Donald Trump publicou este domingo na sua rede social Social Truth uma imagem gerada por Inteligência Artificial em que aparece como uma figura semelhante a Jesus. A publicação, que Trump disse mais tarde que o retratava como médico e que mais tarde ainda apagaria, parece ser uma espécie de resposta às críticas do Papa Leão XIV, que tem criticado os ataques que EUA e Israel estão a fazer contra o Irão, sendo só o mais recente episódio de um filão interminável de “pérolas” em que o Presidente dos EUA revela o seu ego e dá mostras de se querer eternizar na história.

De resto, Donald Trump, que vivia obcecado com o Nobel da Paz, está a promover uma série de projetos e propostas que têm um objetivo comum: inscrever o seu nome na paisagem física e simbólica dos Estados Unidos ainda durante o exercício do cargo. A abordagem contrasta com a prática habitual no país, onde os Presidentes tendem a ser homenageados apenas após deixarem funções ou depois da sua morte, sendo ainda um “tique” que, normalmente, se encontra em ditaduras e nos seus líderes despostas.
Um dos exemplos mais recentes deste ensejo de Trump se perpetuar nos anais da história é o chamado “Arco da Independência”, um projeto apresentado pela Comissão das Artes norte-americana. O plano prevê a construção de um arco com cerca de 77 metros de altura, inspirado no Arco do Triunfo de Paris, que incluirá uma figura semelhante à Estátua da Liberdade e inscrições como “Uma Nação Sob Deus” e “Liberdade e Justiça para Todos”, gravadas a ouro. O monumento deverá ser erguido entre o Memorial Lincoln e o Cemitério Nacional de Arlington.

Donald Trump tem enquadrado esta proposta como a concretização de um projeto antigo para a capital norte-americana, alegando que a ideia remonta a há cerca de 200 anos, mas que nunca chegou a ser executada devido à Guerra Civil e a tentativas falhadas no início do século XX.
A aposta em deixar uma marca tangível estende-se também à própria Casa Branca, onde o Presidente iniciou a construção de um novo salão de baile, implicando a demolição da Ala Leste do edifício histórico.
No plano institucional e simbólico, surgem outras iniciativas. Em dezembro, o conselho de curadores do Kennedy Center, escolhido pelo Presidente republicano, aprovou a renomeação da instituição para “Trump Kennedy Center”. Foi igualmente anunciado o lançamento de uma nova classe de navios de guerra com o seu nome.
Há ainda propostas e intenções que não avançaram. Segundo vários órgãos de comunicação social norte-americanos, Donald Trump terá procurado atribuir o seu nome à Penn Station, em Nova Iorque, e ao Aeroporto Internacional Dulles, em Washington. De acordo com essas informações, terá mesmo sugerido a libertação de mais de 16 mil milhões de dólares em fundos federais para um projeto ferroviário entre Nova Iorque e Nova Jérsia em troca de apoio político para essas renomeações. A proposta terá sido recusada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer.
Também está em preparação uma moeda comemorativa de um dólar com a imagem de Donald Trump, segundo confirmou o Departamento do Tesouro, ainda que a legislação norte-americana impeça a representação de Presidentes em funções ou vivos em notas.
Este conjunto de iniciativas surge num ano simbólico, em que os Estados Unidos assinalam os 250 anos da independência e em que Donald Trump celebra 80 anos. As comemorações incluem eventos pouco usuais, como uma corrida de Fórmula Indy nas ruas de Washington ou combates de luta livre na Casa Branca.
Num país onde a memória presidencial costuma ser construída a posteriori, Donald Trump parece optar por um caminho diferente, procurando garantir desde já a sua presença duradoura na história e no espaço público norte-americano.
com Lusa





