Há seis anos, a pandemia expôs fragilidades estruturais no comércio internacional, desde a dependência excessiva de determinados fornecedores até à concentração de rotas críticas. No setor das commodities e do shipping, estes desequilíbrios traduziram-se em ruturas de fornecimento, aumento dos custos logísticos e maior pressão sobre empresas capazes de operar em ambientes de risco.

Foi neste contexto que a TradEstela se afirmou como um exemplo de resiliência, ao transformar a sua experiência em vantagem competitiva. Fundada oficialmente em 2020 e a operar num setor marcado por uma grande volatilidade, a empresa consolidou-se como um parceiro relevante no trading de commodities estratégicas, demonstrando que uma estrutura independente também é capaz de operar ao lado de grandes players internacionais.
O trunfo da experiência
Antes de existir formalmente, a TradEstela já operava no mercado. A empresa acumulava mais de 15 anos de experiência nas Américas, da Venezuela aos Estados Unidos da América, passando pela Colômbia, Peru, Equador e Brasil. Um conhecimento profundo de mercados complexos que se revelou decisivo quando, em março de 2020, a pandemia desafiou os modelos de negócio e tornou o comércio internacional imprevisível e altamente fragmentado.

Enquanto muitos operadores viram a atividade reduzir-se drasticamente, a TradEstela conseguiu manter a atividade e até crescer. “Num contexto extremamente desafiante, conseguimos não só assegurar a continuidade dos fluxos como reforçar a nossa presença internacional”, explica Luis Beauperthuy, CEO da TradEstela.
Se a pandemia testou a sua capacidade de resistência, o conflito na Ucrânia viria a validar a resposta estratégica da TradEstela e a definir o sucesso dos anos vindouros. Em 2022, quando a União Europeia anunciou o embargo ao carvão russo, a Europa enfrentou uma emergência energética sem precedentes. Dados da Eurostat indicam que o carvão russo representava então cerca de 45% a 50% das importações europeias desta matéria-prima.

A Polónia surgia como caso emblemático. Segundo a mesma fonte, cerca de 87% do carvão consumido no país destinava-se ao aquecimento doméstico, o que aumentou a urgência na procura de alternativas. Nesta altura, a TradEstela assegurou o fornecimento de carvão de origem venezuelana e colombiana para a Europa, sobretudo para a Polónia, posicionando-se como operador relevante num momento crítico para a segurança energética europeia.
Este contexto “impulsionou o fortalecimento da empresa nas áreas de trading de commodities, operações marítimas e assessoria especializada, incluindo garantias portuárias e operativa em ambientes complexos”, adianta o responsável Luis Beauperthuy.
Diversificação e atuação global
Relatórios da Agência Internacional de Energia indicam que, no contexto da atual instabilidade geopolítica, a diversificação de fontes de energia e de cadeias de abastecimento se tornou uma prioridade para a segurança energética e económica global.

Neste novo enquadramento, operadores com conhecimento local, presença em múltiplas jurisdições e capacidade de leitura de risco ganham vantagem competitiva. E é aqui que a TradEstela se destaca.
Ao longo do seu percurso, a empresa diversificou o portefólio e passou a negociar cargas estratégicas como carvão térmico, minério de ferro, bauxita, ureia, metanol, alumínio e scrap. Opera hoje em portos da América do Sul, América Central, América do Norte, Europa, Médio Oriente e Ásia.
Em apenas seis anos de atividade formal, a TradEstela ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas negociadas. Para Luis Beauperthuy, este resultado reflete “não apenas escala, mas um conhecimento profundo das dinâmicas logísticas, regulatórias e portuárias em diferentes geografias”, sustentado por uma estrutura ágil e altamente técnica.

Com dois escritórios em Portugal e em Hong Kong, e representantes em Madrid, Berna e Singapura, a TradEstela conta com uma equipa multicultural e multidisciplinar, fluente em português, espanhol, inglês e francês, um ativo que tem sido “determinante” para a “consolidação da reputação junto de armadores, traders, produtores e clientes finais”, confirma o CEO da TradEstela.
De acordo com relatórios do Banco Mundial, os mercados de commodities continuam a ser críticos para a economia global. E é neste contexto que a TradEstela se quer posicionar como operador de confiança, reforçando a sua presença na Venezuela e nas Américas. O objetivo passa por representar uma “janela segura e estruturada” para empresas, fundos de investimento e parceiros institucionais que estejam a analisar oportunidades nestes mercados exigentes.





