Souto de Moura distinguido com medalha de ouro de União Internacional dos Arquitetos

O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou hoje a Ordem dos Arquitetos. Em comunicado, a Ordem dos Arquitetos – que submeteu a candidatura do arquiteto do Porto - realçou que se trata da “mais alta…
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O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou hoje a Ordem dos Arquitetos.
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O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou hoje a Ordem dos Arquitetos.

Em comunicado, a Ordem dos Arquitetos – que submeteu a candidatura do arquiteto do Porto – realçou que se trata da “mais alta honra mundial atribuída a um arquiteto em vida”, o que “representa um marco histórico para a obra de Eduardo Souto Moura, para Portugal e para a Arquitetura Portuguesa”.

Criada em 1984 pela UIA, de caráter trienal, é classificada pela própria organização como “a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos, escolhida a partir de nomeações submetidas por instituições profissionais de todo o mundo”.

No passado, já foi atribuída a nomes como o egípcio Hassan Fathy (1985), o indiano de origem goesa Charles Correa (1990), o espanhol Rafael Moneo (1996), o italiano Renzo Piano (2002), o português Álvaro Siza Vieira (2011) e o brasileiro Paulo Mendes da Rocha (2021).

De acordo com a UIA, o júri que escolheu a Medalha de Ouro deste ano foi composto pela presidente da união, Regina Gonthier, pelo arquiteto anglo-ganês David Adjaye e pela arquiteta chinesa Lu Wenyu.

Citado em comunicado, o presidente da Ordem dos Arquitetos, Avelino Oliveira, afirmou que “Souto Moura é autor de uma obra maior, disruptiva e intemporal”, tratando-se esta medalha do “culminar de um percurso pessoal e profissional de ampla produção arquitetónica e que faz de Portugal um dos lugares incontornáveis da arquitetura contemporânea”.

“Para a Ordem, este é um momento de projeção internacional que reforça a imagem de Portugal como referência mundial na arquitetura dos nossos dias. Para a arquitetura portuguesa, trata-se da confirmação de uma escola sólida, reconhecida e admirada globalmente”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Segundo a Ordem dos Arquitetos, a entrega da Medalha de Ouro vai ocorrer no dia 30 de junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitetos.

No dia 01 de julho, também em Barcelona, a Casa da Arquitetura e a Ordem dos Arquitetos vão organizar uma conversa que vai juntar Souto de Moura e os arquitetos Manuel Aires Mateus e Inês Lobo.

A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o “Nobel da arquitetura”, em 2011, pelo conjunto da obra.

Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte – Portugal, em 1996.

Nos Estados Unidos, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.

A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projetos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.

Lusa

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