Trabalhar em empresas maiores aumenta as hipóteses de progressão no turismo

A dimensão das empresas surge como o principal fator de progressão profissional no setor do turismo, alojamento e restauração, um dos pilares da economia portuguesa e responsável por 6,5% do emprego nacional. A conclusão resulta do estudo "Carreiras Profissionais: Dinâmicas de Planeamento", apresentado esta terça-feira pelo KIPT CoLab – Laboratório Colaborativo para a Inovação no…
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A progressão profissional no setor do turismo, alojamento e restauração está mais associada à dimensão e à robustez financeira das empresas do que à estabilidade contratual dos trabalhadores, segundo um estudo do KIPT CoLab baseado em 14 anos de dados administrativos dos Quadros de Pessoal.
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A dimensão das empresas surge como o principal fator de progressão profissional no setor do turismo, alojamento e restauração, um dos pilares da economia portuguesa e responsável por 6,5% do emprego nacional. A conclusão resulta do estudo “Carreiras Profissionais: Dinâmicas de Planeamento”, apresentado esta terça-feira pelo KIPT CoLab – Laboratório Colaborativo para a Inovação no Turismo, com base na análise de 14 anos de dados administrativos dos Quadros de Pessoal.

De acordo com o estudo, os trabalhadores integrados em empresas de maior escala concentram as oportunidades de progressão ao longo da carreira. Em organizações de grande dimensão, as probabilidades de progressão duplicam ao longo do tempo, ultrapassando os 60% ao fim de 15 anos. Nas empresas com volumes de negócios superiores a 500 milhões de euros, três em cada quatro trabalhadores registam progressão profissional.

O estudo revela ainda que no curto prazo, trabalhadores com contratos sem termo registam probabilidades de progressão inferiores, enquanto os contratos a termo funcionam, em muitos casos, como mecanismos de transição para funções de maior responsabilidade.

apresentação do estudo decorreu no Hotel Pestana Palace, em Lisboa

Relativamente à remuneração base, os dados permitem concluir que salários mais elevados estão associados a menor mobilidade vertical, enquanto níveis salariais abaixo dos 1.600 euros correlacionam com progressões mais rápidas nos primeiros anos de carreira, sobretudo em contextos empresariais com maior capacidade de absorver e promover talento.

Do ponto de vista demográfico, a progressão profissional é mais rápida entre os 25 e os 34 anos, fase identificada como o “prime” da carreira no setor. O estudo indica ainda níveis de equidade de género estrutural, sem diferenças estatisticamente relevantes nas probabilidades de progressão entre homens e mulheres. Em contraste, surgem assimetrias associadas à nacionalidade, com trabalhadores portugueses a apresentarem probabilidades médias de progressão inferiores às observadas entre trabalhadores de outras nacionalidades.

Para o KIPT CoLab, os resultados reforçam a necessidade de repensar a forma como o setor estrutura o emprego e as carreiras, colocando a gestão de pessoas no centro da produtividade e da competitividade económica. Nesse contexto, foi apresentado o Simulador de Carreiras, uma ferramenta digital baseada nos dados do estudo que permite antecipar trajetórias profissionais e apoiar decisões de trabalhadores, empresas e decisores públicos.

A apresentação do estudo e da nova plataforma decorreu no Pestana Palace, em Lisboa, e contou com a presença do Secretário de Estado do Trabalho, reunindo representantes de empresas, associações e entidades do setor.

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