Seguradoras aceleram digitalização e começam a escalar IA generativa em Portugal

A Deloitte revela que as seguradoras a operar em Portugal estão a reforçar a aposta na transformação digital e a dar os primeiros passos na escala da Inteligência Artificial generativa, num contexto marcado por desafios operacionais e tecnológicos. As conclusões constam da primeira edição do Observatório do Mercado Segurador Português, estudo que recolheu contributos de…
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A Deloitte conclui, na primeira edição do Observatório do Mercado Segurador Português, que uma em cada cinco seguradoras já utiliza Inteligência Artificial generativa de forma significativa, num setor pressionado por custos, escassez de talento e sistemas core envelhecidos.
Tecnologia

A Deloitte revela que as seguradoras a operar em Portugal estão a reforçar a aposta na transformação digital e a dar os primeiros passos na escala da Inteligência Artificial generativa, num contexto marcado por desafios operacionais e tecnológicos.

As conclusões constam da primeira edição do Observatório do Mercado Segurador Português, estudo que recolheu contributos de 32 executivos de topo, de 15 companhias de seguros, representativas de cerca de 80% da quota de mercado nacional.

Segundo os dados apurados, cerca de uma em cada cinco empresas, seis das 32 inquiridas, já reporta uma utilização elevada de GenAI em pelo menos uma função de negócio.

Para Nuno Schäller Gonçalves, Partner e líder para o setor segurador da Deloitte, “o setor em Portugal demonstra resiliência e uma ambição clara de transformação, contudo ainda existe um desfasamento relevante entre a visão estratégica e a execução tecnológica. A capacidade de escalar a digitalização e a Inteligência Artificial (IA) será, por isso, determinante para garantir competitividade e crescimento sustentável nos próximos anos”.

O estudo identifica como principais desafios ao crescimento, nos próximos cinco anos, a gestão de custos e eficiência operacional, a atração e retenção de talento com competências digitais e analíticas e a modernização dos sistemas core, muitos deles com mais de 15 anos. De acordo com os dados, 50% das seguradoras continuam a operar com sistemas com mais de 15 anos e 63% reconhecem que os seus sistemas core constituem um ponto a melhorar. Apenas 3% consideram que estas plataformas já geram impacto positivo no negócio.

Pressão dos clientes

A pressão regulamentar e as expectativas crescentes dos clientes, habituados a experiências digitais rápidas e personalizadas, reforçam a necessidade de adaptação. Quase metade das organizações, 42%, aponta limitações significativas nos sistemas de TI (Tecnologias de Informação), enquanto 26% refere constrangimentos associados à flexibilidade regulatória, fatores que condicionam o lançamento de novos produtos.

Apesar deste enquadramento, as seguradoras mantêm uma perspetiva de crescimento assente em três motores principais: investimento em novas tecnologias, melhoria da experiência do cliente e desenvolvimento de novos produtos e serviços. Fusões e aquisições surgem igualmente como alavanca estratégica para ganhar escala e acelerar a incorporação de novas capacidades, a par da integração em ecossistemas digitais.

No domínio da IA, o estudo indica que o potencial de transformação abrange toda a cadeia de valor, da subscrição e deteção de fraude ao atendimento ao cliente e à gestão de sinistros. Contudo, a aplicação prática permanece limitada. As áreas de Marketing, Vendas e Apoio ao Cliente lideram a adoção, beneficiando de capacidades de personalização e segmentação preditiva, mas a utilização mais ampla da GenAI continua residual.

Nuno Schäller Gonçalves, Partner e líder para o setor segurador da Deloitte

Ainda assim, mais de metade dos líderes do setor, 53%, antecipa ganhos de eficiência entre 10% e 25% nas equipas de subscrição nos próximos três a cinco anos, impulsionados pela automação e pela análise avançada de dados. A GenAI é vista como instrumento para ultrapassar limitações dos sistemas core e desbloquear inovação, embora o desafio passe por escalar os casos de uso de forma transversal e sustentável.

Na distribuição, Portugal mantém-se como um mercado fortemente intermediado, mas evolui para modelos híbridos, designados “phygital”, que combinam proximidade humana com eficiência digital. Cerca de 70% das seguradoras priorizam canais diretos, e cinco das empresas analisadas reportam já uma integração avançada entre jornadas digitais e físicas.

Quanto à participação em ecossistemas, 40% dos gestores consideram que as suas seguradoras se encontram ainda numa fase exploratória, 41% participam ativamente de forma parcial e apenas 20% apresentam modelos mais consolidados, sobretudo entre os maiores operadores.

O Observatório conclui que o futuro do setor dependerá da capacidade de combinar eficiência operacional, transformação digital e inovação centrada no cliente, num mercado onde a modernização tecnológica, assente em arquiteturas híbridas e modulares, assume prioridade estratégica no curto e médio prazo.

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