Venda dos Lakers a Josh Kushner alimenta teorias sobre influência de Trump

A venda dos Los Angeles Lakers por Mark Walter a Josh Kushner e Bob Iger está a alimentar teorias de conspiração sobre uma possível influência da administração Trump no negócio, numa altura em que o empresário é alvo de uma investigação por alegada fraude e poucas semanas depois de um projeto de Kushner para adquirir…
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A venda dos Los Angeles Lakers por Mark Walter a Josh Kushner e Bob Iger está a gerar especulação sobre uma possível ligação às investigações que envolvem o empresário e aos negócios próximos da administração Trump.
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A venda dos Los Angeles Lakers por Mark Walter a Josh Kushner e Bob Iger está a alimentar teorias de conspiração sobre uma possível influência da administração Trump no negócio, numa altura em que o empresário é alvo de uma investigação por alegada fraude e poucas semanas depois de um projeto de Kushner para adquirir uma participação na FIFA ter fracassado.

Os factos

Kushner, o bilionário fundador da Thrive Capital, e Iger, antigo CEO da Disney que se juntou à Thrive no início deste ano, adquiriram uma participação de controlo na equipa a Walter, cujo negócio de serviços financeiros está a ser investigado tanto por procuradores federais como pela Securities and Exchange Commission (SEC), o equivalente à portuguesa CMVM.

Walter, cuja fortuna a Forbes estima em 7,3 mil milhões de dólares (€6,3 mil milhões), comprou os Lakers há 14 meses, numa altura em que a equipa estava avaliada em 10 mil milhões de dólares (€8,6 mil milhões), então um recorde. Agora, vendeu a sua participação a Kushner e Iger com base numa avaliação de 12,5 mil milhões de dólares (€10,7 mil milhões), estabelecendo um novo recorde para a maior venda de sempre de uma equipa desportiva.

A especulação sobre o momento da operação ganhou uma camada adicional pelo facto de o negócio da Thrive para adquirir uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA ter colapsado há menos de duas semanas — um projeto que envolvia um aliado de Trump, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e que fracassou depois das críticas à participação de private equity no negócio.

Alguns membros do setor do negócio desportivo levantaram dúvidas sobre a possibilidade de os fatores relacionados com Trump serem uma coincidência após a notícia da venda dos Lakers, na quarta-feira. No entanto, um porta-voz não identificado da Casa Branca disse ao Front Office Sports que a venda “não tem nada a ver com o Presidente Trump ou com a sua administração”.

O analista de negócios desportivos Joe Pompliano levantou dúvidas sobre o momento da operação, escrevendo no X: “Eu não diria que sou um teórico da conspiração, mas parece estranho que um homem que é proprietário de várias equipas desportivas e que estava no meio da reconstrução de toda a operação empresarial dos Lakers venda a equipa com um ganho de 20% em dois anos, ao mesmo tempo que está a ser investigado por fraude.”

Skip Bayless, antigo rosto de longa data da Fox Sports 1 e da ESPN, classificou a venda como “um choque”, acrescentando: “Tem a ver com duas empresas detidas por Mark Walter estarem a ser investigadas por fraude fiscal? Sim, Walter está a ganhar cerca de 2 mil milhões de dólares (€1,7 mil milhões) em cerca de 10 meses. Mas os Cowboys/Yankees/Lakers são simplesmente demasiado difíceis de adquirir para se sair rapidamente do negócio.”

Citação

“Portanto… a investigação federal a Mark Walter a cruzar-se com os investidores de private equity preferidos de Gianni Infantino é… muita coisa”, escreveu Pablo Torre, apresentador do podcast de investigação Pablo Torre Finds Out, na quarta-feira de manhã.

Pelo que está a ser investigado Walter?

Os procuradores federais de Manhattan e a SEC estão a investigar uma possível fraude relacionada com operações de crédito privado envolvendo empréstimos de seguradoras detidas por Walter que foram canalizados, através de um terceiro, para empresas ligadas ao empresário ou ao seu conglomerado, a TWG Global, segundo o Wall Street Journal em julho.

As seguradoras reconheceram as investigações em documentos regulatórios apresentados em junho, escrevendo que foram identificados “erros relacionados com a identificação e apresentação de determinados investimentos com partes relacionadas”.

Uma das seguradoras, a Delaware Life, também reclassificou cerca de 16 mil milhões de dólares (€13,7 mil milhões) em investimentos como afiliados, contra 1 mil milhões de dólares (€860 milhões) anteriormente classificados dessa forma, embora não seja claro se a empresa tinha inicialmente conhecimento de que os investimentos estavam relacionados com Walter.

A agência de notação Fitch disse também ao Los Angeles Times que outra seguradora de Walter, a Clear Spring, reclassificou 4,6 mil milhões de dólares (€4 mil milhões) em empréstimos como afiliados.

A Delaware Life e a Clear Spring receberam intimações relacionadas com a investigação, segundo o Journal.

O telemóvel e o computador de Walter também foram apreendidos pelo FBI em setembro do ano passado, segundo a Bloomberg, que deu conta do facto em julho.

Um porta-voz da TWG Global disse ao Journal, numa declaração, que “Mark Walter e a TWG sempre agiram de boa-fé, e aqueles que fizeram negócios com Mark sabem que ele é honesto e direto. Nada nestas transações foi diferente”, acrescentando: “Estamos confiantes de que estas questões serão resolvidas favoravelmente.”

Porque fracassou o negócio de Kushner com a FIFA?

Alguns dos membros mais importantes da FIFA opuseram-se fortemente à ideia de vender uma parte da organização sem fins lucrativos a investidores privados.

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) afirmou que as equipas das suas 55 associações-membro boicotariam os torneios da FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo, “enquanto estas propostas permanecerem em cima da mesa”.

A CONCACAF, organismo que rege o futebol na América do Norte, América Central e Caraíbas, disse no mês passado que rejeitaria o plano.

Kevin Lamour, diretor de operações da FIFA, também afirmou que os executivos se opunham ao projeto, acusando Infantino — que defendia o negócio — de os ter “enganado” e excluído das negociações.

O plano passava pela autonomização da atividade comercial da FIFA, incluindo os Mundiais masculino e feminino, numa subsidiária parcialmente detida por investidores privados, liderados pela Thrive.

Trump avisou a FIFA para não afastar Infantino numa publicação no Truth Social na segunda-feira, naquela que foi a sua primeira defesa pública de Infantino depois de ter dito aos jornalistas, no mês passado, que não tinha falado com ele sobre a venda proposta.

A FIFA pediu desculpa aos seus membros na semana passada por “erros” na gestão do chamado FIFA Forward Enterprise Plan, mas afirmou que apoiava a permanência de Infantino como presidente.

Contexto

Walter foi cofundador da empresa financeira Guggenheim Partners, e a TWG Global é a holding que controla as suas seguradoras, a participação na Guggenheim e os seus investimentos em equipas desportivas, incluindo os Dodgers e o Chelsea, clube da Premier League, segundo a CNBC.

A Guggenheim também foi alvo de uma investigação separada da SEC no ano passado, relacionada com a forma como a empresa apresentava as suas receitas a entidades externas, segundo a Bloomberg, que citou fontes não identificadas. O estado atual dessa investigação não é claro.

O que esperar

Walter não planeia vender os Dodgers, noticiou o Los Angeles Times na quarta-feira, citando fontes não identificadas.

A Forbes estima que os Dodgers valham 7,8 mil milhões de dólares (€6,7 mil milhões), ocupando o segundo lugar entre as equipas da Major League Baseball mais valiosas, atrás dos New York Yankees.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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