Rede social X é o principal canal de desinformação contra UE

A rede social X é o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e os políticos são o principal alvo, refere um relatório hoje divulgado pelo serviço diplomático europeu. Num relatório intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação”, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, dos…
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A rede social X é o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e os políticos são o principal alvo, refere um relatório ivulgado pelo serviço diplomático europeu que indica ainda que aA Rússia focou as suas campanhas de desinformação e interferência externa na União Europeia em 2025, reduzindo os ataques contra os EUA.
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A rede social X é o principal canal utilizado para atividades de desinformação contra a União Europeia e os políticos são o principal alvo, refere um relatório hoje divulgado pelo serviço diplomático europeu.

Num relatório intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação”, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, dos cerca de 43 mil conteúdos relacionados com desinformação que analisou em 2025, 88% passaram pela rede social X, detida pelo magnata norte-americano Elon Musk, muito acima da aplicação de mensagens Telegram (3%) ou do Facebook (2%).

“A presença de redes de comportamento inautêntico coordenado, a facilidade de criação de contas falsas, mas também o acesso mais fácil a dados explica esta concentração. A maioria das grandes plataformas de redes sociais restringe o acesso a dados que permitiriam avaliar a dimensão da manipulação de informação”, explica o SEAE.

Apesar da preponderância do X, o relatório refere que, na maioria das campanhas de desinformação, os protagonistas tendem a procurar operar ao mesmo tempo em várias plataformas, com diferentes contas, combinando publicações nas redes sociais e mensagens em aplicações como o WhatsApp ou Telegram.

“O objetivo é infiltrar-se no espaço de informação para aumentar a visibilidade e credibilidade do conteúdo, ao mesmo tempo que se visam públicos específicos com base em fatores sociodemográficos e geográficos”, refere-se.

De acordo com o relatório, o recurso à inteligência artificial (IA) está a tornar-se cada vez mais premente nas campanhas de desinformação dirigidas contra a UE, verificando-se um aumento de 259% quando comparado com 2024.

“Os atores russos e chineses implementaram totalmente ferramentas de IA para acelerar a produção de conteúdos e aumentar as atividades de ingerência com menos recursos”, lê-se no relatório, em linha com a análise de um responsável europeu que indicou que a IA está a tornar estas operações muito mais baratas.

Na análise que fez a estas campanhas, o SEAE que a maioria dos ataques (66%) é dirigido contra políticos, com destaque particular para os presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e de França, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, ou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O SEAE aponta que, na maioria dos casos, as campanhas contra estas personalidades são sobretudo “ataques àquilo que um indivíduo representa (como valores democráticos ou princípios)” e uma tentativa de “instrumentalizar a plataforma que têm para alcançar públicos específicos”.

A nível de organizações visadas por estas campanhas, as entidades políticas voltam a estar em primeira linha, com 36% dos ataques, seguidas pelos órgãos de comunicação social (23%) e organizações militares ou de segurança (22%).

“Os setores políticos e de segurança foram especialmente visados, com o objetivo de minar a confiança nas capacidades de Defesa. Da mesma maneira, os protagonistas destas ameaças identificaram o setor dos media como sendo crucial para a democracia e, por isso, dirigiram-lhe narrativas depreciativas, tentativas de personificação e campanhas diretas de difamação”, explica-se no relatório.

Os períodos eleitorais são os contextos mais utilizados para campanhas de desinformação, assim como manifestações populares ou distúrbios, que são explorados para “alimentar perceções de caos, medo e desordem, geralmente contra administrações locais”.

“Momentos de elevada tensão e carga emocional são vistos pelos atores destas ameaças como vulnerabilidades que lhes permitem atingir os seus públicos-alvo, influenciar o seu raciocínio e amplificar preconceitos cognitivos existentes”, refere-se.

O SEAE ressalva que o relatório não deve ser “interpretado como exaustivo” em termos de ameaças de desinformação, uma vez que deriva de uma monitorização que não cobre “todas as regiões e línguas” e “só representa uma porção pequena das atividades destes atores”.

Rússia focou desinformação na UE e reduziu ataques contra EUA em 2025

A Rússia focou as suas campanhas de desinformação e interferência externa na União Europeia em 2025, reduzindo os ataques contra os Estados Unidos, indica um relatório do serviço diplomático europeu, que aponta uma mudança estratégica.

No relatório, intitulado “Ameaças de ingerência externa e de manipulação de informação”, o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) indica que, em 2025, se verificou uma “recalibração estratégica” nas campanhas russas de desinformação e de ingerência externa.

“Passaram de uma abordagem que dividia o foco entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos para uma ênfase maior na UE, mantendo, no entanto, alguma margem de manobra”, lê-se no relatório.

O SEAE indica que os atores russos se “focaram na UE como um adversário, mostraram uma abordagem inconsistente relativamente aos Estados Unidos” e procuraram retratar Moscovo como “uma alternativa a um Ocidente supostamente decadente em termos morais”.

No relatório, refere-se que a Rússia se manteve a principal fonte de desinformação contra a UE em 2025: dos 540 incidentes analisados pelo SEAE em 2025, cerca de 29% foram atribuídos à Rússia, seguido da China (6%).

“Os restantes 65% não foram atribuídos, mas apresentaram indicadores ligados a infraestruturas russas ou chinesas”, lê-se no relatório do SEAE.

O principal alvo da Rússia foi a Ucrânia, seguido da Moldova, onde se realizaram eleições legislativas em setembro de 2025.

“As eleições continuaram a ser um dos principais focos [da Rússia]. Por exemplo, na República Checa, centenas de contas anónimas no TikTok espalharam narrativas pró-Kremlin na véspera das eleições legislativas [de outubro de 2025], enquanto as legislativas na Moldova enfrentaram uma onda sem precedentes de ameaças híbridas”, refere-se.

Através das suas operações, Moscovo procura “alimentar divisões novas ou aprofundar as já existentes” nas sociedades, ao tentar “mobilizar sentimentos ‘antissistema’ e minar a confiança na UE, retratando-a como antidemocrática e agressiva ou demasiado fraca”.

Já as atividades da China, apesar de serem significativamente inferiores, estão em “constante crescimento”, indicou um responsável europeu num ‘briefing’ com jornalistas, e são dotadas de um orçamento muito maior.

Segundo estimativas do SEAE, a Rússia disponibiliza cerca de 1,6 mil milhões de euros para este tipo de operações, enquanto a China calcula-se que gaste entre 6 e 8,6 mil milhões de euros.

As atividades chinesas têm também uma característica própria: além de tentarem difundir teorias conspiracionistas, à semelhança das russas, visam também “suprimir narrativas que vão contra alguns dos seus interesses fundamentais”.

Desenvolvem “medidas agressivas como intimidação e assédio de vozes críticas para suprimir informação inclusive fora das suas fronteiras”, lê-se no relatório, que indica que a China tenta retratar a UE como “subserviente aos Estados Unidos” a nível de política externa.

O relatório refere ainda que, em casos raros, a Rússia e a China trabalham em conjunto contra a UE, apesar de normalmente desenvolverem ações classificadas como “oportunistas”, no sentido em que aproveitam para amplificar os ataques desencadeados pelo outro.

Um dos exemplos dessas operações conjuntas verificou-se em outubro de 2025, numa altura em que ‘drones’ russos sobrevoavam o espaço europeu, tendo a China apoiado a Rússia com campanhas de desinformação, indicou um responsável europeu.

O SEAE ressalva que o relatório não deve ser “interpretado como exaustivo” em termos de ameaças de desinformação, uma vez que deriva de uma monitorização que não cobre “todas as regiões e línguas” e “só representa uma porção pequena das atividades destes atores”.

com Lusa

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