da empresa, analisa o papel da inovação tecnológica, da qualificação das pessoas e da integração de Portugal nas cadeias globais de valor da indústria automóvel.
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O que representa para a Volkswagen Autoeuropa ser distinguida simultaneamente em inovação e internacionalização?
Representa o reconhecimento do trabalho das nossas equipas e de um percurso consistente e sustentado ao longo de décadas. Esta distinção conjunta demonstra que é possível inovar localmente e competir à escala internacional a partir de Portugal.

Como a inovação tecnológica tem transformado os processos produtivos da fábrica?
A inovação tecnológica tem sido um motor fundamental da nossa evolução e competitividade industrial. No domínio da digitalização, o uso de dados em tempo real, por exemplo na simulação de novos processos produtivos, permite otimizar fluxos, reduzir desperdícios e aumentar significativamente a eficiência operacional, bem como testar cenários complexos antes da implementação física. Desta forma, conseguimos reduzir custos e riscos no processo produtivo.
Destaco o uso do Value Stream Management (VSM), que tem sido determinante para o aumento da capacidade de produção com baixos custos. Este método, em combinação com várias melhorias de processo, esteve na base do prémio Automotive Lean Production Award, atribuído à Volkswagen Autoeuropa como melhor OEM, em 2023.
Em paralelo, temos vindo a implementar plataformas digitais como a visão computacional industrial, que permite automatizar inspeções aos veículos e garantir níveis de qualidade mais consistentes, e o Digital Shop Floor Management (dSFM), através do qual todos os níveis hierárquicos da fábrica têm acesso aos dados mais relevantes do processo produtivo, promovendo o seu acompanhamento contínuo. Como resultado da implementação destas ferramentas, conseguimos atualmente produzir cerca de mil veículos por dia.

Que papel assume a qualificação dos recursos humanos na competitividade industrial?
A tecnologia só gera valor quando acompanhada por pessoas qualificadas, motivadas e envolvidas. Investimos continuamente na formação técnica, digital e comportamental dos nossos colaboradores, preparando-os para desafios como a eletrificação e a transformação digital. A competitividade industrial começa e termina nas pessoas. São elas que garantem inovação, qualidade e melhoria contínua.

De que forma a Volkswagen Autoeuropa contribui para a cadeia de valor nacional?
A Volkswagen Autoeuropa afirma-se como um pilar estruturante da indústria nacional, não só pelo seu peso nas exportações, mas também pelo impacto direto e indireto que gera na economia portuguesa. Em 2024, a unidade de Palmela foi responsável por 1,6% do PIB nacional e por 4,5% das exportações nacionais. A fábrica colabora com cerca de 700 fornecedores a nível global, sendo que aproximadamente 54% do volume total de compras é realizado junto de fornecedores nacionais.

Como avalia a posição de Portugal na indústria automóvel europeia?
Portugal ocupa uma posição relevante, com potencial de crescimento. É fundamental que o país se consiga posicionar de forma competitiva na cadeia de valor da mobilidade elétrica, digital e sustentável. Reúne boas condições – talento qualificado, estabilidade e capacidade industrial instalada – para captar novos investimentos e consolidar projetos estratégicos.
No entanto, existem também riscos. Não podemos subestimar a situação geopolítica nem a concorrência asiática em várias indústrias produtivas. Por isso, todos temos de dar o nosso contributo para que Portugal e a Europa sejam mais competitivos.

Thomas Hegel Gunther, diretor-geral da VW Autoeuropa

Que desafios se colocam à indústria num contexto de transição energética?
A transição energética coloca desafios profundos à indústria, desde a necessidade de elevados investimentos em eletrificação e descarbonização até à adaptação de toda a cadeia de valor. No setor automóvel, o principal desafio passa por acelerar a adoção da mobilidade elétrica de forma acessível e competitiva, garantindo simultaneamente a redução de emissões ao longo de todo o ciclo de vida dos veículos. A isto soma-se a importância de um enquadramento regulatório estável e previsível.

A exportação continua a ser um pilar estratégico do projeto industrial?
No caso da Volkswagen Autoeuropa, cerca de 99% da produção destina-se à exportação, o que reflete o papel estratégico que a fábrica desempenha na rede industrial da Marca Volkswagen. A Alemanha, o Reino Unido e a Itália são os principais mercados de destino. Esta forte orientação internacional obriga-nos também a ser extremamente competitivos na unidade de Palmela.
Nos últimos anos, o Volkswagen T-Roc “made in Portugal” tem estado consistentemente entre os cinco automóveis mais vendidos na Europa.

  1. Como se prepara a Volkswagen Autoeuropa para o futuro do setor automóvel?
    A Volkswagen Autoeuropa prepara-se para o futuro através de um investimento contínuo na modernização das suas infraestruturas industriais, criando as condições necessárias para acolher novos modelos e tecnologias. Um exemplo claro dessa aposta é a escolha da unidade de Palmela para a produção do ID. EVERY1, um modelo estratégico que se insere na estratégia de eletrificação do Grupo Volkswagen e no objetivo de tornar a mobilidade elétrica mais acessível, nomeadamente através de veículos elétricos compactos.
    A preparação para o futuro passa também pelas pessoas. A fábrica continua a investir fortemente na qualificação e requalificação dos colaboradores, bem como na melhoria contínua dos processos produtivos. A otimização de processos, a eficiência operacional e a cultura de melhoria contínua são determinantes para garantir a competitividade da Volkswagen Autoeuropa e assegurar a sua sustentabilidade a longo prazo.

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