“Temos muita vontade de investir em São Vicente”. A convicção é do presidente da cadeia hoteleira Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, que confirmou à Forbes Portugal, à margem da apresentação dos resultados de 2025, a intenção de investir naquela Ilha do Arquipélago de Cabo Verde.
Jorge Rebelo de Almeida realçou que ainda não tem nada fechado naquele país de língua oficial portuguesa, mas admitiu a realização de uma viagem à Ilha de São Vicente para se fazer uma pesquisa das oportunidades no local.
Questionado sobre o porquê de colocar o Arquipélago no radar de investimentos, o presidente da Vila Galé explicou que “temos uma ligação muito intensa com Cabo Verde. Eu gosto muito da música, gosto de muitas pessoas de Cabo Verde. Temos muita gente de Cabo Verde que trabalha connosco há muitos anos, quer na construção, quer nos hotéis. E por isso tenho nos radares que nós temos de ter uma presença lá”.
Durante o encontro com os jornalistas, o presidente do grupo Vila Galé começou por salientar que, para o setor, 2025 foi “um ano animado” com o turismo a manter a resiliência que o tem caraterizado nos últimos anos. Ainda que tenha lembrado que se mantêm constrangimentos como o facto de ainda não haver uma nova infraestrutura aeroportuária que dê resposta à crescente procura no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
Jorge Rebelo de Almeida sublinhou que a Vila Galé “está bem e recomenda-se”, sendo que, foi “um ano intenso em que reforçámos a presença em Cuba com mais quatro hotéis”.
Reforçar a presença
O presidente da cadeia hoteleira admitiu que a veia investidora do grupo vai continuar ao longo de 2026 e nos próximos anos com a introdução no mercado nacional e externo de mais quartos com a chancela Vila Galé. Já para o corrente ano, o grupo conta com 12 novos projetos em desenvolvimento, que em conjunto totalizam 1845 quartos e representam um investimento total de 210 milhões de euros.
Em Portugal, está em desenvolvimento seis novas unidades com o mote de reforçar a presença no interior do país e a aposta na reabilitação de património histórico. Neste portfólio estão o Vila Galé Collection Tejo, na Golegã, que contará com 116 quartos e representa um investimento de 15 milhões de euros, e o Vila Galé Collection Penacova, com 84 quartos e um investimento de 14 milhões de euros. A estes juntam-se o Vila Galé Miranda do Douro, com 100 quartos e um investimento de 16 milhões de euros, e o Vila Galé Paço Real de Caxias, em Oeiras, que terá 120 quartos e exige igualmente um investimento de 16 milhões de euros.
Para a capital lisboeta, a Vila Galé está a avançar com o Vila Galé Collection Lisboa – Palácio Almada Carvalhais, com 110 quartos e um investimento de 35 milhões de euros. Nos Açores, o Vila Galé Terceira, localizado na Ilha Terceira, vai oferecer 106 quartos e implicará um investimento de 16 milhões de euros.
A expansão da marca não se cinge ao mercado português. No Brasil, estão previstas seis unidades que reforçam a presença em diferentes estados do país. Em Alagoas, o grupo português está a desenvolver o Vila Galé Collection Coruripe, com 144 quartos, e o Vila Galé Nep Kids Coruripe, com 350 quartos e pensado para os mais novos, num investimento conjunto de 35 milhões de euros. Em Santa Catarina, o Vila Galé Florianópolis disponibilizará 309 quartos e representa um investimento de 27 milhões de euros. Em Minas Gerais, o Vila Galé Brumadinho que conta com 312 quartos receberá um investimento também de 27 milhões de euros. No estado do Maranhão, a marca grupo vai crescer com duas unidades: o Vila Galé Collection São Luís, com 51 quartos, e o Vila Galé Collection Maranhão, com 43 quartos, com um investimento conjunto de 14 milhões de euros.
Desempenho positivo
Sobre os indicadores financeiros do ano passado, o administrador do grupo, Gonçalo Rebelo de Almeida, salientou que “2025 foi um ano mais uma vez positivo”, que já vinha do período pré-pandemia. A cadeia hoteleira terminou o ano com uma faturação consolidada de 321,5 milhões de euros. Portugal e Espanha geraram 193,5 milhões de euros, representando cerca de 60% das receitas totais. O Brasil cresceu cerca de 23% face a 2024 atingindo os 807 milhões de reais (cerca de 130 milhões de euros).
O EBITDA consolidado ascendeu a 127 milhões de euros, dos quais 81 milhões correspondem à Península Ibérica e 293 milhões de reais à operação brasileira.
O grupo conta atualmente com 52 hotéis, em que 34 estão em Portugal, 13 no Brasil, quatro em Cuba e um em Espanha, somando mais de 10 mil quartos e 25 mil camas. O principal cliente para os hotéis da marca em Portugal continuam a ser os turistas nacionais – correspondem a 50% –, sendo que no Brasil também são os brasileiros quem mais procuram a cadeia hoteleira, representando 88% dos hóspedes.
Jorge Rebelo de Almeida e a sua família estão na 14º posição da lista de 2025 dos mais ricos do país, segundo a análise da Forbes Portugal. O valor da sua fortuna desceu ligeiramente face à contabilizada em 2024, ficando nos 951 milhões de euros.





