Opinião

Só deves olhar para baixo quando for para ajudar alguém a levantar-se.

Nilza Rodrigues

A Jesse Jackson, que hoje nos deixa aos 84 anos, devo, devemos esta frase. Que não tem cor. É um hino à Dignidade Humana. Embora a História a tenha tingido, ela é mais do que uma máxima moral, é um manifesto de vida.

Mas a Jesse Jackson devemos mais. Muito mais. Nasceu em 1941, em Greenville, Carolina do Sul, no coração segregado do sul dos Estados Unidos. Filho de uma mãe jovem e solteira, cresceu em pobreza e com a consciência aguda das barreiras impostas pela cor da sua pele. Desde cedo aprendeu que talento e esforço eram insuficientes num mundo desenhado para excluir.

A sua fé deu-lhe força. Ordenado pastor batista, tornou-se próximo de Martin Luther King Jr., partilhando a luta pelos direitos civis, campanhas económicas e sociais, e esteve em Memphis no dia em que King foi assassinado, um momento que marcaria toda a sua vida.

Jackson recusou que a luta perdesse força. Fundou organizações como a Operation PUSH e a Rainbow Coalition, defendendo não apenas direitos civis, mas a dignidade e a inclusão de comunidades marginalizadas. Nos anos 80, ousou candidatar-se à presidência dos Estados Unidos, mudando para sempre a política americana e abrindo portas para milhões que antes eram ignorados.

Quando Obama venceu, recordo-me como se fosse hoje, as lágrimas rolaram no rosto de Jesse. Os líderes também choram. Aquelas lágrimas não eram apenas suas. Eram de todos os que lutaram, de todos os que persistiram.

Hoje, ao despedirmo-nos de Jesse Jackson, despedimo-nos de um homem cujo legado não vai ser esquecido pelas inúmeras lições que nos deixou, seja em discursos, seja em lutas, seja em ações. Ainda que Trump não tenha a coragem de o mencionar hoje, nenhum de nós vai deixar passar despercebido este grande líder que dedicou a sua vida a…servir. Porque só assim a liderança faz sentido.

“If my mind can conceive it, and my heart can believe it, then I can achieve it.”

Artigos Relacionados