Satélites com inteligência artificial? Loft Orbital quer colocá-los em órbita já este ano

A startup norte-americana Loft Orbital prepara-se para dar um novo passo na utilização da inteligência artificial (IA) em órbita. A empresa, que desenvolve plataformas de satélite padronizadas para diferentes clientes, planeia lançar ainda este ano uma constelação de 10 satélites capazes de executar modelos de IA diretamente no espaço. A Loft Orbital pretende usar estes…
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A startup Loft Orbital, sediada em São Francisco, planeia lançar ainda este ano uma constelação de 10 satélites equipados com inteligência artificial capaz de analisar dados diretamente no espaço, com aplicações que vão da monitorização ambiental ao combate à pirataria.
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A startup norte-americana Loft Orbital prepara-se para dar um novo passo na utilização da inteligência artificial (IA) em órbita. A empresa, que desenvolve plataformas de satélite padronizadas para diferentes clientes, planeia lançar ainda este ano uma constelação de 10 satélites capazes de executar modelos de IA diretamente no espaço.

A Loft Orbital pretende usar estes sistemas para aplicações práticas, como a deteção precoce de incêndios florestais, a monitorização ambiental ou a identificação de atividades ilegais no mar. A ideia passa por processar dados recolhidos por câmaras e sensores a bordo dos satélites e enviar para a Terra alertas e informação relevante, em vez de grandes volumes de dados brutos.

A abordagem surge numa altura em que várias empresas tecnológicas têm anunciado planos para levar centros de dados para o espaço. Companhias como SpaceX, Nvidia, Google ou Blue Origin exploram a possibilidade de instalar infraestruturas de computação em órbita, mas estes projetos enfrentam desafios técnicos e económicos significativos.

A Loft Orbital propõe uma estratégia diferente e mais imediata. Em vez de grandes centros de dados espaciais, aposta em satélites com capacidade limitada de computação, capazes de executar modelos de IA mais leves diretamente a bordo.

Paul Lasserre, diretor-geral da nova área de negócio AI for Space da Loft Orbital, reconhece que existem limitações importantes. A energia disponível em cada satélite ronda os 500 watts, menos do que o consumo de um computador de gaming de topo. Além disso, os chips e outros componentes têm de ser concebidos para resistir à radiação no espaço.

Outro obstáculo é a largura de banda. A transmissão de dados entre satélites e a Terra continua a ser limitada, o que dificulta o envio de grandes quantidades de informação. Por essa razão, a empresa não pretende utilizar modelos de grande dimensão, como os que estão por detrás de sistemas como o ChatGPT.

Em vez disso, a Loft Orbital irá recorrer a modelos de IA mais compactos, capazes de identificar padrões e gerar alertas em tempo real. Se um sistema detetar sinais de um incêndio florestal ou de atividades suspeitas no mar, pode avisar imediatamente as autoridades em terra ou dar prioridade ao envio de imagens detalhadas dessa área para centros de dados terrestres.

Paul Lasserre admite que modelos mais pequenos podem gerar falsos positivos, mas compara a abordagem com os primeiros sistemas de IA utilizados na imagiologia médica, que ajudavam a priorizar exames para avaliação por médicos.

Segundo o responsável, o objetivo passa por transformar os satélites em sistemas inteligentes e autónomos, capazes de compreender em tempo real aquilo que observam. Em vez de funcionarem apenas como câmaras em órbita, os satélites poderão analisar informação e enviar alertas e conclusões diretamente para quem toma decisões no terreno.

Em paralelo com o lançamento da constelação, a Loft Orbital anunciou também a criação de uma nova unidade de negócio dedicada à inteligência artificial no espaço, designada AI for Space. Esta divisão terá como objetivo desenvolver infraestruturas escaláveis de IA em órbita e criar um ecossistema de parceiros tecnológicos.

A empresa planeia ainda criar um marketplace de aplicações de IA nos seus satélites, permitindo que entidades governamentais e parceiros comerciais desenvolvam e implementem os seus próprios algoritmos diretamente na infraestrutura da Loft Orbital.

A nova unidade será liderada por Paul Lasserre, que anteriormente trabalhou na Amazon Web Services (AWS, Amazon Web Services), onde liderou parcerias nas áreas de dados e inteligência artificial generativa. Na Loft Orbital, será responsável pelo desenvolvimento e comercialização de soluções espaciais baseadas em IA, em colaboração com parceiros industriais, governos e empresas tecnológicas.

Texto original aqui. Artigo traduzido e editado por Paulo Marmé.

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