Temos de falar… de dinheiro

Falar de dinheiro continua a ser, para muitos portugueses, um território desconfortável. Não por falta de interesse, mas por falta de ferramentas. Num contexto marcado por inflação, incerteza económica e uma crescente complexidade dos produtos financeiros, gerir o próprio dinheiro tornou-se uma tarefa exigente e, muitas vezes, solitária. Um país à volta com números Os…
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Num país onde a literacia financeira continua a ser um desafio, o Money Talks afirma-se como um espaço essencial para aprender, questionar e tomar decisões mais conscientes
Forbes LAB

Falar de dinheiro continua a ser, para muitos portugueses, um território desconfortável. Não por falta de interesse, mas por falta de ferramentas. Num contexto marcado por inflação, incerteza económica e uma crescente complexidade dos produtos financeiros, gerir o próprio dinheiro tornou-se uma tarefa exigente e, muitas vezes, solitária.

Um país à volta com números

Os números ajudam a perceber o cenário: cerca de 64% da população em Portugal revela dificuldades na gestão das suas finanças pessoais, colocando-nos como um dos piores países da Europa nesse aspecto . Mais do que uma estatística, este dado traduz-se em decisões adiadas, oportunidades perdidas e, em muitos casos, ansiedade financeira. A literacia financeira deixou, por isso, de ser um tema secundário para se tornar uma competência essencial no dia a dia.

É neste contexto que surge o Money Talks. Mais do que um evento, assume-se como um ponto de encontro entre especialistas e cidadãos, onde o objetivo não é apenas informar, mas capacitar. Nos dias 11 e 12 de abril, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, mais de 40 oradores vão partilhar conhecimento sobre temas que vão da poupança ao investimento, da fiscalidade à psicologia financeira. Pode contar com Catarina Brandão (autora de “Tenha mais dinheiro na carteira”), Rui Bairrada (fundador do Doutor Finanças), Paulo Faustino (especialista em negócios e vendas) Catarina e Raffik (educadores e consultores financeiros), Cristina Judas (educadora financeira infantil), Gabriel Ferreira (distinguido pela Forbes na área das finanças pessoais) e muitos outros.

Dois dias de imersão para um futuro mais planeado

Mas o que distingue o Money Talks não é apenas a quantidade de conteúdos: é a forma como os organiza. Ao longo de dois dias, o evento propõe uma experiência imersiva, com momentos de aprendizagem, discussão e networking, pensados para aproximar conceitos que muitas vezes parecem distantes da realidade das pessoas. Porque falar de dinheiro não tem de ser complicado. Tem de ser útil.

A primeira edição, realizada em Évora no ano passado, mostrou precisamente isso: existe uma procura crescente por informação acessível e prática sobre finanças pessoais. A segunda edição, agora em Lisboa, surge com ambição reforçada: com mais oradores, mais sessões e mais participantes, numa tentativa clara de afirmar o evento como referência nacional na área da literacia financeira. E por isso também o apoio de empresas como o Crédito Agrícola, XTB, Credibom, Deco PROteste, Grupo Your, Coverflex, Visa e muitos outros.

Num mercado onde a oferta de conteúdos financeiros cresce a um ritmo acelerado, o desafio deixa de ser apenas o acesso à informação. Passa a ser a sua interpretação. Saber distinguir tendências de ruído, compreender riscos, avaliar decisões a longo prazo. E, acima de tudo, ganhar confiança.

Um lugar onde o dinheiro fala

Porque a literacia financeira não se constrói apenas com conhecimento técnico. Constrói-se com contexto, com exemplos reais e com a possibilidade de questionar. É esse espaço que o Money Talks procura criar: um lugar onde o dinheiro deixa de ser um tema abstrato e passa a ser uma ferramenta concreta para melhorar a vida.

Num país onde a relação com o dinheiro ainda está, em muitos casos, por estruturar, iniciativas como esta ajudam a transformar uma conversa difícil numa prática necessária. No fim, talvez seja isso que está em causa: não aprender a falar de dinheiro, mas aprender a ouvi-lo melhor.

3 perguntas a Tomás Caeiro, fundador do Money Talks

Num país onde ainda existem grandes desafios ao nível da literacia financeira, qual acredita ser hoje o maior obstáculo dos portugueses na gestão do dinheiro?
 
“O maior problema dos portugueses não é ganhar pouco. É decidir mal com o que ganham.”
Acho que o maior obstáculo não é falta de informação — é falta de clareza.
Hoje em dia, qualquer pessoa encontra conteúdos sobre finanças em dois minutos. O problema é que há demasiado ruído, demasiadas opiniões e pouca estrutura. As pessoas sabem um pouco de tudo, mas não sabem exatamente o que fazer a seguir.
E isso leva a decisões adiadas, investimentos sem estratégia e, muitas vezes, a uma sensação constante de “acho que podia estar a fazer melhor, mas não sei bem como”.
O Money Talks tem crescido e evoluído desde a sua primeira edição. O que distingue este evento de outras iniciativas na área financeira em Portugal?

“O Money Talks não é mais um evento de finanças — é onde as decisões que custam anos são finalmente questionadas.”
Diria que o principal diferencial é a forma como juntamos diferentes perspetivas no mesmo espaço.
Não é um evento focado só em investimento, ou só em poupança, ou só em empreendedorismo. É um evento completo, onde se fala de dinheiro de forma transversal — desde decisões do dia a dia até construção de património e estratégia de longo prazo.

Parte essencial desta diversidade vem também dos parceiros que se juntam ao evento — como a Corum Investments, o Crédito Agrícola e a CA Vida, a XTB, a Deco PROteste, a UWU, o Grupo Your, a Credibom, a Bybit, a Coverflex, a Goparity e a Visa — cada um trazendo a sua visão, experiência e abordagem ao dinheiro.

E depois há uma preocupação muito grande em manter o conteúdo prático e realista. Não queremos talks genéricas ou demasiado teóricas. Queremos que as pessoas saiam com ideias concretas para tomar melhores decisões.

Se tivesse de escolher uma mudança concreta que gostaria de ver nos portugueses depois de passarem pelo Money Talks, qual seria?

“Quem não decide de forma estratégica acaba sempre a viver das decisões dos outros.”
Gostava que saíssem do evento a tomar decisões alinhadas com objetivos pessoais e menos decisões feitas por impulso, por tendência ou por aquilo que “toda a gente está a fazer”.
No fundo, que deixassem de “reagir” ao dinheiro e passassem a usá-lo de forma estratégica — seja para investir, para construir património ou simplesmente para ter mais liberdade no futuro.
Se isso acontecer, mesmo que seja em pequena escala, já faz uma grande diferença.

 

 

 

 

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