Uma mulher forte e empoderada, que soube adaptar-se a nova responsabilidades

A PetroSátão nasceu do sonho de um visionário, que arriscou tudo o que tinha e conseguiu concretizá-lo. De estudos, tinha a antiga quarta classe. Mas, para o sucesso, contava com uma verdadeira visão de negócio, muita vontade de trabalhar e a cumplicidade da sua esposa. Hoje, a empresa é gerida por Raquel Pina, a filha…
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Raquel Pina, formada em psicologia herdou do pai uma empresa petrolífera e uma enorme responsabilidade. Mas assumiu o desafio e já levou a PetroSátão a ser distinguida várias vezes como PME Líder e uma das 10 melhores PME da região de Viseu. Nesta entrevista, revela-nos como foi este percurso
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A PetroSátão nasceu do sonho de um visionário, que arriscou tudo o que tinha e conseguiu concretizá-lo. De estudos, tinha a antiga quarta classe. Mas, para o sucesso, contava com uma verdadeira visão de negócio, muita vontade de trabalhar e a cumplicidade da sua esposa. Hoje, a empresa é gerida por Raquel Pina, a filha do casal, que se orgulha de ser conhecida como “a Raquel da PetroSátão”.

Como define a PetroSátão e quais são os marcos principais da sua história?

A PetroSátão é uma empresa familiar, construída do zero com trabalho, coragem e visão. Os meus pais abriram o primeiro posto de combustível no concelho, em parceria com a Galp. Depois, com muito esforço e dedicação, a empresa foi evoluindo até se tornar no que é hoje. Os meus pais transformaram a empresa numa referência de confiança, estabilidade e solidez. Em 2017, com a partida do meu pai, a minha vida mudou. Eu encontrava-me numa área profissional completamente diferente mas senti que era altura de assumir um compromisso pessoal: dar continuidade ao legado que ele construiu. É uma promessa que continuo a cumprir todos os dias.

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A seu ver, quais são os factores principais para a fidelização dos clientes?

Ao longo destes mais de 50 anos, quem nos procura sabe que encontra combustível nacional de qualidade, preços competitivos e, acima de tudo, confiança. É de notar que a nossa história se confunde com a da própria comunidade. Estamos situados no centro da vila de Sátão e fomos o primeiro posto de combustível da localidade.

Sempre apostámos num atendimento próximo e personalizado. Chegamos a prestar o serviço ao cliente sem que este precise de sair da viatura, se assim preferir. Aqui, no interior do país, as relações humanas continuam a ter um peso muito forte. A palavra de honra, a proximidade e a seriedade fazem a diferença e essa tem sido a chave da fidelização dos nossos clientes.

E quais são os principais desafios da empresa, sobretudo no que diz respeito à transição energética?

A nossa estratégia passa por acompanhar o mercado com atenção e responsabilidade. Atualmente, os carregamentos elétricos são uma realidade e a PetroSátão já os disponibiliza. Sabemos que o sector automóvel e energético atravessa um período de incerteza, mas acreditamos que a adaptação, a atualização constante e a serenidade são essenciais para garantir competitividade e sustentabilidade a longo prazo.

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Em termos de parcerias, o que tem sido mais importante?

Sem dúvida, o facto de nos mantermos como parte integrante da comunidade. Acreditamos profundamente na força das parcerias de proximidade e, para passar este valor à prática, apoiamos eventos locais, colaboramos com outras empresas e instituições, etc. No interior, os negócios vivem muito da cooperação. Aqui ajudamo-nos uns aos outros, porque não dispomos dos mesmos recursos das grandes cidades ou litoral. Essa rede de apoio é fundamental para a sobrevivência e crescimento de todos.

Está na PetroSátão há quase 10 anos. Como foi o seu percurso na empresa?

Os primeiros tempos não foram fáceis. Cresci na empresa, mas tive de me adaptar a uma nova realidade, estando numa fase emocionalmente muito exigente. Mas a responsabilidade falou mais alto e, acima de tudo, não podia falhar aos meus pais.

O que mais a faz sentir-se ligada à PetroSátão?

Sem dúvida o sentimento de pertença. A Petrosátão é sangue do meu sangue. Está aqui o trabalho, o esforço, o suor e orgulho da minha família. Sou conhecida como “a Raquel da PetroSátão” e é assim que me identifico. Faz parte de quem sou.

Quais os aspectos principais que marcam a sua atuação?

Eu trouxe mudança, inovação e vontade de crescer. Expandimos a empresa com um novo Posto de Combustível em Aguiar da Beira, criámos a PetroPina (em homenagem ao meu pai), investimos na distribuição de combustível e aumentámos significativamente a equipa e a faturação. Conseguimos várias distinções públicas desde 2017, fomos várias vezes PME Líder, e estamos nas 10 melhores PME do Setor de Mobilidade de comércio e serviços e nas 10 Melhores PME da região de Viseu.

Encontramo-nos em processo de abertura de espaço para comercialização de veículos novos e usados, que será uma nova etapa na vida da empresa. Tudo isto me deixa muito orgulhosa, principalmente por trazer comigo o nome do meu pai. Uma das distinções da Petrosátão é o selo “Igualdade Salarial 2023”.

A preocupação com os colaboradores é uma prioridade?

Claramente que sim. Alguns elementos da equipa estão connosco há muitos anos, sempre a trabalhar com muito gosto e vontade. Não somos perfeitos, ninguém o é. Tentamos dar o nosso melhor, todos juntos, em equipa. A ideia é continuarmos a caminhar juntos. Eu não seria nada sem os meus colegas de trabalho.

O que gostaria de deixar como marca da sua presença na empresa?

Força, vontade, resiliência e empoderamento feminino. Nós, mulheres, somos capazes de tudo a que nos propomos, mesmo nas nossas piores fases. A mulher consegue erguer-se num mundo predominantemente masculino com a mesma serenidade, capacidade de trabalho e luta. Esta seria a mensagem que eu gostava de deixar na empresa, nas mulheres em geral e principalmente a quem me observa de perto todos os dias: a minha filha!

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